domingo, 4 de novembro de 2012

Ontem e Hoje...



Almoça e, quando saíres, providencia:
- Brinco;
- Saca dinheiro para pagar D. Flor;
- Traz o pote de biscoito c/ a tampa de biscuit e pacote de guardanapo;
- Absorvente geriátrico.

Achei, há pouco, na arrumação do meu gabinete, este recadinho escrito por minha mulher numa folhinha amassada de um papel amarronzado: trata-se de "recomendações" feitas no dia do nascimento da SuperFilha, escritas porque, devido à cirurgia, a Mamãe não podia falar - então um bloquinho foi providenciado para a comunicação.

Engraçado eu achar isso hoje, dia em que me havia programado para escrever sobre algumas manias que a filhona vem perdendo com o tempo, à medida que vai crescendo: afinal, nada mais pontual do que voltar ao "Dia 1", onde tudo começou, para sentir bem o quanto aquele lindo serzinho, que então via a luz pela primeira vez e ensaiava seus primeiros chorinhos como forma de chamar a atenção para o que precisasse, hoje já conta, imitando as vozes que o Papai inventou para certos personagens, estorinhas quase completas dos seus livrinhos preferidos ("Pincesa, o caco do navio istá peso nas pedas: pecisamos jogá tudo no má pa dexá-lo mas leve e isso incui sua bagage...") e lembra a mãe de trechos esquecidos de suas canções favoritas na hora de dormir ("O pato pateta quebou o caneco, bateu na gainha, suou o maeco...")!

Mas voltemos ao bilhetinho cheio de coisas a fazer naquele dia mágico: umas 5 horas depois do nascimento, já à tarde, enfim eu iria almoçar - mas não sem antes providenciar o recebimento e o pagamento da adorável senhora que havia feito os deliciosos bem-nascidos para servir aos presentes na maternidade, passar na farmácia para comprar absorvente geriátrico para a Mamãe em razão do parto, não esquecer o pote cheio de gostosos biscoitos para servir os parentes que ainda viriam ver a menina mais linda do mundo... E assim eu saí de lá, abestalhado, cheio de felicidade plena, sentindo-me, literalmente, um super-herói que podia voar!

Ah, quase ia me esquecendo de falar do momento mais marcante (depois do parto, é claro!): o da compra dos primeiros brincos da minha menininha! Contei a todas as atendentes da joalheria do nascimento da minha filha, comprei o par mais bonito e segui radiante para casa - enfim eu almoçaria... 

Hoje, infelizmente, só sobrou um brinco do par - coisas que, impreterivelmente, vão caindo e se perdendo com o tempo que a gente nem vê: um pé de sandália ou de sapatinho, um brinco do par, um pingente da pulseirinha... O pote de biscoitos continua firme e forte, apesar da queda que levou dois dias depois, quando da saída da maternidade e o superpai aqui, pensando ter o poder da multiplicação de braços, quis carregar tudo de uma só vez para o carro - a tampa, com uma pequena arte em 'biscuit' de alguns lindos biscoitinhos, apesar de ainda fechar razoavelmente o grande recipiente de vidro, exibe uma orgulhosa rachadura daqueles maravilhosos dias iniciais...

Até outro dia mesmo, minha filha dava os primeiros passos na montagem do primeiro quebra-cabeças que lhe comprara, um conjunto de 4, 6 e 9 peças; hoje, ela meio que já enjoou daquele de 60 peças e só quer saber do de 100, buscando sempre minha ajuda ou a da mãe... Até semana passada, a Mamãe e eu morríamos de rir quando ela, mostrando euforia ao encontrar uma pessoa muito querida como a Vovó-Dinha, ficava imóvel e soltava uma bolinha de saliva pela boquinha, alardeando "Cupiu! Cupiu!"... Parece que foi ontem que lhe comprei os primeiros gizes de cera grandões e, hoje, ela pega com a maior destreza os mais finos e já ensaia fazer "ossolhos" e as boquinhas das formas que ela tanto pede para desenharmos ("Um circu... Um thiango... Um quadado... Um retango... Agoa um losango, um esságon e um tapézio...")...

Ontem e hoje: de uma linda coisinha pequenininha e chorona para uma linda garotinha que anda a repetir tudo o que escuta por perto ("Ei, pae com isso!" - foi o que ela acabou de ouvir de um filme na TV, pouco antes de sua sonequinha...). Ela ainda não deixou as fraldas (mera questão de tempo: talvez na escola, no próximo ano...), mas já é uma mocinha... E, acima de tudo, uma artista - cuja obra o seu maior fã registra, aos pouquinhos, neste humilde espaço virtual... Quem sabe isso tudo um dia ainda valha muito?! Afinal, como no dizer da genial tirinha do Calvin no início desta croniqueta: filhos são mesmo o nosso maior investimento!

sábado, 13 de outubro de 2012

12 de Outubro: Dia da Criança Brasileira


Se eu mostrasse à SuperFilha figuras mundialmente conhecidas como o Mickey, o Pateta ou o Pato Donald, até bem pouco tempo atrás ela não teria a menor ideia de quem se tratava! Hoje, graças a uns livrinhos de historinhas com as famosas Princesas da Disney e a um jogo americano com a Gatinha Marie, esse quadro já mudou um pouco... Mas, desde bem cedo, eu jamais precisei sequer apontar algumas figuras para as quais, de longe, minha garotinha já acenava, tremendo-se de alegria, anunciando seus nomes bem nacionais:

– Pexonaaata! Gainhaa Pintinhaaa! Patatáááá! Cocoicóóó!

Confesso sentir um gostoso orgulho de ver isso acontecer, uma vez que minha infância não possuía quase nenhuma referência nacional para a criançada a não ser o Sítio do Picapau-Amarelo e, posteriormente, o Balão Mágico, na Globo, e os Quadrinhos ou alguns desenhos em vídeo da Turma da Mônica. Nada contra a minha gostosa memória afetiva em torno dos super-heróis estadunidenses e dos personagens Disney dos meus adoráveis anos 80 (aprendi a ler com as revistinhas do Pato Donald!), e longe de mim qualquer xenofobismo - minha menina também é cercada pelos canadenses Backyardigans, pela "latino-norte-americana" Dora (com quem até se parece bastante...) e pelos adoráveis ingleses Pocoyo (cujos pulinhos, ultimamente, ela não para de imitar) e MisterMaker (com quem ela aprendeu as formas!)! Mas não há nada melhor que ver coisas diretamente ligadas a sua cultura fazendo sucesso e gente do seu próprio idioma crescendo profissionalmente, juntamente a seus filhos, com trabalhos bem feitos e que já viraram febre entre os menores, desbancando mesmo medalhões globalizados há décadas...

