terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Felizes Novos Bebezinhos...



Férias de fim de ano: nem sempre o Papai e a Mamãe conseguem se agendar ou mesmo acompanhar o ritmo da SuperFilha, que, com todo o tempo livre das amarras de seus costumeiros “compromissos escolares” (dormindo tarde, acordando na hora que quer...), muitas vezes tem que se contentar, infelizmente, com as imagens daquela “grande máquina de fazer doidinhos”, maneira, eu diria, mais atual e infantil de tachar a TV tal como o fez, há muito tempo, o grande Stanislaw Ponte Preta (pseudônimo do histriônico jornalista Sérgio Porto): hoje, bem maior e mais aprimorada do que naquela longínqua década de 60, equipada que está não só com inúmeros canais em alta definição totalmente voltados para a meninada, mas também com os modernos DVDs, cheios de historinhas e clipes com as canções favoritas dos pequerruchos (sem esquecer as ligações com o computador e a internet), os modernos aparelhos são mesmo um mal necessário para o deleite da garotada...

Ainda bem que, pelo menos, há muita coisa de qualidade neste gigantesco “minimercado” de entretenimento – que o diga o talentoso pessoal da Palavra Cantada: muito mais do que uma animada dupla de incentivadores das antigas brincadeiras e cantigas de roda dos tempos modernos, os grandes artistas Paulo Tatit e Sandra Peres se tornaram uma marca consagrada de sinônimo de coisa boa para a meninada (bem como para seus pais, que podem comprar qualquer coisa deles sem medo), surpreendendo a cada novo projeto lançado. Caso do excelente Pauleco & Sandreca - 10 Clipes, que marcou 2013 trazendo 10 canções em clipes animados, com um ótimo 'score' entre adoráveis novidades (a linda Músicos e Dançarinos), temas bem conhecidos do seu já cativo público (caso de O Rato, famoso nos shows, e, neste trabalho, virando uma linda animação com participações de Maria Gadú e Vanderléa) e até releituras de clássicos da MPB (como O Vira, da banda Secos e Molhados), cada uma ricamente “narrada” em desenho animado bem harmonizado com a canção.

Até aí, nenhuma novidade: com uma produção cada vez maior e mais bem cuidada (além de Paulo e Sandra, ainda há um bom número de jovens participantes a cantar e a dançar nos shows e nas várias aparições na TV), Palavra Cantada conta com larga experiência nas mídias audiovisuais, também com boa vivência com animação – caso do DVD anterior, Vem dançar com a gente, onde a dupla interage, em meio a algumas crianças, com ótimos desenhos animados. Mas o que me chamou a atenção, em especial, neste Pauleco e Sandreca, foi que nele há uma interessante contextualização sobre o tema das diversidades para a gurizada...

De cara, salta aos olhos o excelente trabalho da produtora Pulo do Gato Arte e Animação, que tomou o cuidado de, em cada clipe, usar traços e técnicas diferentes, enriquecendo, assim, o resultado final com um gostoso sabor de miscelânea. Logo em seguida, os mais velhos também poderão perceber (sim, porque os pequenos só vão querer saber de dançar e curtir!) um cuidado na escolha do repertório, em explorar a temática dos “diferentes”: temos o pobre e poético ratinho que “surpreende a gente”, e que, em vez de “correr atrás de lascas de queijo, prefere um beijo da Lua”; temos a “menina moleca”, maluquinha de pé no chão, que “deu pra jogar futebol, olha lá”; o guri “rasta” com seu leãozinho, no surreal escapismo do clássico de Caetano Veloso;  interessantes criaturinhas monstruosas recitando as árvores e as frutas do nosso grande pomar brasileiro; a garotinha percussionista com cara de 'nerd' que esquece os problemas da cidade tumultuada e opressora com a sua bicicleta onírica (a música animada até faz uma dramática pausa para um voo de borboletas digitais em 3D)...

Mas, de todos, o meu destaque afetivo vai mesmo para a genial Eu sou um bebezinho (veja o clipe abaixo desta postagem)! A minha favorita do DVD é um leve e divertido reggae sobre um universo que todo superpai conhece bem – e eu, mais ainda, nestes tempos de ciúmes cavalares (ou seria “gemelares”?) da minha superpequena em relação aos bebês a caminho: o centro das atenções como que cada um desses serezinhos vai-se descobrindo no mundo, soltando o berreiro ou uma boa manha para chamar a atenção! O refrão, um primor: “Quero comer, quero mamar, quero preguiça... Não tenho tempo pra esperar a hora, tem que ser aqui, tem que ser agora... Agora não, JÁ”! E o mais legal de tudo, além do delicioso traço mais simples dentre os clipes do disco? Trata-se de um lindo bebê e de uma família... negros! E por que minha alegria nisso? Ora, sejamos realistas: quantas vezes vemos negros retratados em desenhos infantis? Tirantes os recentes e ótimos A Princesa e O Sapo, com a primeira "princesa negra" da Disney, e Little Bill, versão “infantil” do grande Bill Cosby no canal Nick Jr., de quantos protagonistas negros você se lembra numa produção voltada para crianças?

Num País de predominância negra como o nosso, apesar do significativo crescimento de conquistas e do avanço de recentes políticas públicas no afã de diminuir as seculares injustiças sociais cometidas para com esta etnia (bem como os seus “derivados” “mestiços”, “morenos” e “pardos”), muito ainda se tem por avançar – e nada melhor do que começar mostrando referências reais do nosso povo cada vez mais cedo para as nossas crianças. Sim, queremos canções e animações infantis com cada vez mais “diferenças” para além de uma hegemonia branca, loira, dos olhos azuis e que tem tudo como num comercial de margarina (especialmente, nas animações estadunidenses)! Afinal, estamos no Brasil de todos os santos, de todas as raças, de todos os gêneros e de todos os ritmos em meio a sérios problemas sociais... E tudo isso deve, sim, ser bem exposto para que nossos filhos não cresçam iludidos no isolamento "claro" dos supercolégios, dos playgrounds dos condomínios fechados ou no faz-de-conta das luzes dos brinquedos de elitistas shopping centers sem “rolezinho”... Eu, de formação “esquerdista” desde os tempos da faculdade, e casado que sou com uma “supermulata” (a famosa “negra da pele marrom”), com uma linda filha moreninha de aveludada tez canela-escura, agradeço!

E “para um homem que tem tudo” – com uma fabulosa família dessas, “o que mais se poderia querer?” –, o meu desejo para o novo ano que se aproxima acaba sendo mesmo extensivo ao resto do mundo: que 2014 seja um tempo de mais conhecimentos e descobertas... Dos pais em relação aos seus filhos; e dos filhos em relação às ricas raízes sociais e étnicas de um povo lutador e, acima de tudo, criativo! E viva o lúdico do lindo bebezinho negro que domina um DVD com seu carisma; viva a Palavra Cantada, em prol das alegrias sadias para um mundo melhor com o seu sempre acalentador trabalho (pelo menos meia hora de bom programa para os miúdos e de sossego para os pobres pais com os seus vídeos em casa); viva a SuperFilha, a singrar os céus virtuais em mais um ano de Diários do Papai (assim espero...); e viva os SuperGêmeos, que, neste novo ano, dividirão alegremente espaço com o resto do mundo! Um mundo com cada vez menos preconceitos em relação às grandes e maravilhosas diversidades da vida, de todos os tipos, formas e cores...

– Olha, Mamãe: o DVD do Tio Paulo!

– É, Filha?O seu professor de Música no colégio já lhe apresentou esse DVD da Palavra Cantada?

– Olha só: ela já sabe boa parte das canções e eu comprei isso ontem... É assim que se descobrem as coisas, não é, Mamãe? Nós, pagando uma baba para estes ricos colégios desenvolverem as “múltiplas inteligências” dos nossos filhos, e eles, a empurrar horas de DVD para a meninada... Isso eu faço em casa!

– Eta, Papai preconceituoso...!


sexta-feira, 6 de dezembro de 2013


Guardadas as minhas diferenças para com a escola da SuperFilha (falta de maior comunicação com os pais por meio de reuniões; fraco interesse em relação às observações e reclamações feitas; pouco avanço em conteúdo de aprendizado para uma criança desta idade etc.), é inegável a falta que o colégio já passa a fazer na vida da minha garotinha: além da ausência do local seguro e com atividades para uma manhã inteira por dia, o abandono à rotina de acordar cedo, desde o último 29 de novembro, já bagunçou até as noites da Filha - ela agora faz uma farra danada na hora de dormir, não vai para a cama antes das 22h e, de quebra, tem acordado no meio da noite e seguido para a cama dos pais... Mas isso não seria também devido aos precoces ciúmes surgidos com os gêmeos (- Não gosto dos irmãozinhos...)? Só o tempo dirá...

Tempo... Ao fim do seu primeiro ano de colégio, tudo o que a SuperFilha tem agora é tempo, enquanto para seus pais isso é tudo o que falta! E haja matemática para aliar lazer e bom uso para todas estas novas manhãs "extras"! Afetada a "logística" dos afazeres nossos do dia-a-dia, um bom rodízio matutino entre as avós ajuda bastante, aliado a um revezamento entre a Mamãe e eu no resto do dia e a um estudado escalonamento de atividades - encontros com os primos que pouco vê; idas a atrações natalinas de 'shoppings' e promoções de lojas de brinquedos; uma passadinha ainda que fortuita na praia no sábado (cada dia mais poluída - Ela 'tá com medo da onda agora...); descidinhas ao 'play' do condomínio quando a "vizinhança infantil" está boa - vão tocando as férias para frente...

Muitos são os momentos, porém, de parada obrigatória em casa, com as inevitáveis horas em frente à TV com o ainda dominante Nick Jr. ou com novas exibições de Chico & Vinícius para Crianças ao DVD (- Não, não fuja, não/ Finja que agora eu era o seu brinquedo...)! Por isso, tenho em mente que até a "construção do cenário natalino", com o desembrulhar dos enfeites e a armação do pinheiro na sala para esperar as festas de fim de ano, no primeiro dia de dezembro, tem que se converter em evento lúdico para a minha menininha! Convidada a participar, não se fez de rogada e se lançou a colocar as bolas na árvore de Natal e a sujar-se toda com aquele monte de glíter - embora o seu interesse nas luzinhas e no oba-oba exageradamente colorido de tudo ainda não a motive tanto, desde que ela se "entende por gente"... Mas o presépio de aparência infantil, com os personagens do Santo Nascimento com feições de adoráveis e redondos bonequinhos de resina, que comprei no primeiro ano de vida da Filha, mantém-se como sua "atração" favorita: engraçado como, todo santo dia, os pequenos Reis Magos, São José e Anjinho aparecem deitadinhos, como que dormitando!

