sábado, 22 de março de 2014

Porque eu vou chamar meu filho de... Filho!


 Que bonito o nome da menina... Combinando com o da SuperFilha! Mas... Mas e o nome do menino? Vocês ainda não escolheram, né?
 Pois é... O tradicionalista Papai aí quer porque quer seu nome no garoto...
 Júnior?! Ah, não gosto: todos só o chamarão de Júnior!
 Júnior, não: Filho...!

A Vovó-Dinha, arteira que só ela, resolveu fazer uma decoração especial para o Chá dos SuperBebês: assim, além dos tradicionais balões e gulodices femininas (mulher: público-maior destes eventos), ela criou lembrancinhas cheias de charme em potinhos que lembravam sapatinhos de bebês e um painel onde ficariam os nomes dos meus futuros pimpolhos. Para tanto, encomendou tules, TNT e letras de EVA numa loja de festas no Centro da Cidade, território onde ninguém sequer consegue uma vaga para estacionar! Chegando ao recinto e solicitando a encomenda, eis que a balconista grita o meu nome para a outra atendente, questionando se as letras já estariam prontas, no que a jovem responde que sim, novamente usando o meu nome  Que coisa...  pensei  minha mãe deve ter informado quem viria pegar as letras... Isso até eu perceber que não se tratava do meu nome, mas, sim, do meu filho!

Pela primeira vez eu ouvia da boca de alguém de fora da família o nome que sempre sonhei, desde que me entendo por gente, em dar ao meu primeiro filho: o meu próprio nome  e confesso que isso me emocionou bastante! O "nome do pai" no primeiro "menino-homem"... Quis o destino, porém, que minha primeira cria fosse a SuperFilha: então a tradição teria que se desdobrar para a posteridade. Casalzinho confirmado na barriga, um deles, no meio de tantas garotas, certamente carregaria o meu nome! Mas isto se uma verdadeira "vilã" não se interpusesse no meu caminho, a defenestrar aquele sonho de longa data  e uma daquelas acima de qualquer suspeita, que ninguém nem pode imaginar... A Mamãe!

Não, ela não acha o meu nome feio a ponto de não querer que a criança herde tal "maldição":ela até afirma gostar muito dele! Mas sempre lutou veementemente contra a minha ideia afetuosa de auto-homenagem com um único argumento: Cada um tem que ter seu próprio nome, com sua personalidade  ao que ela costumava acrescentar sobre o "enorme inconveniente" que seria ao, quando alguém ligasse, ter que perguntar: O Pai ou o Filho?... Francamente! Entretanto, por mais pífias que fossem tais "teorias", elas acabaram funcionando no seu intento opressor: tal como uma kryptonita, a contínua exposição a estas conversas contrárias ao meu sonho, com o tempo, foram enfraquecendo aquela minha antiga vontade ao ponto de eu cogitar uma "enquete" entre amigos para a sugestão de um outro nome  no que ganhou "Filipe", nome do príncipe de A Bela Adormecida, conto que a Filha adorava "ler" quando menorzinha...

Mesmo sendo o nome menos querido entre os votantes (ficou em último na preferência!), ignorei as "inimigas" votações e assim determinei para que fosse colocado nos convites do Chá dos Gêmeos: SuperPai Filho (identidades secretas preservadas, claro)! Isso mesmo: o meu nome, acrescido do Filho, prevaleceu! Encorajei-me ao ouvir palavras de apoio de amigas da família que, tendo ou não filhos com os nomes dos seus respectivos cônjuges, deram-me força e, aos poucos, restauraram em mim a fé naquele elo em que eu tanto acreditava: justamente essa ligação de raiz com o meu passado, quando tanto sonhava em ter um filho que seria meu amigo e parceiro de mil e uma aventuras entre os gibis, DVDs e miniaturas automobilísticas e super-heroicas de minhas coleções, elo este um tanto colocado pra escanteio, com o tempo, graças ao universo feminino reinante desde o surgimento da primogênita  que, por sua vez, apesar da adoração das Princesas, tiaras e vestidos, também adora todo este universo e já sabe de cor dizer quase todos os nomes dos personagens da Marvel...

E agora, com mais uma mocinha a caminho (irmanada em nome, por sua vez, com a mana mais velha), nada mais centrado e correto do que o meu sidekick mirim vir com a herança do meu nome antecedendo-o! Não como uma forçada "continuação" minha, para que ele venha a realizar coisas que me frustrei em fazer  jamais vi um filho desta forma egoística! Mas, sim, para, ao vê-lo crescer, tornando-se um homem bem melhor do que eu fui (para isso os pais são feitos), eu possa ter orgulho de, literalmente, chamá-lo simplesmente de "Filho"... Ei, nunca havia pensado desta forma e acabei me emocionando bastante ao escrever  acho que foi assim que consegui "dobrar", aos poucos, a Mamãe! Bem que eu poderia ter dito isso no meu improvisado discurso no Chá dos Bebês...