Melhor ainda quando alguns desses personagens o próprio pai já conhece há bastante tempo: é o caso da turma do Cocoricó, da TV Cultura, que, mesmo já grandinho quando do seu surgimento na TV, acompanhei muito daqueles deliciosos programas infantis cheios de canções inteligentes (a maioria de autoria do mestre Helio Ziskind) e de referências ao bom viver do campo com seus personagens inesquecíveis  Júlio, Zazá, Alípio, Mimosa, Vovô... Que, com o passar do tempo, foram ganhando a companhia de tantos outros, que, hoje, são citados pela minha menininha com a maior facilidade ao ver e rever seus programas  ela mesma, muitas vezes, não dorme sem ouvir a "Música do Porquinho" Astolfo:  "E se meu brinquedo caíííísse..."!

Mas a coleção de agarradinhos da turminha do paiol têm uma "rival" à altura no coração da minha pequena: se as galináceas Lola, Lilica e Zazá são adoradas em suas cores vivas, o que dizer de uma outra galinha azul e cheia de pintinhas? Fenômeno infantil legitimamente nacional e livre das antigas amarras de insuportáveis Xuxas midiáticas e suas discípulas oportunistas, a Galinha Pintadinha entrou meio que sem querer no mercado de vídeo infantil e, já em seu volume 3, conta com milhões de DVDs e Cds vendidos - afora um universo de produtos licenciados, tais como xampus, lancheiras, mochilas, brinquedos... Viva a Galinha Pintadinha, animação simples e bonita por sobre clássicas cantigas infantis, cujo primeiro DVD foi dado pela Vovó-Madrinha, que iniciou a neta-afilhada neste "vício", e cujo álbum de figurinhas virou quase uma adoração não só para minha filha, como para a própria Mamãe, viciada em trocar figurinhas do álbum da Pintadinha com as outras mães do condomínio!

Mas nem só de galinhas vive o mercado nacional: correndo por fora (ou seria melhor "voando"?) tem um peixe agente secreto que, graças a seu traje especial voador, mistura de escafandro e roupa de astronauta, transita livremente debaixo d'água e acima da terra, ao lado de Marina, uma garotinha, e de Zico, um macaco, dentre outros amigos no "Parque das Árvores Felizes" (bem inspirado pelas lindas paisagens cariocas/brasileiras)... É o Peixonauta, produção genuinamente brasileira da TV Pinguim lançada em 2009 em parceria com o canal Discovery Kids e que, tal como sua amiga penosa, já possui uma interminável leva de produtos licenciados e uma legião fãs pequeninos - bem, no meu caso, nem tão pequeno assim... Afinal, para a minha menininha ver algo, gosto de acompanhar sempre que posso, vendo a qualidade do que está sendo exibido e, por isso, muitas vezes, acabo ficando fã: "Olha a POP, filha: vamos bater palmas para abri-la?"

Falando nisso, ela e eu descobrimos juntos esse adorável peixinho brasileiro por meio de outros maravilhosos personagens igualmente brazucas: antes mesmo de assinar TV a cabo e ter o DiscoveryKids ou o Nick Jr. 24 horas por dia à disposição (mas, claro, com controle de horas/dia para a filhota assistir), Patati e Patatá, adorável dupla de palhacinhos coloridos ressuscitados pelo Silvio Santos num programa de muito sucesso, Carrossel Animado, já dominavam a metade das manhãs da gurizada e começavam suas atrações com o adorável peixinho agente secreto, bem na hora do acordar da minha garotinha...

E hoje, no dia das crianças, não poderia ser diferente: o presente da filhona foi o "Painel Mágico" da Galinha, com todos os seus ímas, letras e números que tanto já fascinam a pequena    bem, admito que terei que trocar o brinquedo amanhã, tamanha a má qualidade de muitos elementos integrantes (inclusive a própria lousa, que veio com graves defeitos e empenamentos)... Reflexo da ainda incipiente qualidade técnica da nossa indústria emergente e incapaz de acompanhar o ritmo do mercado infantil?! Não saberia dizer... Só sei que acompanho este universo infantil 'made in Brazil' e me pego feliz, contemplando minha filhota pela casa com o seu "carrinho de compras" 'Pag Lev' cor-de-rosa cheio de agarradinhos e de DVDs do Cocoricó, com seu bonecão do Patatá na prateleira do quarto e com os DVDs da Galinha já enfileirados ("É pra escolher só um, senão você fica o dia nesta TV, ouviu bem?!") aguardando o fim da exibição do Peixonauta na televisão... É... Bons ventos nacionais, vida longa e próspera ao mercado infantil 'made in Brazil'! Minha filha agradece por essa boa brincadeira... E viva a criança brasileira!

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Uma Líder Nata...
Ou Uma Birrenta Fanfarrona?!



Já faz algum tempo que vi, pela primeira vez, a SuperFilha "dominando" uma criança, com o olhar, e, logo depois, fazendo com que a mesma a seguisse... De cara, achei aquele comportamento muito engraçado, particularmente o jeito como a minha garotinha, não importando a idade, o tamanho ou o sexo da outra criança (acompanhei-a praticando a "façanha" com mais de uma), fazia com esta contato visual e seguia andando, de costas - porém de frente para o "seguidor" da vez -, como que a "hipnotizar" a outra! "Uma líder nata", pensei, um tanto orgulhoso...

Daí veio a parte "chata": se o garotinho ou a garotinha não entendesse, de imediato, a "ordem" a ser seguida, minha filha insistia até conseguir seu intento de liderança; mas, se se recusasse a segui-la no meio da "jornada", por exemplo, minha menininha dava um pequeno "piti", caindo num imediato choramingo, muitas vezes jogando-se ao chão, sentando-se com relativa raiva. Jesus, o que eu tinha aqui, afinal: uma líder carismática ou uma mimada fanfarrona?!

O curioso é que, tal como no dilema "ovo/galinha", nunca soube dizer ao certo o que havia surgido primeiro: se a pirracinha do sentar-no-chão-a-choramingar, que brota até hoje, às vezes, quando ela não consegue algo que deseja ou se havia sido o descontentamento quando, ao constatar um "não-seguimento" do coleguinha à sua liderança, acabou gerando as primeiras birras... O certo é que, por muitas vezes, a Filha que saía de casa para o parquinho como uma adorável garotinha voltava aos prantos, irritada, e se jogando ao chão - santa dupla identidade negativa, Batman!

O engraçado, Papai, é que a tua filha vai às lágrimas!