Devo confessar que sempre achei chato e irritantemente vazio reduzir o Natal a Papai Noel, mesmo para as crianças, especialmente em razão de seus derivados consumistas de "ofertas de presentes" - ainda que não se queira expressar (ou não se tenha) uma fé cristã, as festas de fim de ano são bem mais ricas em filosofias de solidariedade e confraternização, além, é claro, da ideia de fechamento de ciclo para a renovação de esperança no início de outro ainda melhor... E nada mais rico do que ensinar toda esta vivificação das boas festas para uma criança de 3 anos e meio! Ainda mais quando a SuperFilha morre de medo do "Bom Velhinho" (a ponto de pedir para ser retirado um mero enfeite de madeira da árvore de Natal na forma de Papai Noel - Tira, Papai, tira!)! Por isso, sempre achei melhor reacender uma volta às velhas tradições - e o presépio é, sem sombra de dúvidas, uma das mais lúdicas e melhores formas de incutir os principais significados desta bela época do ano...

Tanto é assim que este foi o momento mais compartilhado pela minha garotinha no último domingo (e se estende até hoje, com o mexer dos "bonequinhos" dia após dia...). E, ainda que superficialmente, aproveita-se o interesse para ensinar sobre os significados do Natal e seus personagens mais ricos, com destaque para a vinda do Menino Jesus - que, naquele momento, era somente um bebezinho (Dos mais bonitinhos/ Gugu-Dadá/ Que gosta de carinho...) numa humilde manjedoura - Olha, Filha: o Papai do Céu enviou Seu Filho Jesus para nascer entre os pobres e nos ensinar muitas coisas... Ele nasceu num cocho, num tabuleiro onde se põem comida para os animais, de uma gruta cheia deles (por isso, estão aqui um camelinho, com as orelhinhas quebradas por você tempos atrás, um burrinho e uma ovelhinha), porque não tinham mais hospedagem para São José e Santa Maria... E esses são os Reis Magos, que teriam vindo de longe para louvar o Santo Nascimento e entregar presentes ao Menino-Deus...

Sim, com o tempo muitas outras histórias serão contadas, os conceitos natalinos poderão ser ampliados e muitas conversas poderão surgir a respeito de Fé, Religião, esperança... Questões como a normalmente tida como lendária história dos Reis Magos (chefes de outras nações a reverenciar o Salvador), da data escolhida como sendo a do nascimento (25 de dezembro: festas pagãs do passado) e da desnecessária obsessão por pureza da "perpétua virgindade" de Maria (a ignorar irmãos de Jesus e a continuidade natural da vida conjugal) poderão ser desmitificados (bem como desmistificados: santas ilusões da Igreja Católica!) como criações humanas posteriores. E belas figuras lendárias como o hoje temido Papai Noel poderão ser "salvas" da purgação comercial a que foram submetidos com o passar dos tempos.

O fato é que o final de mais um ano se aproxima (com um 2014 de lindos gêmeos prometendo bastante!), o Natal de pouco mais de dois mil anos de Cristianismo, com suas inevitáveis confraternizações, já está bem aí e as férias da minha pequena apenas acabaram de começar... Em resumo: somos meros aprendizes de um mundo cansado, mas que jamais perdemos a esperança de tempos melhores (e por isso temos filhos e os educamos) e ainda temos muito chão pela frente...

domingo, 10 de novembro de 2013

Crescendo...


"Tempo, tempo, tempo...", já diria a canção do atemporal Caetano Veloso - este, sim, tirando as bobagens sobre as biografias não autorizadas, sabe se reinventar dia após dia... Mas e quanto a nós, pobres mortais, que nos arrastamos na burocrática ida e vinda dos engarrafamentos rotineiros e das dores nas costas do dia-a-dia cansativo? Nós perdemos tanta coisa, sem chance de retorno... E digo isso com um olho esticado na minha filha linda, que cresce tão rapidamente que, às vezes, sinto que o tempo deu alguns pulos!

Até então, juro, eu não sentia isso. Tudo era muito momento a momento. Mesmo com essa roda viva em volta, ainda era possível acompanhar o passo a passo de cada mudança, de cada aprendizado, de cada palavra ou "passo de dança" novos... Agora, não: até o mês passado eu ensaiava fazer esta postagem de um jeito, mas, de lá pra cá, já se perderam tantas coisas lindinhas que só ela sabia fazer e, agora, já surgiram outras tantas... Acho que me perdi!

Quando vou "aprendendo" um passinho de dança (especialmente os do balé da escola e "aperfeiçoados" em casa, em frente ao espelho ou mesmo ao vidro da porta da sacada), ela já surge com outro. Quando vou pensando que a minha Filha é a "líder" do parquinho do condomínio, ela surge correndo atrás do coleguinha que acabou de conhecer e imitando tudo o que ele faz, repetindo até o que ela nem entendeu direito (Ela fala Inglês?)...

Tudo bem que algumas coisas meio que ainda se arrastam, mas só algumas "amarguinhas", como a questão da dependência que ainda existe em muitos aspectos (ela come e se veste só parcialmente sozinha, por exemplo)... Mas havia, até outro dia mesmo, tantas coisinhas geniais que ela fazia que eu queria deixar aqui o meu registro pra vocês, para o mundo, para ela quando crescer (daqui a alguns minutos... instantes...)... Mas, de repente, não há mais!

E, nessa correria em que eu acabei deixando de comemorar o aniversário de 3 anos deste querido bloguinho Diários do Papai, no último agosto, e sem esquecer que nem deu para falar do divertido fim de semana do dia 12 de outubro das crianças (especialmente sobre seus mimos musicais), aqui vão umas coisinhas sensacionais que ainda me param o tempo, nem que seja por meros alguns segundos, não só para me maravilhar como também para aprender como ela cria essas estruturas fantásticas - antes que eu perca o que estou pensando exatamente agora sobre as novidades desta SuperFilha:

Na Tampa, Tupa... - depois de muito tempo tomando seus sucos e "mingaus-sucos" (mistura "para acordar" e "para dormir" de Neston/farinha láctea + leite em pó e água) em copos com tampa de bico, mesmo depois de há muito ela tomar no copo normal (grande e rosa, com monstrinhos que brilham no escuro, do China in Box), ela passou a exigir, sempre rindo, "na tampa, tupa..." Significado aproximado: "sem a tampa"! 

Ei, tio!: seu bom humor de sempre beira a "ironia" com frases assim... Na última noite das férias de julho, enquanto brincava num pula-pula, um desconhecido garotinho que então a acompanhava na farra sempre se dirigia a mim (do lado de fora da rede de proteção, é claro) com um "Ei, tio..." Pronto, a molecagem nasceu pronta: na mesma hora, ela começou a arremedá-lo, chamando-me assim a todo instante, e, o que começou com uma imitação momentânea, já se incorporou às suas "provocações" nalgum momento de descontração!

Ei... Ela não quer fazer isso... (ou sua variação: Ei... Ela já quer aquilo...) - em nossa última viagem, depois de uma semana convivendo com os pais e a Vovó-Dinha juntos, fica fácil deduzir de onde ela tirou estas adoráveis tiradas ao se referir ao que ela própria deseja (ou não) ter ou fazer: ela ainda emula as frases da minha mãe de meses atrás ao tratar dela mesma! Curiosidade: até recentemente, ela ainda encabeçava as frases, logo após um "Ei", com o meu nome ou o da Mamãe, tal como sua avó falava, mesmo sabendo da "proibição" de tratar seus pais assim (É Papai e Mamãe)!

Qui well... ou Sicober - significados: ainda desconhecidos (seriam misturas de palavras/frases novas das aulinhas de Inglês ou de Português mesmo?)... Mas ela adoravelmente constrói frases (!), normalmente interrogativas, com essas "expressões": O Papai qui well?...  A Mamãe sicouber?... 

Ela é uma amigoneném... Como? Amigona? Neném? De quem você está falando? Assim ficávamos em casa matutando sobre a razão de ser daquela expressão tão repetida por um bom tempo... Até descobrir uma passagem de um episódio da ótima série Sid, O Cientista, DVD que ela repetiu muito por um bom tempo, onde, logo após "entrevista" com uma amiguinha, o Sid assim lhe responde: Obrigado, você é uma amigona, May... Depois ficamos sabendo o significado de várias frases similares após descobri-las em algum vídeo de sua coleção!

Machucou o joelhinho, Papai... Dá beijinho! - a Mamãe e eu levamos um bom tempo e preocupação para descobrir que não se tratava de nenhum problema na sua patela ou mesmo algum ferimento oculto no joelho que alguma professora desatenta houvesse se esquecido de informar: tratava-se somente de uma pequena "manha" que ela trazia à baila geralmente quando queria mudar o foco de alguma conversa...

SuperFilha... Rapper?! - ela cruza os braços no melhor estilo 'rapper' e dá umas sacudidas muito engraçadinhas, com um adorável sorrisinho maroto no rosto... O curioso é que ninguém curte 'rap' em casa e ela não possui nenhuma referência próxima! Seria uma imitação de um dos seus personagens favoritos, o Pocoyo? Ou uma referência a uma antiga brincadeira dela, que gostava de imitar a sua priminha de 6 meses na hora do chorinho acalentado? Só o tempo pra dizer...

E assim são tantas coisas adoráveis: até outro dia ela vibrava com a canção "Chacoalhar" do programa "Wigle e Aprenda", da Disney (ainda bem que tenho vídeo gravado no celular para rever sempre) e, hoje, tiraram os Wiggles da televisão, Papai... Semanas atrás ainda ela dançava a "Dança do Gatinho" atrás do Luke, por causa de um episódio da Dora, A Aventureira; dias atrás ela repetia, da forma mais fofa, a "Dança da Borboleta", da Equipe UmiZoomi; e, agora, são passos da dança ensaiada para o final do ano na escola...