Ah... E o Chá?! Foi muito bacana: além da linda decoração, deliciosos creme de galinha, chocolate quente e bolo de maracujá gentilmente fornecidos pela Sogra, 80% de presença (e, por conseguinte, dos mais que bem-vindos presentes da lista da loja especializada) e muitas fraldas para os primeiros meses dos pequenos a caminho (chega de RN ou P: agora, a "Campanha Gêmeos Esperança" segue aceitando doações tamanho M, ok?)  Mas nada de brincadeirinhas, viu, Tia Perloca?  deixava bem claro uma muito disposta Mamãe! E os meninos? Com sete meses e meio na cabeça e com uma incansável dupla de sapateadores no barrigão (parecem até os colegas do Gene Kelly que a Filha tanto gosta!), sendo o garotão maior, com aproximadamente 2 kgs bem distribuídos em seus 40 cm de emocionante ultrassom! Realmente, emoção é o que não falta na vida deste Papai agora triplamente babão e de "nome forte" e continuado...

sexta-feira, 7 de março de 2014

Com os poderes da anti-folia...!


"– Olha, Mamãe: igual à Carmen Miranda..."

Noutro dia, lendo um artigo onde se discutia sobre a vaidade dos pais no ato de levar seus filhos para o carnaval, eu refleti sobre minha tenra infância: vindo de “distantes terras kryptonianas”, onde jamais se viram festas como a do carnaval, e jamais afeito a grandes folias “terrestres”, o máximo que me atraía na Festa de Momo eram as brincadeiras de molhar ou sujar (às vezes, os dois ao mesmo tempo!) com os amiguinhos na rua ou a farra com os primos que dormiam na casa de minha querida avó, já falecida, enquanto nossos pais pulavam nos bailes dos hoje extintos clubes recreativos da Capital... Mas minha mãe, a Vovó-Dinha, pensava diferente: entocava-me numa fantasia, geralmente feita por ela própria, e sempre me arrastava às antigas “vesperais”, aqueles bailinhos para os pequenos que eram então febre, nos anos 80.

Nada era forçado, claro, de se deixar bem claro nestes tempos tão politicamente corretos... Mas tirando o lúdico de vestir a fantasia, parte que eu apreciava bastante (minha favorita foi a do He-Man, numa época em que sequer existia fantasia do personagem à venda!), não foi difícil perceber, com o passar do tempo, que o ato de me levar para o carnaval e, consequentemente, de me converter num folião, sempre foi bem mais atrativo para ela do que para mim, normalmente meio perdido como um tristonho Pierrot em miniatura entre aquele mundaréu de serpentinas e confetes sujos do chão (que a meninada recolhia a esmo) e de crianças desconhecidas, poucas delas aproveitando, de verdade, a folia...

Hoje faço a mesma reflexão em relação à SuperFilha: não, eu não a arrastei para nada... Mas a Mamãe, foliã de carteirinha nos tempos da adolescência, meio que seguiu os mesmos passos da minha “velha” e tentou ver revelada a alegria carnavalesca da nossa filhota! Assim, levou-a duas festinhas: uma realizada aqui mesmo no condomínio, no "domingo magro", com uma feijoada mais com cara de confraternização do que de festa carnavalesca (onde minha pequena foi devidamente paramentada de “coelhinha”), e a outra, num shopping local, no “sábado gordo” (onde a fantasia da vez foi a de “bailarina”, reaproveitamento da bela indumentária usada na apresentação do balé do ano passado). E, apesar da inicial agitação, no meio de ambos os “bailinhos” a Filha só demonstrou o que eu já suspeitava: herdeira dos meus “genes kryptonianos”, mostrou-se igualmente distante de toda aquela agitação, com o poder da "anti-folia" e chegando mesmo a desconcertar-se quando uma irritante espuma era jogada em seu bracinho por um foliãozinho distraído...

Mas nem só de folia vive um feriadão de carnaval: explicar para a mocinha que a maioria dos locais de recreação está fechada nesta época tem que apresentar um paliativo... Assim, uma praia, ainda que cheia e não tão limpa como se gostaria, ainda é uma boa opção ao ar livre, com muito protetor solar e muita água de coco – ainda que "surrupiado" do canudinho da coleguinha da barraca ao lado! Ah, e um bom vídeo em casa pode salvar a lavoura: não, nada mais de Galinha Pintadinha e outros quetais "infantis" e "ultrapassados"! A onda agora é ver (e rever e rever e rever...) sequências de Cantando na Chuva e Mary Poppins, diretamente da coleção de DVDs do Papai! O legal é que, desta vez, não dá para enjoar as cenas e canções repetidas à exaustão... Sem esquecer o bom e velho desfile de carnaval pela TV, onde inúmeras figuras multicoloridas são rapidamente reconhecíveis por uma menina cada dia mais esperta e antenada!

Não digo que não existam crianças animadas – a SuperFilha mesma gosta muito de dançar e de imitar as coreografias que aprende com seus DVDs da Palavra Cantada ou do Hi-5 – passando bem longe, é claro, de horríveis danças adultas e de péssimo gosto que alguns pais ainda permitem que seus inocentes filhos repitam... Mas não se animou numa festinha carnavalesca, a não ser pelos raros momentos de jogar uns confetes nalgum coleguinha! Descobri que há, nos pais, essa espécie de desejo latente em ver seus filhos aproveitarem a vida ao máximo e de jamais perderem as “oportunidades” de se divertir – incluindo aí a maior festa popular brasileira! Democrata como sempre fui, jamais insistirei com qualquer um dos meus filhos para que faça ou deixe de fazer qualquer coisa que não seja do seu mais completo interesse. A Filha até aprendeu Mamãe, Eu Quero e Tico-Tico no Fubá, mas de carnaval, mesmo, só as fantasias – das quais ainda estou devendo a da Galinha Pintadinha...

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