Eis aí algo que sempre me chamou a atenção - e nem falo do fato de, sempre que um filho "apronta", a Mãe logo "abre mão" do parentesco e o rebento vira, instantaneamente, cria única do outro progenitor! Falo do choro "real" - sim, porque o que se tem notícia sobre birrinhas infantis é o "choro de manha", aquele com as famosas "lágrimas de crocodilo", mero embuste para estabelecer a reinação e dobrar aqueles mais incautos no rumo da satisfação complesta da criança mimada! Com ela, não: minha garotinha vai sempre às lágrimas...

Decerto que ela puxou a mim na sensibilidade: bastava alguém falar mais alto comigo por algo que não deveria fazer que, até um pouco mais velho que ela, eu caía no pranto! Mas, em relação a ela, jamais levantei a voz, bastando um "Não faça isso" mais firme pra ela fazer beicinho de choro, arrasada mesmo... O engraçado é que o mesmo se dá em resposta a alguma manha: ela chora de verdade! No fundo, penso tudo como "coisa da idade": até aquela famosa "fase do não" aparece de vez em quando, de forma moderada - doidinha pra almoçar, ela diz que não quer, para, tão logo veja o pratinho cheio, correr para a sua cadeirinha pra "comer tudinho"!

De qualquer forma, acho que, apesar de algumas tolices de vez em quando ("Bobage" e "Coisa feia, coisa tiste..." é o que ela sempre repete nessas horas, de tanto ouvir dos pais), aos poucos essas reinações vão se perdendo e a pequena já começa a entender que nem tudo na vida sairá do seu jeito: se eu montei uma peça do quebra-cabeça antes dela ou se desenhei um círculo em vez do quadrado que ela me havia "pedido", aos poucos, na insistência de lhe mostrarmos os limites, ela chora, mas logo volta à realidade... Mas uma coisa nunca muda: essa menina é mesmo carismática e, com seu jeitinho de quem não quer nada, consegue muita coisa e leva o maior jeito para a liderança! E, vira-mexe, lá está uma pequena incauta a lhe seguir os passinhos - e a Filha, de costas para o mundo, com a maior cara de safadinha, dominando a parada, segue meio líder, meio fanfarrona...

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

AGOSTO:
Mês dos Pais
2 Anos dos Diários do Papai



(Marlon Brando, como Jor-El, em Superman - The Movie, 1978)

"Você verá a minha vida através dos seus olhos assim como a sua vida será enxergada através dos meus. O filho se torna o pai e o pai se torna o filho"...

No caso, o pai se torna a filha...

Photobucket

Agosto, Mês dos Pais e de 2 anos dos Diários do Papai: obrigado a todos os que visitaram este espaço até hoje, deixando carinho para a SuperFilha! Em setembro, os Diários do Papai terão postagens regulares finalmente...

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segunda-feira, 2 de julho de 2012

6 comentários
Diários do Papai, 1º de Julho, 20:30h



Voltando agora da festinha junina do condomínio, realizada para os pequeninos um dia depois do "término oficial" do período (porque a mamãe organizadora-mor tinha um casamento ontem para ir...). E como é bom ver a SuperFilha correndo para lá e para cá de caipirinha, no vestido que já se despede, porque dado no ano passado pelaVovó-Dinha... Ano que vem já serão novos tempos, um novo vestido - de repente, até uma indumentária de indiazinha ou de brincante de qualquer outra coisa criada em sua escola... Jesus, ano que vem ela já irá para escola, com três aninhos então por fazer... Como ela cresce rápido... Mas prefiro deixar pra pensar nisso só no ano que vem: neste ano, ela continua encantadora no seu vestidinho lindo de caipira, o mesmo do ano passado que agora se despede... E tudo por "culpa" do tempo...

E viva São João, Santo Antonio e São Pedro (por aqui, até São Marçal,dia 30!), que o arraial continua na cabeça desses pequeninos ainda no dia 1º de julho...

E por aqui, esta data começa a aparecer, agora no início da postagem, no corpo do texto. E os comentários, atendendo a "inúmeros" pedidos, estão de volta para quem quiser ver... Como o tempo, que já me leva agora o vestidinho lindo que ficava nela, na caipirinha mais fofa que não para de crescer em qualquer ocasião...

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Olha 'pro' céu,meu amor:
Uma noite memorável...


Junho em capital nordestina: temporada de festejos em homenagem aos santos, e, em São Luís do Mará, não poderia ser diferente. Melhor: aqui tudo é regado a muito bumba-meu-boi e comidas típicas, coisas muitas vezes inexistentes noutras cidades, mais voltadas apenas ao forró ou a folclores pontuais (como danças de quadrilha), com doces comuns. Mesmo para um super-herói aposentado como eu, a tentação de sair a desfrutar da efusividade das cores, danças e dos sabores e ritmos daqui quase supera a vontade maior e letárgica de ficar em casa... Mas o implacável Sr. Tempo, meu fiel arqui-inimigo, não me deixa mudar de ideia, especialmente em junho, época final de semestre letivo na faculdade, onde um dos meus trabalhos aumenta consideravelmente!

Porém, como este espaço não se dedica à minha pessoa, tampouco ao folclore regional do Nordeste, mas, sim, a uma figurinha bem mais interessante e animada, já chegamos a onde nossa pequena protagonista se encaixa nisso tudo: como no ano passado ela mal havia completado 1 aninho e, nem bem tentávamos entrar num arraial local para mostrar-lhe as brincadeiras que eu já saía correndo por conta do intenso barulho e da multidão em volta, coisas nada recomendáveis naquela idade, as festas juninas da SuperFilha restringiram-se a uma tarde de folguedos escolares do colégio de sua priminha mais velha, devidamente paramentada como uma bela caipirinha (vestidinho dado pela Vóvó-Dinha)Mas neste ano tinha que ser diferente...

Surge então o convite da associação de funcionários do serviço público onde a Mamãe trabalha: uma festinha junina modesta, de uma noite apenas, em associação própria, numa região mais ou menos próxima da nossa residência. "Perfeito", pensei: este é o tipo de brincadeira apropriada para crianças menores, sem o tumulto sonoro e populoso dos grandes e disputados arraiais da cidade.
"É um grande sítio afastado, Papai, sem muita estrutura..."
As palavras da Mamãe, aliadas à forte chuva que deu naquele sábado, momentos antes do horário da festa, mais o péssimo estado da rua que levava ao endereço (quase tão distanciado da avenida principal que cheguei, a certa hora, imaginar que visitaríamos aquele outro super-herói, meu amigo morcego...), tudo parecia antever um grande "programa de índio" a tomar a forma de um largo de erros... Mas segurei a rabugice e não detonei a ideia em momento algum: a esperança continuava viva. 