Voltando àquela bela canção do Mestre Caê, num determinado verso é dito de forma magistral: "És um senhor tão bonito/Quanto a cara do meu filho"... E assim as "caras" do tempo se mostram: por meio de doces filigranas que vão moldando o nosso arredor em torno deles, marcando especialmente nossos filhos e, mais ainda, nossas mentes, na mais pura consagração deste ser mágico que não para nunca - e que, a cada instante, vai trocando as mais bonitas peles de nossos meninos que não param de crescer (ou de reaparecer)...

terça-feira, 29 de outubro de 2013

A Grande Arca do Menino Vinícius



Não sei se por distração ou se por acerto, devido ao tempo corrido não permitir mais antigos costumes divertidos, como ver um bom filme ou ouvir uma boa música (jogar uma canção no aparelho de som e fazer mil coisas paralelas não conta), acabei por deixar ao conhecimento da SuperFilha apenas as canções ditas "infantis", produzidas especialmente para as crianças. Assim, nada da boa influência de Beethoven ou Mozart, Gerswhin ou Billie Holliday, Caetano Veloso ou Pixinguinha dos meus discos favoritos: isso fica para “mais tarde”: agora, em casa ou no carro, dominam os Patatis Patatás, as Palavras Cantadas, as Galinhas Pintadinhas, os Cocoricós...

Mas nada entrou na vida dela por acaso: acho que já deu pra perceber que, se não sou do tipo intervencionista, também passo longe do "deixar o filho solto"! Logo, cada coisa hoje curtida pela pequena foi vista ou ouvida antes pelo Papai aqui e devidamente aprovada: sempre prezei por qualidade e acredito que nem tudo com cara de "infantil" deve, realmente, ser consumido por crianças – vide os antigos fenômenos Xuxa (que quis se redimir com sua linha "para baixinhos", mas era tarde: outra galinha dominaria o mercado...) e Molecada, que não me deixam mentir, com suas tortas infantilidades...

Nem tudo, porém, é mero modismo de ocasião: fuçando bastante na internet e nas lojas de departamentos (o setor de livros/CDs/DVDs ainda é o meu favorito), acabei por descobrir, e passar a comprar para a Filha, DVDs com clássicos infantis de outrora. E se eu ainda não a introduzi no mundo dos antigos Disquinhos, com aquelas historinhas maravilhosas que tanto marcaram minha infância (falta de costume dela de ouvir historinhas sem o acompanhamento visual), ao menos ela já considera o velho Toquinho como "um dos seus", graças a trabalhos como o adorável Mundo da Criança, onde lindos desenhos animados são "narrados" por pérolas como Aquarela, A Casa, O Pato e O Caderno, e como o relançamento de A Casa de Brinquedo, especial global da década de 80 com grandes canções como Bicicleta, O Robô, O Avião, O Trem (e sua favorita Super-Heróis), agora com desenhinhos tosquinhos e "desanimados" a servir de “imagem narrativa” para a garotada – e que minha menininha tanto adora (e, o que é melhor: não causa enjoos na Mamãe, especialmente nesta fase gravídica, onde qualquer sonzinho afetado dos atuais desenhos e joguinhos já a deixa cansada)!

E apesar de o Mestre Vinícius de Moraes, cujo centenário de nascimento se comemora neste mês de outubro, figurar como parceiro em várias dessas composições, a Filha não menciona seu nome: curiosamente, resta estampado nas capas citadas somente o Toquinho, único conhecido atualmente da pequenina... Mas isso vem mudando desde que a Tia Ligiota deu de presente à minha garotinha, por ocasião do seu aniversário de 3 aninhos, o disco A Arca de Noé vol. 2, com clássicos como O Peru, O Leão, A Cachorrinha – que, se ela ainda não associa diretamente ao "Poeta e Diplomata", ao menos já tem ciência da existência da obra infantil mais diretamente relacionada ao grande Poetinha!

Inconteste que Toquinho seja um grande músico, tendo contribuído sobremaneira no trabalho A Arca de Noé – especialmente no volume 2, onde o Mestre já se encontrava debilitado e à beira da morte, em 1980 –, com seus arranjos sobre os poemas já existentes de Vinícius (que normalmente os escrevia “de farra" para seus filhos, quando pequenos: um superpai à sua maneira). Mas é também inegável que muito do que aprendeu na sua grande carreira se deva ao talento inigualável de Vinícius, que, com sua vasta experiência como poeta e compositor nos mais diferentes gêneros (Bossa Nova, Samba, Valsa), injetou um gás inacreditável na parceria com aquele jovem instrumentista a gerar uma maravilhosamente vasta obra, sendo igualmente memoráveis seus trabalhos voltados para os pequenos, com seus poemas infantis inesquecíveis (O Vento, O Relógio, Valsa para Uma Menininha)...

E como uma obra-prima não tem prazo de validade, servindo, da mesma forma, a inúmeras gerações e encantando até hoje as crianças – e, o que é melhor, sem chatear os adultos em volta – simplesmente por serem excelentes, assim se deu com A Casa de Brinquedo (Toquinho/Mutinho), Os Saltimbancos (Chico Buarque) e, especialmente, com A Arca de Noé (Vinícius/Toquinho/Paulo Soledade), mesmo com uma ou outra expressão mais "ultrapassada" que mereça explicação para a meninada de hoje (como no caso de "amigo urso", de O Ursinho, coisa bem antiga que significa gente falsa ou traiçoeira). Não por acaso, minha garotinha adora todos esses!

Por isso é que, mesmo comemorando o recente relançamento da obra infantil de Vinícius de Moraes, coisa sempre louvável, uma vez que o Poetinha para sempre merece ser lembrado e celebrado, discordei totalmente da ideia de "atualização" do infantil daquele poeta, orquestrada pelo produtor do novo disco, Dé Palmeira (ao lado de Adriana Calcanhoto – a tal da "Adriana Patimpim", sua "personagem para crianças"): "A Suzana de Moraes [filha do compositor] achava que as crianças de hoje não se identificavam com a versão antiga e queria dar nova roupagem para as músicas”...

Fica a dúvida: por que mexer no que já é perfeito?! Novos arranjos, novos ritmos, novos "jeitos de cantar" para os "pobrezinhos" de hoje, que não vão gostar do "antigo" ou mesmo “se adaptar”? Pois a SuperFilha adora do jeito que está e canta bem todas as canções destes grandes mestres de outrora! Logo, por que chamar Seu Jorge, Péricles, Zeca Pagodinho, Mart’nália, Chitãozinho & Xororó e Ivete Sangalo, dentre outros que jamais tiveram maior proximidade com a gurizada, se já tínhamos interpretações magistrais de Elba Ramalho, As Frenéticas, Fagner e o próprio Toquinho, só para citar alguns exemplos, que, mesmo sem maiores apelos infantis em suas obras até aquela época, entregaram interpretações definitivas que fazem parte do imaginário de gerações inteiras que cresceram com aquelas versões? Isto, pra mim, é um mistério...
 
“Num mundo tão careta, mesquinho e chato como o que estamos vivendo, precisamos da loucura, da maluquice e do jeito caótico de Vinicius para equilibrar a nossa existência” e “a arca de Noé mostra o quanto a vida pode ser mais divertida”, afirmou recentemente o produtor da nova empreitada. Nisso eu concordo plenamente: Vinícius de Moraes é daqueles raros artistas geniais que sempre se reinventavam (coisa bastante em falta nestes tempos de mesmices e modismos culturais) – e assim, foi de poeta existencialista a compositor popular; de um dos pais da Bossa Nova a pai dos afro-sambas; de jornalista e dramaturgo a autor infantil, sendo daqueles que se aventuraram tão intensamente na vida que acabou servindo de exemplo para além das suas obras. Obra esta que se completa com um lado divertidamente infantil, sem as cansativas afetações de muita coisa feita para as crianças de hoje em dia... Uma obra atemporal, imperdível para qualquer garotinho ainda hoje aprendendo a gostar de boa Música: sem dúvida, uma excelente forma de começar neste terreno! Mas, por favor: nos discos originais, que não há necessidade de se refazer algo perfeito? Afinal, o menino Vinícius não envelhece jamais...

segunda-feira, 28 de outubro de 2013


quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Dora e Seus Irmãos: Os SuperBebês!


Quarta-feira, 09 de outubro de 2013.

Noutro dia eu comentei, brincando com a Mamãe, que não havia a mínima concorrência para a Super-Filha em termos de beleza e graça, não encontrando ninguém que pudesse com ela competir na família, no colégio ou mesmo no condomínio - coisa de pai babão! Mas o engraçado mesmo foi ela ter-me confirmado que algumas senhoras do condomínio já lhe disseram o mesmo sobre minha pequenina imbatível: Só entre nós, mas a tua menina, mesmo com o monte de crianças que já surgiu por aqui, ainda é a mais linda mesmo, atestou uma igualmente cheia mãe sorridente... Logicamente que em momentos como esse o orgulho e a alegria em ter uma menina tão encantadora sobem à estratosfera - ainda mais em lembrar que alguma coisa minha ainda agrada, uma vez que minha filha é a minha cara melhorada em forma feminina...

Mas o que agora mais me vem à cabeça ultimamente é como este adorável rostinho lindo desta meiga menininha sorridente e cheia de vida há quase exatos 4 anos não passava de um "grãozinho de arroz" com um coração batendo e retumbando lágrimas em mim e na minha esposa na primeira ultrassonografia... E o que dizer de antes disso? Ela nem sequer existia, não passando de um sonho de desejo para "quando as coisas se ajeitassem mais"... E naquela época havia mesmo muita coisa pra arrumar (hoje ainda tem: e como)! E como vivíamos antes sem ela? Agora ela está aí, crescendo e encantando, inventando, dançando... Tudo como se o mundo fosse dela desde sempre!

E minha filha surge, do nada, há poucas semanas, a me fazer a seguinte pergunta durante o seu almoço: Pai, e cadê a minha irmãzinha...? Lógico que fiquei sem ação, de colherzinha na mão cheia de brócolis, carninha, arroz, purê de jerimum e batata (Não qué batata!) - de onde esse menina tirou isso, assim? Bom, o meu sonho sempre foi ter três filhos, mas em casa sempre pensamos em ter somente dois, um casalzinho; até fizemos planos, mas abandonamos por um tempo... E agora essa pontual inquisição, o que dizer? Não sei, Filha: depois você pergunta para a Mamãe... saí-me triunfante, postergando a batata quente infantil para a outra jogadora do time! Mas, pensando bem... Preta, meu bem: qual é mesmo a data do teu período, hein? "Não, que é isso", "ainda está no prazo", "pode atrasar", várias foram as explicações... Mas nunca atrasara antes! Por fim, testezinho da farmácia à mão, não restava mais dúvida: tínhamos um oráculo-mirim dentro de casa!

