sexta-feira, 31 de maio de 2013

Parece que foi ontem... Dora e eu!



Ainda me lembro, como se fosse hoje, de quando a Vovó-Dinha deu de presente de Natal para a minha menininha de então 7 meses o DVD Galinha Pintadinha: amor à primeira vista, aquelas imagens de desenho animado simplista, cantado com algumas das mais clássicas cantigas de roda brasileiras, arrebataram de imediato a pequena, sendo então as primeiras imagens televisivas com que mantinha contato direto... Algum tempo depois viria a paixão pela dupla de palhaços Patati e Patatá, nas manhãs do seu primeiro aninho, no SBT, e, com o programa, alguns novos encantamentos, como a animação igualmente brasileira Peixonauta, que faziam com que, todo santo dia, aquela garotinha acompanhasse a televisão com contínuo interesse por pelo menos uma hora por dia  afora, é claro, os ocasionais pedidos de repeteco do já idolatrado DVD da Galinha...

Todas aquelas atrações de despertar áudio-visual da minha filha também agradavam milhares de outras crianças e, não por acaso, transformaram-se em fenômenos culturais de vendas de discos, brinquedos e inúmeros outros produtos licenciados. E eu, sempre que possível, fazia-me presente na poltrona ao seu lado assistindo a todos aqueles desenhos e vendo quais os mais apropriados a sua idade  ocasião em que passei a pagar TV por assinatura a fim de que aquele pequeno leque de atrações televisivas infantis se abrisse num maior número de opções de qualidade. E isso no Natal de 2011, "no alto" do seu 1 ano e 7 meses, época em que lhe foi apresentada uma especial moreninha, bem parecida com ela...

Dora, A Aventureira, produção norte-americana para crianças pequenas (em fase pré-escolar) sobre as aventuras de uma sabida garotinha latina (seria mexicana?) de 7 anos de idade numa espécie de floresta encantada, de início não empolgou muito a SuperFilha, que na época se ligava mais em outras atrações (e da grade do Discovery Kids), como Backyardigans, Rob O Robô, VelozMente e Mister Maker. Porém, com o tempo e com as repetidas (e põe repetidas nisso!) exibições dos mesmos episódios e interações da personagem com a minha garotinha, sempre a pedir que a criança repita algo em casa para "ajudá-la" em algum momento do desenho, aos poucos a SuperFilha não só passou a gostar de interagir mais com o que via como também adquiriu uma boa variedade de conhecimentos – especialmente porque a tal aventureira-mirim ensina várias palavras e pequenas frases em Inglês (no original, em Inglês, Dora ensina Espanhol para os ianquezinhos) ao longo das inúmeras exibições durante a programação diária do canal Nick Jr.

Tenho que confessar que, de todos os desenhos, Dora, A Aventureira é o que menos gosto: afinal, uma menina que sabe tudo e (quase) nunca vai à escola, mal vê os pais ou avós (ausência de responsáveis), apenas passeando o dia inteiro no meio do mato (essa é a visão que o pessoal dos EUA têm do povo latino: vivemos numa floresta?!), a conversar com estranhos (pessoas ou animais - mau exemplo!), vivendo aventuras "fantasiosas" sem pé nem cabeça e a repetir mil vezes o que fez e o que vai fazer nunca me pareceu o melhor dos programas! Cada episódio segue a mesma fórmula: Dora e um amigo (geralmente o Botas) se apresentam; um "problema" acontece com alguém (pessoa ou animal); um mapa mágico diz os lugares para onde ir; Dora e cia. seguem viagem, sem pedir para os pais nem dar satisfação pra "Seu Ninga"; e haja pedir "opinião" ou "ajuda" aos pobres e pequenos telespectadores... Ah, e ainda tem o Raposo (pra mim, o personagem mais interessante: "Puxa, vida"!), um ladrãozinho que aparece para atentar e bagunçar um pouco as coisas! Sem esquecer uma mochila cantante que guarda mais coisas que a bolsa da Mary Poppins, algumas criaturas que só falam Inglês e um trio de insetos 'mariachi' que tocam uma musiquinha a cada "fase" completada pelos protagonistas, até que estes cumprem sua "missão" e cantam, comemorando, SEMPRE: "Conseguimos! Conseguimos! Yeah: we did it!"  e ainda vão recapitular tudinho de novo com as pobres crianças!