Chegando lá, procuramos uma mesa para três e achamos uma excelente num ponto central da quadra de cimento, onde parecia que uma eventual atração se apresentaria. E, para nossa mais que grata surpresa, não demorou muito até que o Boi de São Simão aparecesse (sotaque de orquestra, ou seja, no lugar dos tradicionais pandeirões e matracas, haveria muitos trompetes e bandolins). E, para minha ainda mais grata alegria, temeroso que estava de a pequena assustar-se com a turba de sons e fantasias multicoloridas (caboclos de fita, vaqueiros, as índias, o boi - onde um homem serve de "miolo", dançando por sob uma armação cheia de brilhos e miçangas etc.), não só a Filha emitia um cantarolado "aaaaa..." junto às canções entoadas, querendo acompanhar, como também batia palminhas efusivas ao final de cada música, sempre pedindo "de novo!" e "1, 2, 3 e... já!", ao ponto de chamar atenção de uma dançarina do boi, vestida de índia, que se encantou com a minha linda caipirinha!

Em seguida ao boi, uma animada banda de forró pé-de-serra (o legítimo!) passou a tocar clássicos de Luiz Gonzaga. Ah, o "Velho Lua", sempre tão envolvente, ao ponto de entusiasmar a mim e a Mamãe a ser o primeiro casal a dançar entre os tímidos presentes, ensaiando um "enferrujado", porém gostoso arrasta-pé de baião junto à mesa, enquanto a SuperFilha corria em supervelocidade atrás de uma nova amiguinha mais velha e fugia de um donjuanzinho mais novo, todos pela quadra ao cheiro da pólvora recém-queimada das bombinhas, sob a noite iluminada pelas estrelas... Olhem pro céu, meus amores: que noite memorável...

sexta-feira, 1 de junho de 2012

"Doix Aninho"...


Ela é meu tempo vivo. Com ela não me envergonho de nada, nem de correr em público fazendo papel de "bobo", nem de me emocionar com olhos marejados em cada doce lembrança que vem à tona.Afinal, parece que foi ontem...

Nesta quinta-feira não choveu, como na manhã em que você nasceu, meu amor-lindo. Às 10:07 da manhã, hora exata em que você pôs sua linda cabecinha cheia de cabelo pretinho para fora da Mamãe, você corria hoje pela casa a desfilar suas reinações e a pedir "bicoito" fora de hora. À tardinha, ao contrário do quarto de maternidade lotado de parentes para ver com quem você mais se parecia (desde o primeiro dia a gente sabe com quem, né, minha linda?), sua amada Vó-Dinha ("Vovó Diena"), seu estimado Vovô-Pum ("Vovô Caíto") e seus devotados pais levaram você para um passeio em comemoração a este dia tão especial...

Não houve festinha, como no ano passado, nem bolinho com velinha para você praticar o "parabéns a você" que ensaiamos a semana inteira... Mas você, a toda hora, exibia seus lindos dedinhos indicador e médio (ainda que este sempre se apresente meio tortinho) a proferir que você já tem "doix aninho"... E você, a brincar efusiva pelos brinquedos do parquinho do shopping, nem de longe lembra a dorminhoca linda daquele já longínquo 31 de maio de 2010... Como você cresceu...
– Mindir... Mindiiir...
Vai falando, a arrastar a fita métrica pela casa, no alto dos seus 86 centímetros (– Ela vai ficar alta, por volta de 1,72m, atesta uma avó-e-madrinha empolgada com seus "cálculos" antigos), que acabamos de "mindir", digo, medir, com a fita, no portal do seu quarto. Cadê minha "piunguinha" de 49 cm?!

É... Só me resta agora, neste final de dia especial, cantar para você, exausta, esta linda valsinha do velho Poetinha...
Menininha do meu coração
Eu só quero você
A três palmos do chão
Menininha, não cresça mais, não,
Fique pequenininha na minha canção
Senhorinha levada
Batendo palminha
Fingindo assustada
Do bicho-papão

Menininha, que graça é você
Uma coisinha assim
Começando a viver
Fique assim, meu amor
Sem crescer
Porque o mundo é ruim, é ruim
E você vai sofrer de repente
Uma desilusão
Porque a vida é somente
Seu bicho-papão

Fique assim, fique assim
Sempre assim
E se lembre de mim
Pelas coisas que eu dei
E também não se esqueça de mim
Quando você souber enfim
De tudo o que eu amei


Depois de algumas reinações na rede, você (hoje, com dois anos e um dia, e mais alta do que os "três palmos" da valsinha) sorri com alguns versinhos, bate palminha no momento exato ao da canção e vai adormecendo, feliz... Feliz aniversário, Super-Filha... Papai te ama muito...

"Danxa", meu lindo par de perninhas grossas se preparando para o mundo...


segunda-feira, 14 de maio de 2012

Dia das Mães...
E Aniversário do Pai...


Salgou! Não só a feijoada feita às pressas (qual é a diarista que vai gostar de trabalhar no dia das mães?!) como a "festa" em si: juntar as comemorações do Dia das Mães ao aniversário do Papai, com o objetivo de não separar de mim a SuperFilha (que, naturalmente, acompanharia a Mamãe no almoço com minha sogra, enquanto eu seguiria para a casa da minha genitora) não saiu como se esperava...

Todos com saúde, nenhuma briga, mas... Não sei, algo não deu certo para além do prato principal que cabia a mim servir e do "churrasco atrasado" do cunhado lerdo... Muitos ingredientes acabaram não dando "liga"...

Mas agradeço a Papai do Céu pelo presente-maior meu de cada dia, que é a minha estimada filha, e pela minha linda e amada família, que segue saudável e em paz (especialmente minha mais-que-conservada mãezinha, a Super-Vó-Dinha)! E, é claro, pelos mimos que recebi da Sogra (grata surpresa!), da minha mamã, da esposa querida (que, por sua vez, recebeu seus mimos como boa mãe que é, tanto da filha quanto do papai aqui) e, como não poderia deixar de ser, da filhona de eterno bom gosto (como ela acerta sempre nas camisas que escolhe me dar!)!

E segue a vida... E estes Diários, cada dia mais desatualizados... Mas neste superblogue, tal como no dia das mães (e do meu aniversário!), o que vale é a intenção: assim, mesmo pretérito, atualizar este espaço com notícias da superfamília é sempre bom demais! Tal como homenagear nossas santas mães... Tal como aniversariar nessa mesma data...