E então minha mulher me aparece com um barrigão maior do que antes, cansaços e enjoos logo de cara... Mas não foi assim antes! Então é menino... logo vaticinaram as amigas e cunhadas cheias de expectativa, enquanto a Mamãe acreditava ser por causa da facilidade do corpo numa segunda gravidez. Enquanto ainda não tínhamos uma resposta precisa para o que acontecia, minha mãe, curiosa como boa sogra, perguntou-lhe:

- Na tua família não tem nenhum caso de gêmeos, minha filha?

Sim, tínhamos um segundo oráculo na família, só que na outra extremidade etária (não posso nem brincar que seria um caso de "oráculo da terceira idade", senão a Vovó-Dinha me mata!) - e, curiosidades totalmente descartadas à parte (Nossa, claro que não: meu Deus... Que eu me lembre, primo da minha mãe, distante... Não tem como... Isso é mais pra quem faz tratamento de fertilização), chegamos a esta última segunda-feira, na hora da primeira ultrassonografia pela segunda vez, ocasião em que a médica nos deu a notícia do ano:

- São gêmeos, parabéns! Suspeitei na hora, pelo tamanho da barriga, quando você entrou no consultório... E olha, eles estão confortáveis, cada um na sua placenta: pode ser um menino e uma menina, porque não serão idênticos, univitelinos...

Coração disparado, lágrimas aos borbotões, perguntas intermináveis para a médica (Calma, eu vou falando aos poucos... A ansiedade passa para os outros, sabe, e eu preciso me concentrar aqui...) e acompanhamento de todo o resto do exame em pé aos pulinhos e em desconjuntados e impacientes passos pra lá e pra cá poderiam descrever um pouquinho do que eu senti e vivi naquele momento, enquanto a Mamãe se contorcia na cama para o melhor "ângulo", coitadinha. Mas ali estavam eles, os dois, bem visíveis nas imagens primitivas e em preto e branco, com seus corações coloridos e pulsantes, agora maiorezinhos do que da primeira vez, já com dois centímetros... Meu coração pulsando junto, eu simplesmente não conseguindo acreditar ser merecedor de que Deus poderia realizar um sonho meu já quase esquecido...

Assim que soube, a Filha não ligou muito para o endosso de que, sim, havia mesmo uma irmãzinha (ou um irmãozinho...) na barriga da sua mãe, mas que agora, na verdade, eram dois - não ligou ou "fingiu" não ligar, ela que tem andado meio carente e ciumenta a mais do que de costume, como que sentindo tudo cedo demais... Mas aqui e acolá ela ainda pergunta da irmãzinha! Sem dúvida, ela sabe bem mais do que todos nós, porque eu creio mesmo que Deus sopra nos ouvidinhos dessas angelicais criaturinhas, sempre a nos ensinar! E eu, humildemente, só tenho a agradecer e aprender... E aguardar, pelo menos, uma menina!

Eu sei, eu sei, queridas Tia Wandeca e Tia Ligiota, o quão ansiosas vocês, fieis leitoras deste espaço, estavam por esta postagem antes, porém só agora eu pude erguer os pensamentos novamente, tão misturados numa felicidade orbital sem limites em que ainda me encontro imerso! Sim, eu, enfim, pensei na realidade do tanto que eu terei que fazer ainda para recebê-los - Vai ter que trabalhar em dobro, Papai..., brincava, ao final, a médica ansiosinha -, no dobro que a minha vida, bem como a da Mamãe (e também da Super-Filha), terá que pular até esses menininhos estarem por aqui a chorar junto a mim... Mas, vejam, eu, como bom viajante dos Quadrinhos e das Estrelas, e sabendo que a minha garotinha já me herdou com tantos superpoderes inimagináveis e, de quebra, em muito se parece com a Dora dos desenhos infantis, estou certo de que vêm por aí os Super-Bebês! E, de preferência, um casalzinho, tal como os irmãozinhos da personagem na animação!

E, sendo assim, agora é preparar tudo o que sequer se previa para o futuro bem próximo: saúde, dinheiro, fraldas, tempo, disposição, casa nova (Quartos novos, hein? Nada de "adaptar" meu pobre escritorinho neste apartamento apertado!), carro novo, móveis novos com tudo em dobro? Meus vindouros filhos, já cheios da minha felicidade em viver para tê-los e ser de vocês o seu melhor amigo (junto à Super-Filha e à Mamãe), sejam bons super-heroizinhos e me ajudem, por favor: Super-Gêmeos, ativar!

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Minha Super-Heroína...


A Super-Filha num momento "vira-casaca", em que preferiu a máscara do rival Capitão  das Américas gringas (segue mantendo sua identidade secreta preservada, revelando apenas o inconfundível sorrisinho mais lindo do mundo)...

Há exatamente uma semana, quando eu te trazia da escola para casa, como sempre faço todo santo dia - e te dou o banhinho sempre protestado, seguido do almoço de pratinho bem feito e das tuas sobremesas favoritas (geleia de mocotó, Danoninho, cubinhos de melancia...), eu te notei quentinha e um pouco amolecida, o que nunca foi comum, dada a tua normal alegria dançante em frente a programinhas queridos como Yo Gabba Gabba e Wiggle e Aprenda (ambos do Disney Júnior) - mesmo cansadinha por teres acordado cedo, pela viagem pra casa e pela iminente ida para o cochilinho da tarde, tu nunca arrefeces... Por isso, logo vi que algo estava errado: e o que começou como uma febrinha sem importância - Cansaço normal... Um resfriadinho, logo passa... Só aguardar 48 horas, que pode sumir tal como surgiu... (era o que a Mamãe e a Vovó-Dinha se apressavam em confortar) foicrescendo mais rapidamente do que se esperava! E quando vi o termômetro madrigal se negando a abaixar de 38º, mesmo com combinado de antitérmicos (normalmente, tuas febres se seguram no período comum de 5 a 6 horas, com apenas uma dose de Dalcy por vez), eu corri contigo para a emergência do hospital, onde descobri que meus poderes sensitivos em relação a ti continuam bem apurados: Pus na garganta?! Mas ela nunca teve problema de garganta... Só nessa olhadinha rápida deu para a médica ver isso?, perguntava-se uma ainda incrédula Mamãe - ansiedade mais do que justa, poxa, afinal de contas demos antibiótico pra ti há apenas umas duas semanas, depois de uma crise horrível de tosse (que te fazia vomitar) seguida de um final de semana de febre (controlada, pelo menos),e agora já tens que encarar uma melequenta e fedorenta CefalexinaMas isso é muito normal nessa idade: surgirem essas"novidades"..., eu já me contentava com a lembrança das precisas palavras da atenciosa médica! Até outro dia, demonstravas o melhor da genética kryptoniana exposta ao sol amarelo oriundo do teu Papai; neste ano, entretanto, depois de aberta a caixa de Pandora do primeiro ano de escola, tu já mostraste tantas "novidades" ruinzinhas na área da saúde... Mas eu te digo uma coisa, com convicção: confesso que eu já estava morto de cansado ao cabo de quatro madrugadas acordado, a velar teu soninho prejudicado pelas altas temperaturas e no afã de controlar os riscos maiores com paninhos molhados com água fria, mas eu passaria mais uma semana, duas, três, sem pestanejar, a te acalmar nas consequentes noites que te faziam chorar sem conseguir dormir em razão de as tuas vias aéreas estarem completamente congestionadas, num ronco doído de se ouvir... Porque nessas horas, minha doce menininha, a gente queria ter o superpoder de evitar essas dores em quem a gente mais ama e que ainda é tão inocente no alto dos seus 3 aninhos (e quatro meses, completados hoje!)...

Mas hoje, exatamente uma semana depois, voltaste para o colégio - e, mal acordaste, já foste perguntando das meias do tão estimado balé... Hoje foi lindamente diferente e pude ver de novo teu sorriso e tua alegria dançante em frente à TV (apesar de o pratinho de comida ter sido bem mais modesto, nesta gradativa recuperação do apetite), minha linda Pocoyinha (é, filha: tua mãe não aguenta mais repetires o DVD do Pocoyo, embora achemos o personagem o máximo), e pude ouvir tua respiração limpa no pouco do cochilinho que acompanhei antes de sair de novo à tarde... Mas como saí feliz - mais ainda quando, agradecendo a Deus por tua recuperação, eu ficava me lembrando o quão "resignadinha" encaraste as febres altas, os incômodos paninhos gelados e os remédios ruins por todos esses dias (especialmente as "inéditas" ampolas invasivas de nariz)... Por isso que digo que és, sem dúvida, a minha super-heroína: bem-vinda! Eu te amo mais que tudo! E como é bom te ver de volta à ação!

domingo, 22 de setembro de 2013

Meninas Malvadas...


A Super-Filha é uma doce e adorável pessoa. E não é por ser minha filha, não: normalmente ela conquista de cara (carinha linda!), sem esforço algum, seja com seu magnetismo natural, sem mesmo precisar falar com o interlocutor (amigo ou familiar dos pais), seja quando ela se põe a "exibir" suas graças encantadoras. E assim, para além da sua beleza morena, sua simpatia cativa a todos em volta: dos amiguinhos do condomínio (juntamente às suas mães) aos coleguinhas do colégio (juntamente às professoras, coordenadoras, auxiliares...) - que lhe gritam um caloroso "bom dia" nem bem ela adentra a sala de aula, ainda que às vezes dominada pelo pouco humor do início do dia...

Mas e quanto àqueles que não a conhecem? Normalmente, o charme peculiar domina da mesma forma e, rapidamente, ela faz novos amiguinhos no 'playground' da pizzaria e arranca sorrisos de cumplicidade dos pais ainda desconhecidos ao redor. Infelizmente, a vida muitas vezes expõe sua face mais feia e até mesmo a mais amada das criaturas pode sofrer o amargo gosto da rejeição... Certo, eu aceito que tal tipo de lição faça parte da vida, mas... Precisava ser tão cedo com a minha filhinha? Ela chorou duas vezes, numa única noite...

Na última sexta, arriscando uma ida a um restaurante após meses sem um bom programa de fim de semana, tudo parecia bem escolhido: ali serviam um bom peixe (embora bem caro), o aconchegante local não estava cheio e as crianças presentes corriam num pequeno 'playground' dentro do próprio salão das mesas - ou seja, dos nossos lugares poderíamos acompanhar os pequerruchos sem maiores esforços! Tudo ótimo, ela imediatamente passou a correr e brincar com as crianças presentes, repetindo tudo o que algumas garotinhas mais velhas faziam (está nessa fase agora), que com ela rapidamente mostraram afinidade, até que... Chegaram as "princesinhas"...