Tudo bem, os pequeninos gostam (e precisam) de repetição para estimular e facilitar o aprendizado, mas isso, por si só, não torna uma animação melhor ou pior - e a da Dora é fraca por inúmeros outros aspectos! E quanto ao ensino de coisas importantes, como noções de Matemática, acho que a animação Equipe UmiZoomi se sai bem melhor, por exemplo... Mas e quem foi que pediu a minha opinião? O certo é que a atração é febre tanto nos Estados Unidos como aqui no Terceiro Mundo latino, das meninas moreninhas, de olhinhos vivos e graúdos e cabelos lisinhos e bem pretinhos... Opa, e não é que a Filha é mesmo bem parecida com aquela personagem?! Foi graças a uma camisetinha que dei a ela que, depois de até estranhos nos abordarem na rua a perguntar onde havíamos feito uma camiseta com o desenho da minha menina, que fui percebendo isso... Nem preciso dizer que, na segunda festa que lhe dou de aniversário (a primeira foi com 1 aninho, com o tema "Jardim"), ficou fácil para ela escolher o personagem temático (apesar de, vez ou outra, ainda pedir pra olhar ou ouvir a penosa azul): - Você quer uma festinha com a Galinha Pintadinha ou com a Dora, A Aventureira?  Com a Dora, isso!!!

E hoje, "do alto" dos seus 3 aninhos, fico a relembrar este mês de maio que hoje se encerra, onde a preparei, a cada dia (O seu aniversário está chegando... E vamos ter uma linda festinha com a Dora...), para esta sincera celebração em homenagem à sua vida, à sua saúde, à sua graça lúdica como a de um personagem de desenho animado, a repetir o que de melhor a vida guarda em sua pureza e a mostrar o quanto pode ser aprendido a cada instante... Olha, só, filha: hoje é dia 31 de maio e a Dora veio comemorar com você seu aniversário! E para alguém que dizem ser tão parecida com a personagem animada (embora a Vovó-Dinha faça sempre questão de dizer que é "beeem mais bonita"!), nada mais apropriado que, em meio ao vestido novo, de "mocinha", comprado especialmente para a ocasião, minha menininha surja com a roupinha da Dora (nada mais simples: camiseta rosa, calções laranjas, meias amarelas e tênis... da Dora!)  ideia de um pai babão que entra na animação e vira personagem repetitivo na hora que ela quiser... Feliz aniversário, minha doce aventureira Isabela!

sábado, 18 de maio de 2013

Leite de Marmota


A SuperFilha, tal como já noticiado por aqui, passa por “fases” – e nós, seus pais, muitas das vezes a passar as mãos em sua linda cabecinha, assim tachamos tudo em volta destes misteriosos momentos com os quais “nada podemos fazer”: “é fase...”!

Uma destas “estações” dizem respeito à cruel insistência que estes pequenos seres têm a fim de conseguirem o que querem – e graças a Deus que a nossa menininha não apela sempre para as birrinhas! Mas o mero “quer isso”, “quer aquilo” fora de hora cansam ao ponto de, algumas vezes, cedermos a um ou outro capricho.

Mas como na maioria das vezes ‘não’ é ‘não’, mesmo, resta à supergarotinha apelar para a sua então iniciante retórica – e, como suas argumentações ainda passam pela aplicabilidade de sentenças previamente estabelecidas, nem preciso dizer o quão engraçado foi ouvir, noutro dia, o quanto personagens educativos como Equipe UmiZoomi podem ensinar muito mais coisas do que possam imaginar:

– Danoninho... – arriscou a sempre gulosinha Filha diante da sacola de supermercado entreaberta que eu acabara de deixar sobre o balcão da cozinha.
– Não, filha: você sabe que não é hora! Você não vai tomar Danoninho agora, que já pe quase hora do jantar...
 Vamos usar o poder da Matemática para tomar Danoninho...?

A fase que mais aprecio, porém, é mesmo a do "não" – até para coisas que ela costuma gostar ou querer, quando oferecidas, muitas vezes são prazeirosamente negadas pela menina com um delicioso sorrisinho na face...

Nisso, para deixar a preguicite de lado depois de um cochilo da tarde, na ausência de iogurte (estava por ir ao supermercado para comprar a bandejinha da semana), o jeito mesmo foi apelar:
 Você quer... Banana com kiwi? – perguntei.
 Não qué...!
 Você quer... Suco de laranja? O Papai faz pra você...
 Não qué!
 Você quer... Leite de marmota?! – no que seus olhinhos fixaram o meu em silêncio, por alguns segundos surpresa com a pergunta, e...
 Qué! Qué 'lete de mamota', qué...

Puxou meu dedo com força para eu deixar a cama junto dela e, apressadamente, conduziu-me à cozinha, ávida pela mais nova iguaria – no que eu tive que apelar pela segunda vez:

 Só tem um pouquinho, que o Papai vai misturar no suco de laranja e na banana amassada com kiwi pra dar um gostinho... Mas Papai vai comprar mais pra você, depois, no supermercado...

Marmota pouca é bobagem: de matar de rir quando contei para a Mamãe... Isso ainda vai acabar em algum código de família delicioso de ser lembrado...

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Era uma vez...
Muito tempo atrás,
Vindo de uma galáxia muito distante...



- Será que a SuperFilha voltaria no tempo para perguntar àquele garotinho que super-herói ele realmente gostaria de ser quando crescesse...?


quinta-feira, 9 de maio de 2013

Meninas X Meninos


- Sim, Filha, é diferente... Mas você verá que os universos muito mais se cruzam (ou deveriam cruzar-se) do que parece - especialmente na doce fase lúdica das brincadeiras da infância...