Mas, ao longo do dia, os esforços da Mamãe em me pajear acabaram melhorando o sabor de tudo: o delicioso bolinho de chocolate, os parabéns "em público" no improvisado salão de festas e a visita da ÚNICA amiga que se lembrou da data (tendo ainda me presenteado com vários mimos e com a sua presença, em minha casa e em adoráveis sushis ao ar livre), tudo ao lado de uma filha cada dia mais carinhosa com seu papai... É, se o começo salgou um pouco, posso dizer que o finalzinho foi... doce!


segunda-feira, 7 de maio de 2012

Tal como um quebra-cabeça...



Maio. Mês de aniversário duplo, meu e da minha filha. Mês do dia das mães (que, neste ano, caiu no dia do meu aniversário... Ou seria o contrário?). Em outras palavras: mês de festas e homenagens para todos da minha família! E, talvez mesmo por isso, mês de mudanças à vista, não só no meu caminho, por onde muita coisa terá que ser colocada em seu devido lugar (com foco, fazendo favor, senhor!), como nos passos destes humildes (e já quase abandonados) diários virtuais...

Os supervisitantes já devem ter notado o desativamento do espaço para comentários. Tal se deu por razões das mais variadas - sendo que todas elas voltam-se para um único ponto em particular, o tempo: sem tempo para visitar os demais papais e mamães blogueiros (maioria do meu público, especialmente quando se trata de um blogue dedicado a croniquetas sobre ser pai), os comentários começaram a rarear mais e mais por aqui; com os comentários raros, passei a deixar por mais tempo cada postagem no ar, com a sentida intenção de angariar visualizações e comentários de mais pessoas; dando mais tempo a esperar mais comentários aqui e mantendo um outro blogue acolá, acabei me deixando levar pelo outro, por lá escrevendo semanalmente (enquanto, por aqui, só duas vezes por mês - de agora em diante: todo domingo!); já nas últimas semanas, completamente sem tempo, resolvi encerrar mais uma temporada por lá e tentar olhar mais por estes diários tão queridos sobre minha filhota aqui; porém, ainda sem tempo e seguindo desejoso por mais visitações aqui, mas sem tempo de fazê-las a contento por aí (e temerário de continuar esperando, a interferir no número de postagens), neste mês, comentários só por e-mail (endereço na coluna ao lado). Acho que é por aí...

Mas, como este blogue costuma ser sobre minha menininha, vamos a ela: no último episódio, encontramos nossa pequena heroína enfraquecida por uma espécie de kryptonita virótica desconhecida, o que chegou a acabar até com o super-apetite da poderosa garotinha... Porém, graças a uma combinação química de muito-amor e fé-em-Deus, aos poucos a SuperFilha retomou seus poderes e já voltou à ativa! E, o que é melhor, com novas habilidades: não só o supervocabulário está cada vez mais vasto com um sem-número de incríveis repetições vocabulares, como também (e especialmente...) um supersono tranquilo latente, enfim, parece ter-se manifestado ao longo de noites inteiras, desde o início da sua recuperação - vá lá, com uma outra madrugada brevemente interrompida por um chorinho, mas não há mesmo o que reclamar: a Mamãe e o Papai aqui agradecem!

Falei por aqui em postagens anteriores sobre o prazer e a facilidade com que a SuperFilha vinha montando seus quebra-cabeças, brincadeira de que atualmente gosta muito (já está em seu décimo segundo jogo, envolvendo três caixas diferentes). Isso não só me impressiona como me deixa intrigado: como ela gosta tanto de quebra-cabeças... Talvez pelas cores, talvez por causa dos seus personagens favoritos nas estampas a montar... Não, não creio: acho que minha garotinha está mesmo crescendo - e como eles crescem rapidamente, meu Deus! Acho mesmo que se trata de um poder novíssimo em folha: com os dois aninhos batendo à porta, parece que a vida já se mostra como realmente é para ela, apesar de tão pouca idade - muitas cores e alegrias festivas no montar um grande mosaico todo dia, mas com gigantes e inesperadas dificuldades a cada instante, coisas como encontrar tempo para sentar-se com calma e montar tudo, paciência para encontrar a peça certa para "bo-botchar" no lugar apropriado e perseverança para que tudo possa se "encatchar" perfeitamente...

Puxa vida... Minha filha é uma sábia... Acho que aqueles personagens andam ensinando mais coisas a ela do que simplesmente cores e matemática... Valeu, então, "Do-ra"...!

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Ela voltou!


Pouco antes de completar um aninho, há exatamente um ano, a SuperFilha evidenciava, pela primeira vez, que também carregava os frágeis cromossomos terrestres: não só adoeceu, com uma febre forte (que variava entre 38,5 e até 41 graus, de quatro em quatro horas) por duas semanas consecutivas, tendo-se revelado os seus dolorosos exames (de sangue, fezes e urina) "inconclusivos", mas "com uma grande probabilidade para uma infecção bacteriana" – um dia e meio depois à base de amoxicilina e minha filha voltava às boas com a saúde...

Uma semana atrás, nova problemática: embalando nossa garotinha na rede ainda meio entorpecidos pelo sono às 4 da manhã (ela dorme no berço, em seu quarto, mas há noites em que o sono anda tumultuado e ela segue para a rede no quarto do Papai e da Mamãe, onde ela costuma ser embalada até pegar no sono), minha mulher me anuncia "Ela está quente... Pegue o termômetro" – ela nem precisa terminar a frase para eu já me encontrar a postos para medir a temperatura da pequena: fiquei com trauma de febre desde o ano passado, quando tivemos que nos valer de verdadeiras torturas para acalmar certos momentos de febre, como aplicar-lhe banhos gelados por sobre a pelezinha em brasa, em plena madrugada... Febre.

Nem durmo o resto da noite, após dar o antitérmico e acompanhar a temperatura se estabiliza. Desta vez, a febre acontece em intervalos um pouco mais longos, chegando a enganar em muitas vezes, com intervalos maiores (um deles chegou a quase 12 horas), como se estivesse abandonando o corpinho da filhona: ledo engano – ela não só voltava sempre como também acabou por roubar, pela primeira vez, o apetite da minha princesa... "Aguardem" – era só o que o meu cunhado e médico da família, pelo telefone, aconselhava.

– Mas não seria bom ganharmos tempo e darmos logo o mesmo antibiótico do ano passado?
– Não sabemos o que ela tem; pode ser uma virose e ela terá tomado anti-inflamatório em vão, o que não é bom, somente em última hipótese...