Duas menininhas com carinhas enjoadas, arrumadinhas de princesas e que já pareciam ser conhecidas das presentes (os pais se juntaram a outros numa mesa) adentraram o recinto e "tocaram o terror", ao começarem a fazer algo deplorável: não só passaram a liderar o grupinho anterior a sair de perto quando minha garotinha se aproximava - primeiro choro sentido do meu amorzinho... - como também passaram a barrar a passagem da Super-Filha por um dos brinquedos! Com esta gota d'água, a Mamãe, que até então só consolava nossa filha - Não chora, meu amor, elas não são suas amigas... -, resolveu intervir:

- Ei, vocês não podem fazer isso!
- É que aqui é o nosso clubinho... - retrucou uma das abusadinhas, no meio do "castelinho" de plástico amarelo, que dava acesso ao escorregador.
- Não, não é: aqui é parte do brinquedo, que é pra todas as crianças do restaurante! E podem fazer o clubinho isolado de vocês em outro lugar, para que qualquer criança possa passar por aqui e escorregar!

O discurso da minha esposa fez efeito: os projetos de arrogância mirim foram saindo aos poucos do meio do seu castelo de princesas do mal e procuraram outro canto menos concorrido. Mas isso não impediu que a minha pobre garotinha caísse no choro pela segunda vez... Aquilo me doeu tão fundo, da mesma forma que à Mamãe: nossa filha chorava pela dor de sentir-se rejeitada! E por quem? Por meninas quase da sua mesma faixa etária, mas que já traziam consigo ranços de uma criação arrogante, mimada e segregacionista... Culpa de quem? Não sei ao certo, mas posso dizer que não vi nenhum dos "pais" do lado de lá vindo amenizar os excessos das suas crias ou mesmo dar uma força, na tradicional política de boa vizinhança "deixem a garotinha brincar com vocês"... Nada: em seu universo fechado de sua longa mesa farta de individualismos, não vi nenhum falar algo para seus monstrinhos nem mesmo quando estes se arriscavam com proezas mais audaciosas, como subir pelo telhado de uma casinha e avançar por sobre as escadas do recinto - até avisei, nesta hora, dos riscos que as meninas corriam para o garçom, mas este logo deu de ombros e seguiu com seu trabalho humilde, como que a pensar: Eu que vou falar alguma coisa para esses riquinhos?

Logo pude perceber um universo triste em meu redor: além da escancarada mágoa pelas lágrimas da filha, incomodei-me bastante com as pobres moças negras que pajeavam (algumas vezes maltratadas pelas próprias crianças que cuidavam) aquelas garotinhas de comportamento detestável: sim, em pleno século XXI ainda há as "mucamas" que aguentam os desmandos das meninas brancas (como estamos no Brasil, nem tão brancas assim, mas "bem-nascidas") enquanto as poderosas "sinhás" sentam-se confortavelmente em suas conversas ruidosas de luxos e vaidades "diferenciados"... Pais participando de um incidente no parquinho?! Microcósmico demais! O barato era mostrar as lindas fotos da última viagem pelo luxuoso 'tablet' recém-adquirido nos EUA! Enquanto isso, as "negrinhas" nada faziam e nada falavam, porque sem poder algum, e seguiam a acompanhar suas "patroinhas" no que estas exigissem...

Exagero a mais ou a menos na minha narração de Papai extremamente afetado com a pequena dor da Filha, o certo é que só se pode lamentar um evento como este recortado do cotidiano: estão sendo (mal)criadas hoje crianças que se tornarão os adolescentes e adultos segregacionistas dos clubinhos isolados e preconceituosos de amanhã, a vociferar 'bullyings' contra outros que, por qualquer razão, não lhe forem considerados "iguais" ou "dignos" de entrarem em seu grupinho... E o choro sentido da minha garotinha em meus braços - que só se acalmou quando outra menininha chegou ao 'play' do restaurante e que, pelo visto, sofreria igual isolacionismo - me lembrava o quanto a humanidade ainda é estúpida, e o quanto minha garotinha, de coração puro e de sorrisinho simpático para com todos, ainda iria chorar...

 
Imagem promocional do filme Meninas Malvadas, que tão bem aborda este tema no universo adolescente das escolas norte-americanas.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Último Domingo de Agosto


Na semana passada, ao chegar ao colégio da Super-Filha para buscá-la, deparei-me com uma surpresa: duas lindas pinturas plastificadas, com várias cores sobrepostas, dentro de um grande envelope onde constava um grande selo que, por sua vez, parecia ser uma homenagem da escola aos pais dos mini-alunos:

- Era esta a lembrança para o Dia dos Pais, Professora?
- Sim, demorou porque a gráfica atrasou os pedidos: dois jogos americanos pintados pelos alunos, numa técnica de pintura com gelo...

Como é bom ser pai para amar... Afinal, maravilhado e quase às lágrimas com a beleza plástica da combinação de cores que a minha menininha havia feito, inicialmente nem reparei no "malfeito" do colégio: não só aquela simplória e grosseira plastificação em nada se parecia com um jogo americano, como também a tal "lembrança do Dia dos Pais" era entregue com uma semana de atraso! E pior: havia no envelope a citação a uma dessas duplas de "sertanejo-pop-universitário" (música brega com levada moderninha) como "homenagem" aos sofridos papais daquela escola...

Pra falar de amor de verdade
Vou começar pela melhor metade
Te mostrar tudo de bom que tenho
E se for preciso eu desenho
Que eu amo você 

Certo, eu adoro almoçar e jantar sobre aquela gravura lindamente feita por ela, mas... O que custava terem entregue a referida lembrancinha por uma data tão especial ANTES da data especial? O que custava terem caprichado mais no acabamento do tal "jogo americano" (especialmente quando eu PAGUEI por ele, ainda em junho, mesmo entregando uma quilométrica lista de material escolar no início do ano)? E, por fim, o que custava citarem algo melhor na homenagem aos pais (tudo bem, eu entendi a alusão ao lúdico com a referência a "desenho", mas... "Jorge e Mateus"?! Pelamordideus)...?

Sem falar na "celebração" que a direção "organizou"... Tal como se deu com o Dia das Mães, quando tentaram levar os pequerruchos e suas progenitoras (tudo devidamente pago à parte pelos pobres pais, claro) ao cinema, mas que, devido a um atraso na inauguração de um novo 'shopping' na cidade (porque tinha que ser AQUELE cinema e NAQUELE 'shopping'?! Hum...), acabaram entregando uma desorganizada e ligeira "apresentação coletiva", no ginásio escolar, somente uma semana depois, eis que a "festa dos pais" seria no mesmo cinema (enfim inaugurado!), para ver uma dessas animações em 3D... Como é?! Eu, que sonho com a primeira ida da minha garotinha ao cinema (qual será o filme? Qual sua reação? Com quantos anos? Será marcante para ela?), vou levá-la em seus tenros 3 anos para sentir-se perdida num longa de mais de uma hora e meia - e com incômodos óculos especiais para toda a projeção?! Claro que não! É homenagem aos pais ou ao tal cinema inaugurado?! Se não fosse a bela festinha de São João, realizada em junho, eu já estaria traumatizado...

Não entendo o que desejam ensinar aos nosso filhos... Calma, não tenho maiores queixas contra a escola: minha garotinha já sabe falar bem (e cantar e botar no contexto) Inglês, aprendeu muitas coisas de Balé, venceu a timidez e já adquiriu inúmeras noções de Informática, Música, Artes... Mas é no quesito "organização" que ando um tanto quanto cabreiro: e o valorizar os pais em seus dias especiais? Não seria um bom aprendizado a escola preparar, desde cedo, os super-garotinhos a homenagear seus pais pelo amor compartilhado, na época certa? E como é que se faz isso com um atraso tão grande? Sim, porque o mesmo aconteceu com a Mamãe, que recebeu sua camiseta estampada por uma outra pintura da Filha tempos depois do seu dia, em maio...

Sinal dos tempos... Graças a Deus que o meu Dia dos Pais deste ano ficou marcado mesmo pela primeira vez em que ouvi "eu te amo" da filhona (e ouço até hoje, acompanhado de "Feliz Dia dos Pais, Papai", sempre que ela encontra a caixa vazia da camiseta ainda guardada!)! Saudades dos meus tempos de menino, quando decorávamos trechos de clássicos da Poesia e recitávamos para as mães com rosas em punho na sexta antes do dia das mães ou quando, do nosso jeito, fazíamos, com nossas próprias mãozinhas, cabides e porta-chaves para os nossos pais e lhes entregávamos no domingo especial, ainda pela manhã... E as crianças de hoje, entrando tão mais cedo na escola, são tratados sem o devido cuidado e sendo jogados em exibições caça-níqueis sem nenhum apelo emocional para nós, pobres superpais... Agora as homenagens ficaram caras - e, pior: em 3D!


Bastava algo assim, na época certa: adequação à idade e resultado simples e eficaz!

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Um Dia Após O Dia dos Pais...


Dia dos pais, do advogado e do estudante... E eu sigo tentando ser tudo isso e um pouco de cada...

Segunda-feira, 12 de agosto de 2013

O dia começou com aquela bateria de coisas para serem feitas, mas que, no fundo, eram-me devidamente sabidas como impossíveis de serem sanadas num só dia: infelizmente, em certos momentos, "passos de bebê" cansam antes mesmo de ser dados, e aquela máxima de que "após o primeiro passo, você não está mais no mesmo lugar" não serviria hoje para mim... Tinha que haver mais "ação" da minha parte! Entretanto, no meio daquela agonia, eu ainda tinha "aquele domingo" na memória...

Não, não falo de ontem, do Dia dos Pais deste ano, um belo domingo, sem dúvida, onde tudo correu bem, graças a Deus, tendo eu ganhado um cartãozinho da minha doce filha (Olha o cartão que você escreveu junto com a mamãe...) e uma bela camisa azul, acrescido de um agradável domingo em família, ao lado da Filha, na casa do meu pai - que, apesar de esmorecido por não poder andar direito devido ao problema com o joelho (O Vovô Calito tá dodói: es-cor-re-gô e caiu!), parece que se animou um pouquinho com a presença das netas e dos filhos em casa... Falo mesmo daquele primeiro "Domingo Especial", meu primeiro dia dos pais, aquele em que minha linda garotinha de hoje era só um bebê de poucos meses de vida, mas que já iluminava a casa inteira com seu brilho de princesa: ao vê-la agora, no auge dos seus 3 anos, isto não só me traz uma alegria inconteste, para acima dos dias nublados, como também, de vez em quando, vêm-me à mente esses nossos "primeiros momentos" juntos e isso já me traz saudade daquelas gordas dobrinhas...