Creio nem ser necessário principiar esta croniqueta a refletir por sobre o eterno binômio Homens versus Mulheres, uma vez que inúmeros trabalhos psicológicos, ensaios antropológicos e filmes sobre as diferenças entre os sexos já foram feitos de forma bem mais aprofundada e interessante - até novela global já fez sucesso duas vezes (e em diferentes épocas) com este mesmo tema! Introduções científicas à parte, resta o lado lúdico e gostoso para trabalhar agora (justamente o interesse maior destes Diários), escrever sobre o universo da eterna "rivalidade" entre meninos e meninas...

Acho que a maioria dos leitores que ora me honram com suas fatigadas retinas, ao menos uma vez na vida, já brincou de "Menino pega Menina" - sim, aquela versão de Polícia pega Bandido em que se mediam as capacidades de cada sexo em estratégicas perseguições pelos recreios deste Brasil de meu Deus, onde os perseguidores literalmente caçavam as fugitivas para colocá-las numa prisão... Claro que, em meio ao interesse puramente infantil da diversão, começavam ali a rolar as primeiras boas sensações do prazer do contato com o sexo oposto: e, assim, numa "apreensão" de uma garotinha no auge dos seus 8, 9 ou 10 anos, nós, os garotos, sentíamos o cheiro bom dos cabelos delas ou simplesmente pegávamos, num leve relance, nas mãos das nossas incautas capturadas - com tudo claramente disfarçado, uma vez que, até aquela ideda, meninos e meninas são inimigos naturais!

Claro que também havia a versão contrária, onde os meninos éramos perseguido pelas meninas. E é justamente sobre essa "inversão" que eu mais queria me debruçar: afinal, nessa hora podíamos jurar que as garotas, meio que se "vingando", muitas vezes se tornavam mesmo agressivas, talvez numa exposição até inconsciente de uma superioridade física ainda que momentânea - Ah, seu menino machão, e agora? E haja bordoadas no caminho para a "cadeia", especialmente quando alguma garota conseguia me capturar (eu era o mais rápido da turma, sempre lutando para esconder meus superpoderes em formação...)! Ah, o gostinho de estar do outro lado... Especificamente no microcosmo de uma brincadeira que invertia os polos forte e fraco, tal como se dava quando os "bandidos" pegavam os "policiais", as meninas pareciam gostar daquele momento de bancar a personagem opressora e mais forte do jogo...

E por que não mudar de vez em quando? Se o caráter lúdico é o elemento mais forte da infância, por que não permitir o acesso da gurizada ao universo alheio? Eu tiro pela SuperFilha, que convive e brinca com miniaturas de carrinhos e action figures (jeito meio adulto e metido à besta de chamar os velhos bonequinhos comprados pelos marmanjos) de inúmeros super-heróis aqui em casa e nem por isso perde sua feminilidade em formação por isso - quem disse que tudo dela tem que ser cor-de-rosa? Graças a Deus a Mamãe também pensa assim e com isso evita, inclusive, que criemos uma "SuperPatty", onde o rosa e as Barbies predominam... E nesses plúmbeos anos de celebração do bullying, eu me lembro de ter sido, na infância, muitas vezes ridicularizado por assistir, nos meus áureos 12 anos de masculinidade à flor da pele, os desenhos animados da Turma da Mônica - coisa de menina? Jamais!

O engraçado é que se o fato de ser amigo de meninas na infância parece "preocupante", na juventude é uma delícia para qualquer rapazola que quer aprender mais sobre o universo feminino que, em breve, conquistará! Ou, ainda, se uma garotinha é injustamente tida como "molequinho" e anda de skate e sobe em árvores com os meninos, talvez ela cresça uma mulher bem mais segura de sua sexualidade do que muitas patricinhas por aí - afora sagrar-se uma grande mestra sobre as galhardias do mundo masculino! E ainda, eufemisticamente falando, em tempos de acirradas discussões sobre "meninos que gostam de meninos" e "meninas que gostam de meninas" (explicarei isso no momento oportuno, filhona), nada mais apropriado que eliminar preconceitos desde cedo e tentar jogar por terra o sexismo da indústria infantil a fim de erguermos, amanhã, uma sociedade menos dividida e estereotipada: afinal, eu posso usar uma camisa rosa, minha filha pode curtir meus bonequinhos e carrinhos ao lado de suas Princesas da Disney sem ninguém se arranhar com isso... E, por fim: o que tiver que ser, será - independentemente de uma brincadeira com o "outro lado"! Quer saber? Vou deixar que essa linda e esperta garotinha fale por mim...



Seguidores

 

Diários do Papai Copyright 2008 All Rights Reserved Baby Blog Designed by Ipiet | All Image Presented by Tadpole's Notez