Cinco dias com febres regulares: levemos a uma emergência – nada evidente – exames. Coitada da minha pequenina: furá-la para retirar sangue (e mais de uma vez, tendo a técnica do laboratório muita dificuldade para encontrar a veia... Jesus!) e aplicar-lhe aquele incômodo saco colado a sua "cocotinha" para obter a urina ("a técnica botou errado e a urina vazou para a fralda; troca de novo"... Ai, ai) – resultados: inconclusivos (com a espera de mais uma semana pela frente pela cultura na urina, a fim de apurar se haveria mesmo bactérias...)! Neste mesmo dia, à noite: mãozinha puxando a minha mão ou a da mãe (quem estivesse perto) e puxando-a para a sua boquinha – "É dente", dita a avó pelo telefone, aliviada, "Há de passar logo"... Domingo, uma semana depois do início da febre, temperatura normal, enfim, graças a Deus. Mas o apetite não volta e a irritabilidade por várias vezes ao dia persiste – assim como o dedinho em sua boca (e os das nossas mãos, também – como se pudéssemos fazer algo, meu Deus...), até que...

– O que é isso vermelho embaixo da língua? São aftas?
– Sim, elas podem ter estado incubadas por todos esses dias, causando a febre, ou eclodiram só agora em função do fim de uma possível virose... – me acalmava o meu cunhado, pelo celular.

Às vésperas de mais um aniversário, no próximo dia 31 de maio, as aftas parecem reduzir-se e o apetite parece que voltou, já pedindo sua tradicional sopinha de almoço em vez dos potinhos da Nestlé ou os mingaus. Aguardando o resultado do exame de urina para levar ao médico e ver a necessidade de aplicar um remédio para os vermelhinhos renitentes das aftas que se foram. Não há de ser nada. "Coisas da idade; normal...", é o que os médicos sempre dizem... Pelo menos, no caso da SuperFilha, é uma vez por ano – e afinal: foi o surgimento de algum dente (os médicos não assumem, mas dentinhos, muitas vezes, trazem febre e mudanças no quadro das fezes de um bebê)? Foi uma virose? Foi o quê? Vai saber... O importante é que ela voltou! A comer, a sorrir, a brincar... E aos Diários do Papai: agora, semanalmente!

domingo, 8 de abril de 2012

Feliz Páscoa!


Três ovos para uma família de três (afora uns outros bombons e barras por aí...)! Tudo pelos brinquedinhos


Votos de união e paz para todas as famílias: que haja sempre renascimento de amor, não só nesta Páscoa, como sempre!

E a Filha mesmo diante de tanto chocolate, só comeu um pedacinho e não quis mais - afinal, foi sua primeira vez, e, pelo visto, ela não gostou muito, não... Graças a Deus!

sábado, 31 de março de 2012

1 Ano e 10 Meses...



Hoje, a SuperFilha, sossegando um pouco seus inúmeros passos de dança dos últimos tempos (um mais bonito e engraçado que o outro), pediu para ver o DVD Mundo da Criança, com Toquinho - coisa mais interessante este seu "pedido": ela inventou, já há certo tempo, de puxar qualquer um pelos dedos maiores até a estante que acomoda seus DVDs, em seu quarto, e profere qual ela quer ver (no caso, "Ticuuu", seu jeito de chamar o famoso cantor)!

Sempre amei Toquinho, tanto em suas parcerias com o Mestre Vinícius de Moraes, como em suas composições/interpretações solo. Particularmente, ele me emociona bastante, seja pelos belos arranjos na voz plácida, seja por estar sempre abordando o tema do tempo - "A vida segue sempre em frente/ O que se há de fazer... Só peço a você/ Um favor, se puder,/ Não me esqueça num canto qualquer...", em O Caderno ou "E o futuro é uma astronave/ Que tentamos pilotar/ Não tem tempo nem piedade/ Nem tem hora de chegar/ Sem pedir licença/ Muda nossa vida/ E depois convida/ A rir ou chorar (...) Vamos todos numa linda passarela/ De uma aquarela/ Que um dia enfim/ descolorirá", em Aquarela, só para citar dois exemplos que constam do ótimo DVD em questão.

"O tempo não pára", como diria o Cazuza, mas "o tempo parou pra eu olhar para aquela barriga" da Mamãe, durante os 9 meses da supergestação da minha pequena - e o Caetano ganhou a parada: às vezes a gente dá um jeito de parar o tempo, seja no olhar encantado diante da maravilha da vida crescendo e prestes a chegar, seja nas lembranças fotografadas na mente, em cada detalhe adorável de se lembrar...

Eu que, apesar destes mal-traçados diários (que tentarei atualizar com mais frequência), jamais fui muito de anotar cada pequena conquista da Filha, muito confiante na minha supermemória, de uns tempos para cá tenho padecido da agonia de nem tudo mais eu me lembrar - ô, tempo implacável, que confunde tanto a gente! Por isso é que hoje, no seu aniversário de 1 ano e 10 meses de vida completinhos (prefiro comemorar nos dias 31, redondos), resolvi reverenciar um sem-número de passos dados rumo ao futuro serelepe de uma criança em desenvolvimento: neste mês de março ela passou a montar sozinha seus quebra-cabeças (destinados a crianças de 2 a 4 anos) - com predileção especial pelo da Galinha Pintadinha -; já conta até 20 (contava até 10 já há um bom tempo); recita o alfabeto por inteiro - sem falar que reconhece quase todas as 26 letras! - e já ensaia suas primeiras separações silábicas do seu nome (e do "pa-paaai" e da "ma-mãããe"!); dança como nunca antes, fazendo diferentes passinhos (meu favorito é o "sambinha") e principia cantar (para a minha alegria, a música Garota de Ipanema, do Velho Vinha, abertura de uma novela televisiva)...

E assim o tempo segue sua trajetória, soprando nos ouvidos de minha pequena um monte de descobertas fascinantes... A mim, que com o tempo estou sempre lutando para me acertar, só resta abrir alas para ele passar, a carregar a bola do pai para a filha - e, sempre que puder, colocar, de fundo, uma bela canção, como qualquer uma do Toquinho: quem sabe não ganho, além de um belo sorriso, mais uns adoráveis passinhos de dança?

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Acorda, Papai!



Uma vida inteira acordando calado, lento, antes ligando a TV que falando com qualquer um, demorando um tanto para acordar (costume de dormir tarde)... E nem precisou que ela andasse em direção ao meu lado da cama e me chamasse - como ela fez hoje - ou que se jogasse da rede por sobre nossa cama (quando ela não consegue dormir em seu berço, nós a trazemos para a rede, para adormecer mais rapidamente com o embalo, especialmente agora, quando estamos lutando para que ela deixe de querer mamar de madrugada) - como ela fez na semana passada... Bastava, simplesmente, que eu ouvisse sua risadinha ao longe, quando ainda mais bebê... Bastava que a Mamãe aparecesse no quarto (elas já tendo acordado bem antes que eu: não seria justo o bonitão aqui continuar dormindo!) e ela dissesse "Pa-pá?" - ou depois, mais acertadamente, "Papai" ou, como às vezes acontece, "Dew?" ou "Dil?"...