Quero ter um outro filho, penso alto, de vez em quando... Mas as contas se acumulando e muita coisa minha por ajeitar e melhorar acaba por emperrar qualquer desejo de maior grandeza - Já pensou a despesa?! E o quarto do bebê: será o mesmo da minha garotinha já mocinha, neste apartamento pequeno em que você já usa o terceiro quarto como biblioteca para suas inúmeras coleções? Precisamos nos mudar para uma casa urgentemente... também são coisas que penso alto, de vez em quando...

E hoje, num momento um tanto quanto vacilante, típico daquelas modorrentas segundas-feiras apáticas (especialmente após uma noite mal-dormida com um acompanhamento sobre uma inesperada febrícula da Super-Filha), peguei-me, sem querer, a cantarolar baixinho uma cançãozinha antiga, que só os "fortes" se lembrarão: Era uma vez um pobre garoto Que queria aprender a voar Todos diziam que não dava E hoje ele é um piloto... Porque ele não desistiu, Ele não desistiu, Ele foi estudar e hoje conseguiu... Trata-se de uma canção gravada pelo palhaço Bozo, na década de 80, que, por sua vez, era uma versão de um antigo clássico norte-americano. Apesar da letra chinfrim, parece que me marcou ao ponto de lembrá-la agora, num momento tão "maduro" da vida... Mas por quê?

Acho que tudo se deu por causa da existência daqueles pontos inconscientes da nossa mente, que, ao primeiro sinal de um problema, oferecem uma sugestão... Neste caso, a de persistir até conseguir a concretização de certos sonhos, ainda que alguns caminhem lentamente, devendo mesmo chutar para escanteio o esmorecimento da rotina! O mais interessante é que tal "sugestão" se formou com uma aparência infantil, advinda de uma reminiscência da infância, o que atribuo ao grande convívio com o universo puro da minha garotinha, que, quanto mais eu vejo crescer, mais me mostra o quanto a felicidade está muito mais nesse microcosmo de aprendizado diário do que nas grandes conquistas ainda não alcançadas - eu preciso me mexer, produzir mais e arrumar tempo pra tudo, realmente me fortificar mais para ser eternamente o Super-Herói da minha filha, mas sempre tendo em mente que a fonte dos meus poderes vêm dela e do quanto ela me faz voltar no tempo para ser um eterno garoto apaixonado ao seu lado...

Quero ter outro filho, sigo pensando em voz alta... E, se vier uma outra menina, tanto melhor... Como é bom ser pai... E como é melhor ainda ser pai de uma menininha...

domingo, 4 de agosto de 2013

Minhas Férias...


Ainda me lembro do meu primeiro dia de aula como professor de Redação do segundo grau: visando perceber como andava o nível daquela longínqua turma de 1996, após as apresentações e conversas da praxe inicial, pedi a todos que aproveitassem a meia hora restante do horário para apresentarem-me uma redação com tema livre – Só não me venham com “Minhas Férias”, pelo amor de Deus... – acreditando que arrancaria gargalhadas com a piada pronta... O que eu não esperava é que não só recebi como retorno um silêncio espantado dos alunos, como houve muitos que passaram a rasgar a folha do caderno, já com o título “proibido” riscado na primeira linha, e até quem levantasse a mão direita e perguntasse por que não se poderia escrever sobre aquele assunto!

Por mais lugar-comum que possa parecer, falar sobre as férias parece ser uma necessidade do ser humano, tal como as satisfações das respostas de como foi o fim de semana no expediente da segunda-feira, algo que parece ultrapassar mesmo qualquer limite de idade... Assim, tenho certeza de que, caso a minha garotinha fosse um pouquinho maior ao invés de estar iniciando o segundo semestre letivo do Maternal II (na verdade, o segundo semestre letivo da sua vida inteira), o tema não só seria inevitável como também ela teria muita história para contar... Afinal, trata-se aqui de suas "primeiras férias"!

Depois de muitos tempos cansativos e conflituosos, uma trégua foi levantada e julho começou com uma viagem em família (a Vovó-Dinha foi junto) à vizinha Fortaleza: entretanto, apesar de apenas uma hora de avião nos separar do nosso destino, o primeiro voo da SuperFilha (enquanto ela não desenvolve seus superpoderes, é claro) incomodou um pouquinho seus ouvidinhos supersensíveis e a despertou do seu estimado cochilinho com choro irritado tanto na ida quanto na volta, próximo à aterrissagem – mas nada que comprometesse o universo de coisas dos novos ares que estavam por vir...

Confesso que longos passeios a pé (as inefáveis compras da Vovó-Dinha e da Mamãe...) não apetecem menininha alguma de 3 anos de idade: logo, não havia como não mimá-la com o aporte dos ombros do Papai em intermináveis “macaquinhos” e caminhadas nos braços do velho aqui, o que, por sua vez, inevitavelmente despertou infantis birrinhas e reinações em certos momentos de cansativas manhas – Ah, como esse Pai mima esta menina... Mas as inesquecivelmente agradáveis idas à Praia do Futuro (em dois tempos!), ao shopping Iguatemi (escondido em meio a obras gigantescas) e ao tão aguardado Beach Park trouxeram de volta o sorriso pleno da faceira miniviajante – apesar do terrorismo polido de longas horas perdidas com os vilões vendedores de time-share da hotelaria do parque aquático (com a promessa de almoços grátis num ambiente em que um suco de 300ml sai pela bagatela de 8 reais)... Valeu, ao menos, pelo brinde da toalha da foquinha! E a atração, para a pequena, continua sendo logo ali: Qué ir para oViche Parque”...?

E, de volta à Ilha após uma deliciosa semana de passeios, a agenda da SuperFilha continuaria rendendo excelentes parágrafos de diversões: reencontros com os primos vindos de Teresina levaram-na a incríveis brincadeiras na casa da vovó materna e a mil aventuras com peixinhos num afluente do Rio Una, no município de Morros (sem falar no adorado mimo dado pelo Titio-Dinho: um DVD portátil das Princesas, que bem preencheu os dias em casa com aconchegantes “sessões” de Casa de Brinquedos, Dora Bailarina e a “Redescoberta” da Galinha Pintadinha); shoppings e praia com a “plima Carol”; aniversário com a Tia Rô... Tantas peripécias que, com certeza, enriqueceriam qualquer redação escolar na volta ao "batente" neste 1º de agosto! Mas, infelizmente, a SuperFilha ainda não sabe escrever... Bom, mas para quem anda com a língua mais rápida que uma bala e a mente cheia de tão boas recordações, mesmo com tão pouca idade, já tem muita história pra contar (cheia de repetidas e nababescas “frases de efeito”, tudo no lindo jeitinho dela, é claro!)...

sexta-feira, 19 de julho de 2013

De volta... Às bonecas!


Pouco mais de um mês após o aniversário de 3 anos da pequena e ainda me valho de meus superpoderes de condicionamento de espaço para juntar inúmeras bonecas repetidas ou sem maiores atrativos para a SuperFilha em seu pequeno quarto... E olha que inúmeros outros tantos mimos repetidos ou sem graça para a garotinha eu consegui trocar nas respectivas lojas de brinquedos em que foram comprados (só numa delas, consegui reunir um bom valor com várias coisinhas e trouxe pra casa uma mesa da Galinha Pintadinha)! Resta a pergunta: o que está acontecendo com a criatividade dos convidados para as festas infantis?

Ainda me lembro de uma bonequinha horrorosa, que mais parecia um filhote de gorila em miniatura, que minha menininha ganhou na festinha de seu primeiro ano de vida. Na hora em que abrimos o "presente", vaticinei - Caramba: a pessoa que comprou esta coisa nem se deu ao trabalho de apor uma etiqueta com seu nome para que ninguém soubesse quem deu... Deve ter comprado contra a vontade a minutos antes da festa, só pra fazer o social! Qual não foi a minha surpresa quando, algumas semanas depois, minha mulher descobriu que havia sido uma colega de condomínio, mãe de uma das amiguinhas da minha filha, que dias depois veio ao seu encontro no 'play' e foi logo querendo saber novidades sobre o ofertado:

- Menina, depois que vi que, na pressa, nem coloquei a etiquetinha "De/Para"... Mas ela gostou do meu presente? Foi uma bonequinha gordinha linda, que, quando eu vi, pensei: 'É a cara dela: ela vai adorar!'" 

Ok, cada caso é um caso e, neste, queimei minha língua grande... Era uma mera questão de "gosto"! Mas é incrível como a grande maioria dos convivas de uma festinha de aniversário infantil ainda cai no lugar comum de certos presentes - bonecas, por exemplo: e tome boneconas gigantes de pano sem maiores graciosidades, outras médias cheias de tecnologia que fazem xixi, cocô, falam e outros "quetais" e, para não esquecer a musa de todas elas, a rainhazinha do consumismo 'fashion', a Barbie (só desta foram 4 recebidas, sendo dois pares de modelos iguais!)... O mais curioso é que a Filha não liga muito para bonecas, não sei ainda se por opção lúdica ou se porque a pouca idade ainda não se encaixou no formato de brincar com elas"... Daí, diante de tantas, umas são guardadas por carinho a algum amigo/ente querido ou expostas em prateleiras como decoração, a esperar futuro interesse, outras sem maiores atrativos são trocadas ou doadas e as repetidas (sim, e não são poucas!) acabam sendo ofertadas em aniversários futuros de pessoas não muito próximas - razões da missão atual na maioria dos "encaixotamentos" feitos no seu quarto para ganhar espaço (só a caixona da mesinha recente acomodou umas 10 peças embaixo da cama)!

Eu sei que de cavalo dado não se olham os dentes e concordo que presente que cada um oferece, ainda que sem o coração envolvido, deve ser recebido com os mesmos respeito, carinho e agradecimento, por isso não me entendam mal - eu mesmo nem faço tais comentários na frente da pequena... O que me incomoda é a certa "falta de alma" por trás dos ofertórios: comprar uma boneca no lugar de tantas outras opções de presentes, muitas delas mesmo bem mais baratas que certos modelos (jogos instrutivos como quebra-cabeças, um perfume infantil, um DVD ou mesmo uma sandalinha, só para citar quatro exemplos, apresentam modelos dos mais variados e, na maioria das vezes, nem pesam no bolso), normalmente me passa a ideia de um comodismo de escolha ou mesmo uma grande falta de criatividade: sempre me divirto ao me lembrar de um amigo meio grosseirão que sempre se gabava dos "presentes" que mandava sua mulher comprar (geralmente mesmo nas vésperas de alguma festinha) - Ah, essas coisas não são comigo: tiro um bom dinheiro do bolso e dou pra minha mulher, 'Compra aí uma boneca das grandes ou então um carrão, que não tem como errar'"! Bom... Tem, sim: e feio!