Um final de semana que era para ter descansado e não o fiz, dormindo muito tarde assistindo a filmes e ao Oscar e acordando cedo, segundona de mau humor às 7 em ponto, com o pescoço duro e a cabeça já pesada sem nem bem abrir os olhos ainda e uma vozinha me corta toda a chatice, um despertador natural a me acordar pra valer da forma mais linda, com uma mãozinha encostando no meu braço:

- Papai?
- Oi, meu amor lindo! É pra mim? Obrigado!

Na mão direita, estendida pra mim, uma grande etiqueta de roupa com a estampa dos Backyardigans ("Ostin... Táá... Tai... Có... Bubu", respectivamente para Austin, Tasha, Tyrone, Uniqua e Pablo... "Bubu"?!), que ela tanto adora. Uma lembrança pelo fato de, na noite anterior, termos brincado de apontar para cada personagem, dizendo o nome da cada um? Uma espécie de "presente" logo no início do dia? Ou um presente em retribuição a termos brincado com aquela etiqueta dos seus personagens favoritos, na noite anterior? Jamais saberei dizer... Tudo o que sei é que, na dúvida, vou guardar este "mimo" para sempre comigo, guardando junto o que senti nesta manhã!

Também sei de outra coisa muito importante (especialmente nesta segunda de sono acumulado): não há jeito melhor de acordar...

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Felicidades!

8 comentários
- Um... Dô... Trê... Quotr... Tin... Sê... Sate... Ô... Nó... Dééé!

Mamã,

Não sei se você notou, mas eu estava contando muito mais nessa semana era pra seu aniversário chegar mais rápido: estou muito feliz!

A senhora bem sabe que já sei usar o computador - ligo, desligo, vejo o "Bobô", uso o teclado e o "ratinho" -, mas como o Papai inventou que ainda não sei digitar direito, ele está me "ajudando" agora (deixo ele pensar assim...).

Tudo bem que ainda me atrapalho um pouquinho com as letras, mas já sei dizer um monte de coisas! Por isso, hoje eu queria lhe desejar um dia especial (o Papai disse que está trabalhando para isso) e tudo que tem de bom no mundo, porque a senhora é a melhor Mamãe que existe nele (no mundo, viu?)!

"Mama" o Papai, mas, como a senhora, não tem igual (até porque ele já me deixou cair um monte de vezes e a senhora, só uma, né? Sem falar que você brinca mais comigo, e me dá "peipii", e me leva bem mais vezes pra passear, e acorda mais vezes pra me botar pra dormir...)! Bem, vou parar por aqui, senão o Papai vai ficar com ciúme!

Parabéns, Mamãe: feliz aniversário pra melhor Mamãe que existe! E esses meus versinhos são pra você:

Aaa... Eéé...Iii... Oóó... U!
Bi... Bobó... Bobô... Titi... Papá...
Mamã! Mamã! Mamã!
(E Cocó... Todos vieram te parabenizar!)

E palmas para o primeiro teatrinho da SuperFilha: "Pi", "Cocó" e Chororô nos pais babões... E um negocinho meio tosquinho... Imagine se fosse a Galinha Pintadinha original?! Parabéns, meu amor: agora corre para os Morcegos!

domingo, 15 de janeiro de 2012

Avôs e Avós:
Os que se ficam e os que se vão...

5 comentários
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Entre o Céu e o 12º andar da SuperTorre da nossa fortaleza o caminho é um doce arco-íris de recordações...
Dedicado aos bisavôs da Filha, que já descansam depois do arco-íris...


Neste final de semana, a Filha conheceu uma das suas bisavós por parte de mãe. Bom, na verdade, ela já a “conhecia”, só que isto se deu no ano passado, quando de sua primeira viagem de carro à cidade natal da Mamãe, no interior do Estado. E, como ela só tinha 6 meses de vida, pouco ou quase nada deve ter ficado deste seus primeiros contatos...

Já a sua bisavó paterna ela conhecia há bem mais tempo: desde o seu terceiro dia de vida, para ser mais exato, graças a uma visita especial da minha avó ao décimo segundo andar da SuperTorre da fortaleza. E, por esta também morar na Capital, apesar de todas as dificuldades de saúde do alto dos seus 85 anos (ela é terráquea...), sempre deu um jeitinho até mesmo de carregar a sua “fofinha” nos braços (tarefa que não durava muito tempo, graças, justamente, ao “excesso de fofura” da SuperFilha)... Hoje, depois de uma cirurgia no fêmur, a alegria e as brincadeiras jamais serão as mesmas novamente, com carinhos com a menininha à distância de uma cama... Ainda há outra avó minha que, por sofrer do Mal de Alzheimmer, jamais conhecerá minha filha...

Mas sem tristezas, que a alegria da Filha contagia a todos e a Morte ainda não lhe é algo conhecido (levará algum tempo para que expliquemos direitinho este capítulo da vida à nossa pequena...) – especialmente porque seu maior conhecimento até agora é o Amor, sentimento maior de soma numa família...

O curioso é que, na Família, as avós costumam ficar a dar adeus nas partidas dos avôs, que já se foram sem conhecer a bisnetinha superpoderosa... Mas, de alguma forma, eles sempre dão um jeito de estarem presentes, seja pela herança genética contida na nossa garotinha, seja pelos ensinamentos e comportamentos que até hoje povoam o SuperPai e a Mamãe: assim, a alegre “gaitada” do Vovô Deca (o ‘Seu’ Edson) muitas vezes se faz presente com uma alegre risada da Mamãe; e o “Capitão Sebá” (Vovô Sebastião) é constante por meio das músicas da casa e das “batidinhas” que o SuperPai dá com as mãos, acompanhando qualquer canção – seja nos braços da poltrona, seja nas grossas coxinhas da SuperFilha (quando o acompanhamento é dos seus “sucessos” infantis)!

E nesta semana, em que algumas religiões celebram o dia de São Sebastião, o meu querido avô completaria 90 anos de vida, tendo de nós se despedido há mais de 7 anos... Uma saudade que a Filha jamais terá: primeiro, porque não o conheceu; e, segundo, porque, nessa Família feliz, as pessoas amadas jamais se vão por completo – sempre deixam um mimo escondido no tempo querido para os seus... De ontem, de hoje e de amanhã...



quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Ano Novo: Vida Nova e...
Novos DVDs!



Finalmente aos poucos se revelam os poderes da SuperFilha: além da super-atenção a tudo em volta, a prodigiosa garotinha meio-kryptoniana, meio-terráquea, tem demonstrado uma incrível agilidade, capaz sumir de um ponto e aparecer em outro largamente distante do primeiro, numa fração de segundos! Isso sem falar na capacidade de subir na cama, passar para a poltrona de amamentação e esgueirar-se toda a fim de conseguir alcançar os seus DVDs favoritos!

E, numa dessas escaladas, mais uma vez ela conseguiu me surpreender: não só a danadinha pegou o seu hoje terceiro DVD favorito (já falo dos dois primeiros), A Galinha Pintadinha – que, de tão merecidamente famoso, dispensa comentários –, como também ligou o meu aparelho de ‘blue-ray’, tirou o disco da embalagem (lindos aqueles dedinhos gordinhos apertando o pino onde se encaixa o DVD no estojo!), colocou-o encaixadinho na bandeja do aparelho e se aproximou do sofá com a capa na mão, como que dizendo “E aí, não vai começar?” (conhecida fala de uma das galinhas no filminho). De queixo caído, peguei o controle, apertei os botões necessários e saí de fininho, deixando a nova dona da casa com seu passatempo favorito...

Eu disse terceiro porque, se antes este era o seu preferido (ao lado do logo em seguida ofertado A Galinha Pintadinha 2 – aguardem o terceiro, já em produção), hoje dois adoráveis palhacinhos “ressuscitados” pelo Homem do Baú (a dupla original data de 1983!), e uns bonequinhos fofinhos de espuma e cheios de música inteligente dominam o gosto áudio-visual da pequena: Patati e Patatá: Volta ao Mundo (primeiro DVD com a atual formação de artistas, os mesmos que fazem um bruto sucesso no SBT) e Cocoricó: 28 Clipes Musicais (coletânea de trechos dos programas da TV Cultura só com musiquinhas cantadas pelos lindos fantoches da fazenda mais famosa da televisão brasileira), além de muito bem produzidos, cativam a pequena ao ponto de esta ficar parada em frente à TV enquanto duram as atrações no vídeo!

Como a Filha não aguenta muito tempo assistindo nada somente com enredo (as únicas animações que ela acompanha com atenção do início ao fim são o brasileiro Peixonauta e os canadenses Backyardigans e Rob, O Robô), tem que haver muita música! Sendo assim, os palhaços que ela já adorava da TV são o seu segundo vídeo favorito (mesmo com alguns tropeços de Português nas legendas e com alguma religiosidade em certas canções, coisa que não aprecio em obras infantis – nada que importe muito para a minha garotinha), perdendo apenas para a turma do Júlio, cujo DVD compila algumas das deliciosas composições do genial Hélio Ziskind (o mesmo mestre de outro clássicos da Cultura, como “Banho é bom”, do antigo Castelo Rá-Tim-Bum), famoso por criar longas letras em melodias que servem, na maioria das vezes, mais para acompanhar a longa história contada (vide o exemplo do cultuado “E se...”, com o porquinho Astolfo, ‘hit’ da ‘internet’) ou por brincar com experimentações nas letras (“A Banda do Zé Pretinho”, por exemplo, usa e abusa das referências aos instrumentos de percussão e ainda reverencia Jorge Ben Jor), apesar de algumas canções no estilo tradicional (como as lindas composições “Chuva, chuvisco, chuvarada” e “Baião Balaio”, além de reformulações como as da “Velha a fiar” e de sucessos antigos de marchinhas).

O amor (e a obsessão!) pelo DVD de Lola, Lilica e Zazá (mais galinhas fofinhas para a criançada, além da já famosa Pintadinha!) é tanta que minha filha não dá nem “bom dia”; já diz “cocó” (o jeito que ela tem de chamar “Cocoricó”)! E, ao longo do dia, diante da primeira sensação de tédio, lá vem a sugestão:

–Cocó?
– Não, filha: Cocó, não! Você viu há duas horas o vídeo inteiro, de mais de uma hora de duração! Só amanhã!

Depois de algum charminho ou de alguma birra chantagista bem rápida, ela vai e se engraça com outra coisa e a gente rola pra frente: a Mamãe e eu não gostamos de deixá-la assistir a muito tempo de televisão – embora admitindo que, num apartamento, fica difícil afastá-la da velha “máquina de fazer doido” enquanto não a levamos para o ‘playground’ do condomínio logo cedo da manhã ou à tardinha.

Ela ainda possui A Turma do Balão Mágico (do meu tempo...) e Bebê Mais: Música (que ela chama de “Cacá”, por causa do macaquinho da capa do vídeo), mas, mesmo ela vendo cada um destes títulos de vez em quando, não estão entre os seus mais queridos – e nisso concordo com ela: o primeiro é pessimamente produzido, com imagens envelhecidas de alguns clipes jogados da antiga turma da Simony; já o segundo, mesmo com toda a apresentação cheia de explicações (uma narradora explica, na introdução da série e no final, que se trata de um trabalho desenvolvido por educadores, altamente instrutivo, com todo um "blá blá blá" que não interessa muito para os pequenos, a não ser para pais mais nervosos com Educação), jamais me agradou com seus fundos pretos (ou totalmente brancos) sem cenários e com cenas desconexas a mostrar brinquedos manipulados por mãos e fios... Colocasse mais vida e uma melhor edição, com mais sequências com crianças ou com os bichinhos personagens da série (um macaco, um cachorro, um jacaré, uma galinha e uma oncinha capengamente manipulados) e facilmente superaria a sua "fonte de inspiração", Baby Einstein (da Disney) – e Isabela iria realmente adorar!

O vídeo que ela ganhou no Natal, Toquinho no Mundo da Criança, ainda está em fase de "apresentação" (ela vai gostando aos poucos deste belíssimo DVD com animações premiadas sobre músicas do famoso compositor) e ainda é cedo para falar de futuras “adorações”, mas creio ter sido feliz nesta última escolha, especialmente porque se trata de um dos meus cantores/compositores favoritos, com um largo 'background' ligado às crianças. O certo é que ela seguirá faceira com suas habilidades motoras cada vez maiores e agílima como um raio por entre os pouco mais de 65 metros quadrados do apartamento, parando por completo, como que hipnotizada, somente quando um dos seus vídeos favoritos for colocado para rodar... De preferência, por ela mesma e seus dedinhos cada dia poderosos!

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