Mas para não ficar com a pecha de reclamão ou mal agradecido, alguns dos mimos recebidos dos cerca de 80 convidados da última comemoração foram lindos e a SuperFilha gostou muito: algumas belas peças de roupas com personagens queridos; um par de sandálias da moda infantil, com as quais adora passear; um perfume com um livrinho; livros com atividades (risca/apaga e quebra-cabeças); um aparelho de DVD das Princesas que ela quase não larga por nada; um jogo de pintura de telas da Galinha Pintadinha; e, sim (pelo menos uma tinha que salvar a Pátria), uma bonequinha pequena, com cheirinho de frutas e que "toma leite" de uma mamadeirinha "mágica", juntamente a umas panelinhas coloridas num fogãozinho (detalhe: estes dois brinquedos também foram dados em repetição e seus pares tiveram que ser trocados), mas mesmo com estes ela prefere brincar mesmo na presença da priminha mais velha, que tem mais "experiência" no ramo da "alimentação de bonecas"!

Creio que não custa nada perguntar ao pai/mãe do(a) aniversariantezinho sobre a preferência do infante - especialmente quando se trata de convidados íntimos da casa em festa (90% dos nossos convidados, entre parentes e amigos): lembro-me bem de algumas amigas da Mamãe perguntando por telefone - E o que essa menina prefere: roupa ou brinquedo?, no que minha esposa, já temendo o atual entulhamento de bonecas que não agradaram nossa pequena, nem pestanejava em ir logo oferecendo as opções de tamanhos para vestimentas e calçados da Filha, sendo que alguns amigos chegavam a ser mais diretos - Ela gosta de bonecas ou de jogos?, no o SuperPai aqui aproveitava para informar o mais apropriado... Pena que esse número de pessoas, normalmente, represente apenas 10% do total de convidados!

Assim, fica a dica: ao comprar algo para dar a uma criança, conheça-a; se não for possível, não tenha medo de perguntar sobre os seus interesses para os seus pais; e se isto ainda não for possível, não dando nem para adivinhar qual o número para a compra de qualquer peça de vestuário ou calçado, não pestaneje em oferecer um brinquedo educativo apropriado para a idade (pelo menos isso dá para saber: a idade do aniversariante!) - nunca me esqueço do número de vezes que comprei, ainda que rápida e facilmente, mas todas com o coração, um adorável barrilzinho de encaixe (com suas variantes) para vários aniversariantes de 1 aninho, que minha filha adorava quando tinha essa idade por causa da avidez no desenvolvimento da coordenação motora, e que, posteriormente, em "enquetes" indiretas aqui e ali, eu acabava por descobrir que se tornara também o favorito de várias crianças naquela mesma faixa na crucial hora do desembrulhar os presentes do aniversário... Pessoal, opções não faltam neste gigante universo infantil!
 (...)

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Parece que foi ontem... Dora e eu!



Ainda me lembro, como se fosse hoje, de quando a Vovó-Dinha deu de presente de Natal para a minha menininha de então 7 meses o DVD Galinha Pintadinha: amor à primeira vista, aquelas imagens de desenho animado simplista, cantado com algumas das mais clássicas cantigas de roda brasileiras, arrebataram de imediato a pequena, sendo então as primeiras imagens televisivas com que mantinha contato direto... Algum tempo depois viria a paixão pela dupla de palhaços Patati e Patatá, nas manhãs do seu primeiro aninho, no SBT, e, com o programa, alguns novos encantamentos, como a animação igualmente brasileira Peixonauta, que faziam com que, todo santo dia, aquela garotinha acompanhasse a televisão com contínuo interesse por pelo menos uma hora por dia  afora, é claro, os ocasionais pedidos de repeteco do já idolatrado DVD da Galinha...

Todas aquelas atrações de despertar áudio-visual da minha filha também agradavam milhares de outras crianças e, não por acaso, transformaram-se em fenômenos culturais de vendas de discos, brinquedos e inúmeros outros produtos licenciados. E eu, sempre que possível, fazia-me presente na poltrona ao seu lado assistindo a todos aqueles desenhos e vendo quais os mais apropriados a sua idade  ocasião em que passei a pagar TV por assinatura a fim de que aquele pequeno leque de atrações televisivas infantis se abrisse num maior número de opções de qualidade. E isso no Natal de 2011, "no alto" do seu 1 ano e 7 meses, época em que lhe foi apresentada uma especial moreninha, bem parecida com ela...

Dora, A Aventureira, produção norte-americana para crianças pequenas (em fase pré-escolar) sobre as aventuras de uma sabida garotinha latina (seria mexicana?) de 7 anos de idade numa espécie de floresta encantada, de início não empolgou muito a SuperFilha, que na época se ligava mais em outras atrações (e da grade do Discovery Kids), como Backyardigans, Rob O Robô, VelozMente e Mister Maker. Porém, com o tempo e com as repetidas (e põe repetidas nisso!) exibições dos mesmos episódios e interações da personagem com a minha garotinha, sempre a pedir que a criança repita algo em casa para "ajudá-la" em algum momento do desenho, aos poucos a SuperFilha não só passou a gostar de interagir mais com o que via como também adquiriu uma boa variedade de conhecimentos – especialmente porque a tal aventureira-mirim ensina várias palavras e pequenas frases em Inglês (no original, em Inglês, Dora ensina Espanhol para os ianquezinhos) ao longo das inúmeras exibições durante a programação diária do canal Nick Jr.

Tenho que confessar que, de todos os desenhos, Dora, A Aventureira é o que menos gosto: afinal, uma menina que sabe tudo e (quase) nunca vai à escola, mal vê os pais ou avós (ausência de responsáveis), apenas passeando o dia inteiro no meio do mato (essa é a visão que o pessoal dos EUA têm do povo latino: vivemos numa floresta?!), a conversar com estranhos (pessoas ou animais - mau exemplo!), vivendo aventuras "fantasiosas" sem pé nem cabeça e a repetir mil vezes o que fez e o que vai fazer nunca me pareceu o melhor dos programas! Cada episódio segue a mesma fórmula: Dora e um amigo (geralmente o Botas) se apresentam; um "problema" acontece com alguém (pessoa ou animal); um mapa mágico diz os lugares para onde ir; Dora e cia. seguem viagem, sem pedir para os pais nem dar satisfação pra "Seu Ninga"; e haja pedir "opinião" ou "ajuda" aos pobres e pequenos telespectadores... Ah, e ainda tem o Raposo (pra mim, o personagem mais interessante: "Puxa, vida"!), um ladrãozinho que aparece para atentar e bagunçar um pouco as coisas! Sem esquecer uma mochila cantante que guarda mais coisas que a bolsa da Mary Poppins, algumas criaturas que só falam Inglês e um trio de insetos 'mariachi' que tocam uma musiquinha a cada "fase" completada pelos protagonistas, até que estes cumprem sua "missão" e cantam, comemorando, SEMPRE: "Conseguimos! Conseguimos! Yeah: we did it!"  e ainda vão recapitular tudinho de novo com as pobres crianças!

Tudo bem, os pequeninos gostam (e precisam) de repetição para estimular e facilitar o aprendizado, mas isso, por si só, não torna uma animação melhor ou pior - e a da Dora é fraca por inúmeros outros aspectos! E quanto ao ensino de coisas importantes, como noções de Matemática, acho que a animação Equipe UmiZoomi se sai bem melhor, por exemplo... Mas e quem foi que pediu a minha opinião? O certo é que a atração é febre tanto nos Estados Unidos como aqui no Terceiro Mundo latino, das meninas moreninhas, de olhinhos vivos e graúdos e cabelos lisinhos e bem pretinhos... Opa, e não é que a Filha é mesmo bem parecida com aquela personagem?! Foi graças a uma camisetinha que dei a ela que, depois de até estranhos nos abordarem na rua a perguntar onde havíamos feito uma camiseta com o desenho da minha menina, que fui percebendo isso... Nem preciso dizer que, na segunda festa que lhe dou de aniversário (a primeira foi com 1 aninho, com o tema "Jardim"), ficou fácil para ela escolher o personagem temático (apesar de, vez ou outra, ainda pedir pra olhar ou ouvir a penosa azul): - Você quer uma festinha com a Galinha Pintadinha ou com a Dora, A Aventureira?  Com a Dora, isso!!!

E hoje, "do alto" dos seus 3 aninhos, fico a relembrar este mês de maio que hoje se encerra, onde a preparei, a cada dia (O seu aniversário está chegando... E vamos ter uma linda festinha com a Dora...), para esta sincera celebração em homenagem à sua vida, à sua saúde, à sua graça lúdica como a de um personagem de desenho animado, a repetir o que de melhor a vida guarda em sua pureza e a mostrar o quanto pode ser aprendido a cada instante... Olha, só, filha: hoje é dia 31 de maio e a Dora veio comemorar com você seu aniversário! E para alguém que dizem ser tão parecida com a personagem animada (embora a Vovó-Dinha faça sempre questão de dizer que é "beeem mais bonita"!), nada mais apropriado que, em meio ao vestido novo, de "mocinha", comprado especialmente para a ocasião, minha menininha surja com a roupinha da Dora (nada mais simples: camiseta rosa, calções laranjas, meias amarelas e tênis... da Dora!)  ideia de um pai babão que entra na animação e vira personagem repetitivo na hora que ela quiser... Feliz aniversário, minha doce aventureira Isabela!

sábado, 18 de maio de 2013

Leite de Marmota


A SuperFilha, tal como já noticiado por aqui, passa por “fases” – e nós, seus pais, muitas das vezes a passar as mãos em sua linda cabecinha, assim tachamos tudo em volta destes misteriosos momentos com os quais “nada podemos fazer”: “é fase...”!

Uma destas “estações” dizem respeito à cruel insistência que estes pequenos seres têm a fim de conseguirem o que querem – e graças a Deus que a nossa menininha não apela sempre para as birrinhas! Mas o mero “quer isso”, “quer aquilo” fora de hora cansam ao ponto de, algumas vezes, cedermos a um ou outro capricho.

Mas como na maioria das vezes ‘não’ é ‘não’, mesmo, resta à supergarotinha apelar para a sua então iniciante retórica – e, como suas argumentações ainda passam pela aplicabilidade de sentenças previamente estabelecidas, nem preciso dizer o quão engraçado foi ouvir, noutro dia, o quanto personagens educativos como Equipe UmiZoomi podem ensinar muito mais coisas do que possam imaginar:

– Danoninho... – arriscou a sempre gulosinha Filha diante da sacola de supermercado entreaberta que eu acabara de deixar sobre o balcão da cozinha.
– Não, filha: você sabe que não é hora! Você não vai tomar Danoninho agora, que já pe quase hora do jantar...
 Vamos usar o poder da Matemática para tomar Danoninho...?

A fase que mais aprecio, porém, é mesmo a do "não" – até para coisas que ela costuma gostar ou querer, quando oferecidas, muitas vezes são prazeirosamente negadas pela menina com um delicioso sorrisinho na face...

Nisso, para deixar a preguicite de lado depois de um cochilo da tarde, na ausência de iogurte (estava por ir ao supermercado para comprar a bandejinha da semana), o jeito mesmo foi apelar:
 Você quer... Banana com kiwi? – perguntei.
 Não qué...!
 Você quer... Suco de laranja? O Papai faz pra você...
 Não qué!
 Você quer... Leite de marmota?! – no que seus olhinhos fixaram o meu em silêncio, por alguns segundos surpresa com a pergunta, e...
 Qué! Qué 'lete de mamota', qué...

Puxou meu dedo com força para eu deixar a cama junto dela e, apressadamente, conduziu-me à cozinha, ávida pela mais nova iguaria – no que eu tive que apelar pela segunda vez:

 Só tem um pouquinho, que o Papai vai misturar no suco de laranja e na banana amassada com kiwi pra dar um gostinho... Mas Papai vai comprar mais pra você, depois, no supermercado...

Marmota pouca é bobagem: de matar de rir quando contei para a Mamãe... Isso ainda vai acabar em algum código de família delicioso de ser lembrado...

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Era uma vez...
Muito tempo atrás,
Vindo de uma galáxia muito distante...



- Será que a SuperFilha voltaria no tempo para perguntar àquele garotinho que super-herói ele realmente gostaria de ser quando crescesse...?


quinta-feira, 9 de maio de 2013

Meninas X Meninos


- Sim, Filha, é diferente... Mas você verá que os universos muito mais se cruzam (ou deveriam cruzar-se) do que parece - especialmente na doce fase lúdica das brincadeiras da infância...

Creio nem ser necessário principiar esta croniqueta a refletir por sobre o eterno binômio Homens versus Mulheres, uma vez que inúmeros trabalhos psicológicos, ensaios antropológicos e filmes sobre as diferenças entre os sexos já foram feitos de forma bem mais aprofundada e interessante - até novela global já fez sucesso duas vezes (e em diferentes épocas) com este mesmo tema! Introduções científicas à parte, resta o lado lúdico e gostoso para trabalhar agora (justamente o interesse maior destes Diários), escrever sobre o universo da eterna "rivalidade" entre meninos e meninas...

Acho que a maioria dos leitores que ora me honram com suas fatigadas retinas, ao menos uma vez na vida, já brincou de "Menino pega Menina" - sim, aquela versão de Polícia pega Bandido em que se mediam as capacidades de cada sexo em estratégicas perseguições pelos recreios deste Brasil de meu Deus, onde os perseguidores literalmente caçavam as fugitivas para colocá-las numa prisão... Claro que, em meio ao interesse puramente infantil da diversão, começavam ali a rolar as primeiras boas sensações do prazer do contato com o sexo oposto: e, assim, numa "apreensão" de uma garotinha no auge dos seus 8, 9 ou 10 anos, nós, os garotos, sentíamos o cheiro bom dos cabelos delas ou simplesmente pegávamos, num leve relance, nas mãos das nossas incautas capturadas - com tudo claramente disfarçado, uma vez que, até aquela ideda, meninos e meninas são inimigos naturais!

Claro que também havia a versão contrária, onde os meninos éramos perseguido pelas meninas. E é justamente sobre essa "inversão" que eu mais queria me debruçar: afinal, nessa hora podíamos jurar que as garotas, meio que se "vingando", muitas vezes se tornavam mesmo agressivas, talvez numa exposição até inconsciente de uma superioridade física ainda que momentânea - Ah, seu menino machão, e agora? E haja bordoadas no caminho para a "cadeia", especialmente quando alguma garota conseguia me capturar (eu era o mais rápido da turma, sempre lutando para esconder meus superpoderes em formação...)! Ah, o gostinho de estar do outro lado... Especificamente no microcosmo de uma brincadeira que invertia os polos forte e fraco, tal como se dava quando os "bandidos" pegavam os "policiais", as meninas pareciam gostar daquele momento de bancar a personagem opressora e mais forte do jogo...

E por que não mudar de vez em quando? Se o caráter lúdico é o elemento mais forte da infância, por que não permitir o acesso da gurizada ao universo alheio? Eu tiro pela SuperFilha, que convive e brinca com miniaturas de carrinhos e action figures (jeito meio adulto e metido à besta de chamar os velhos bonequinhos comprados pelos marmanjos) de inúmeros super-heróis aqui em casa e nem por isso perde sua feminilidade em formação por isso - quem disse que tudo dela tem que ser cor-de-rosa? Graças a Deus a Mamãe também pensa assim e com isso evita, inclusive, que criemos uma "SuperPatty", onde o rosa e as Barbies predominam... E nesses plúmbeos anos de celebração do bullying, eu me lembro de ter sido, na infância, muitas vezes ridicularizado por assistir, nos meus áureos 12 anos de masculinidade à flor da pele, os desenhos animados da Turma da Mônica - coisa de menina? Jamais!

O engraçado é que se o fato de ser amigo de meninas na infância parece "preocupante", na juventude é uma delícia para qualquer rapazola que quer aprender mais sobre o universo feminino que, em breve, conquistará! Ou, ainda, se uma garotinha é injustamente tida como "molequinho" e anda de skate e sobe em árvores com os meninos, talvez ela cresça uma mulher bem mais segura de sua sexualidade do que muitas patricinhas por aí - afora sagrar-se uma grande mestra sobre as galhardias do mundo masculino! E ainda, eufemisticamente falando, em tempos de acirradas discussões sobre "meninos que gostam de meninos" e "meninas que gostam de meninas" (explicarei isso no momento oportuno, filhona), nada mais apropriado que eliminar preconceitos desde cedo e tentar jogar por terra o sexismo da indústria infantil a fim de erguermos, amanhã, uma sociedade menos dividida e estereotipada: afinal, eu posso usar uma camisa rosa, minha filha pode curtir meus bonequinhos e carrinhos ao lado de suas Princesas da Disney sem ninguém se arranhar com isso... E, por fim: o que tiver que ser, será - independentemente de uma brincadeira com o "outro lado"! Quer saber? Vou deixar que essa linda e esperta garotinha fale por mim...



sexta-feira, 19 de abril de 2013

"Mas como você inventa manias para essa criança..."


Diários do Papai, 19 de abril de 2013


Eis uma boa ideia de rede bem prática para os pequenos que só dormem embalados...

Nunca me esqueço do quanto criticava, com gozações, meu irmão no passado, quando ele, para colocar minha sobrinha-afilhada para dormir em seus tenros primeiros anos de vida, realizava uma enorme operação: todas as luzes da sala (e adjacências) eram apagadas, e, em meio ao silêncio absoluto (se houvesse visitas, perigava receberem o pedido para deixar mesmo de respirar por alguns minutos...), a luz azulada do televisor ia enebriando, aos poucos, sua garotinha com alguns vídeos musicais da época (como os da famigerada Xuxa)... Pegou no sono? Cuidado redobrado para levá-la nos braços sem despertá-la, escadaria acima, até o repouso devido no bercinho em seu quarto...

E agora me pego, há quase uma hora, a embalar na rede a SuperFilha com seus quase 3 anos de idade e 15 quilos de fofura, a fim de que ela pegue no sono em definitivo... Tudo bem que, uma noite ou outra, o pedido de "qué deitá ca mamãe" ou "qué deitá co papai" é atendido na cama do casal, mas é mais fácil um de nós, seus amados progenitores, dormir ao cabo de uns 20 minutos do que a garotinha adormecer! Daí, tempo esquecido, o pai ou a mãe que estiver de pé vai conferir no quarto e a menina, meio grogue, ainda balançará a perninha e levantará a cabeça pra ver quem assoma na porta - enquanto o outro dorme a ronco perdido ao seu lado... Hora inevitável de colocá-la na rede para a "finalização do processo": mais tarde, porém, com o sono já alto, será hora de transferi-la para a cama do seu quarto - o que não a impedirá de, numa ou noutra noite, seja por um soninho ruim, seja por uma agitação qualquer de sono leve, ela volte para o quarto dos pais para dormir no cantinho da cama ou, se percebida ao longo da madrugada, ser transferida (agora em definitivo até a manhã seguinte) para a rede novamente...

O certo é que, sempre, ainda que sem querer, todos nós mimamos nossos filhos: para mais ou para menos, inventamos ardis para servir uma ou outra ocasião que, sem percebermos, acabam se transformando numa agradável mania para os pequerruchos! Até que a "chatice" chegue aos olhos ou ouvidos de terceiros, que nos julgarão como pais mimadores ao presenciar "pérolas" do tipo "Ela só dorme desse jeito..." - tal como eu fiz no passado - e jurarão para si mesmos (ainda que no silêncio da consciência) que jamais criarão seus filhos com tais reinações...

Só me resta a culpa da inquisição dolorida de perguntas que, no momento, não querem calar: até quando terei que embalar (por um bom tempo) minha filha para que ela adormeça? Quando ela deixará de tirar as meias e os sapatos tão logo entre no carro na volta pra casa (a obrigar-me a calçá-la novamente ou carregá-la, junto a suas mochilinhas, para que não ande descalça no caminho para o apartamento)? Até quando terei que comprar fraldas até que ela consiga usar o troninho ou o adaptador do vaso sanitário "em tempo"? Até quando durará a "fase do não" (que já chegou ao extremo de fazê-la dizer "não qué chegá em casa" só porque comentamos no carro que nosso lar se aproximava!)? Quando ela deixará de tirar todos os pertences da mochila do colégio tão logo cheguemos em casa (a dificultar, com a pequena bagunça, a hora de almoçar)?... Bem, talvez a melhor pergunta seja mesmo "Até quando deixarei tudo isso ocorrer?", ou, melhor dizendo, "Como mudarei esses pequenos quadros cansativos?" - o difícil será obter a resposta...

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