sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

"De-Dééé..."

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– Paaa-paaaai...
– De-dé...
– Paaaa-paaaaai...
– Da-dáá...
– Tu achas mesmo que ela vai falar "papai" antes de "mamãe"?!

Minha Filha ainda não fala, apenas "conversa" ocasionalmente, sempre reagindo a tudo em sua volta, volta e meia chegando a combinações do tipo "da-dá" ou "de-dé"... Por isso tento aproveitar a fonética focada para o "a" em "papai" e finjo, de vez em quando, que sua primeira palavra já surgiu "– Vocês viram só?! Ela falou 'papai'!", mesmo sabendo que tudo não passava de mais um "dá-dááá"... Já cheguei até a brincar que se tratava de um bebê bilingüe e ela já se referia a mim em Inglês, com seu "daddy, daddy"...

Mas nós falamos por ela e conversamos sobre os mais variados assuntos, sempre com ela participando ("Ááááá... Ééééé... Dééé-dééééé...")! Eu, em especial, que até canto para a minha menina dormir, sempre mantenho com ela os mais variados diálogos: os sonhos do Papai (lançar meus livros por uma editora nacional – e, quem sabe, ver a observadora Filha também virar uma escritora, e muito melhor, tão observadora que é!), que, por sua vez, passam pela eterna amizade que quero ter com ela (ela já é minha melhor amiga... – sem dúvida, nosso maior amuleto sempre será a união!); os sonhos bons advindos de obras maravilhosas, que quero tanto lhe mostrar (sambas, bossas e chorinhos antigos, cheios de melodia de uma época maravilhosa; livros cheios de fantasia, como os da série O Senhor dos Anéis e os do Monteiro Lobato; e aquelas adoráveis e clássicas animações da Disney, DVDs com que já loto suas prateleiras numa espécie de "pré-coleção"...) e os sonhos ruins de que queremos fugir (as perseguições estranhas de alguns pesadelos do Papai e os sustinhos que acordam a filhinha no meio da noite no bercinho, para onde corre o SuperPai ao resgate: afinal, um super-herói não tem medo de nada!)... Enfim, mostrando a beleza e a graça da vida e de um mundo cheio de regras e de obstáculos que ainda vêm pela frente, sobre os quais ela vencerá com a força de Deus e de seus amados e amigos pais, com a responsabilidade de uma menina que sempre nos encherá de orgulho (já até falei para ela de uma frase de que gosto muito: "Ao chegar, dê boa noite; ao sair, apague a luz"!)...

Mas gosto mesmo, nas conversas com minha menininha, é de provocar a Mamãe, que sempre está por perto, sobre o fato de que o nome "papai" virá primeiro naquela linda boquinha:"– 'Tá vendo, só, Filha, como Papai é bacana?! Brincou com você a tarde toda, comprou esse brinquedinho lindo hoje... Por isso, meu amorzinho, neste você pode confiar! E não se esqueça destes momentos mágicos na hora de dizer sua primeira palavra... Que será 'Pa-paaai'!"... Ao que ela responde, num breve gritinho, sem pestanejar:

– Dééééééééééé!


Esta foi a forma carinhosa de responder, sem sair do tom do blogue, às "regras" do selinho (ao lado) que, carinhosmente, foi-nos ofertado pelo Vamos Preservar (veja lá as regrinhas de como participar!), da Carol M, uma antenada mamãe preocupada com o meio-ambiente! Para indicar mais blogues, cito os seguintes: o divertidíssimo Lulu não dorme; os lúdicos Tutitati e Inventando com A Mamãe; os sempre cheio de novidades Blog da Clauo, Retrato Falante e Pep e Gui; e para os cheios de sentimentos Transmimentos de Pensações e A Nossa Alegria

sábado, 22 de janeiro de 2011

Duas Primeiras Semanas

12 comentários

Ainda me lembro dos primeiros dias de nascida de minha Filha: grande (3,580kg e 49cm) e com o rosto bem desenhado, já lembrando o meu (de verdade: nada daquelas carinhas amassadas que alguns bebês apresentam nos primeiros dias, alimentando o chato mito das "carinhas de joelho"), minha garotinha, graças a Deus, nunca teve cólicas e nenhum problema de saúde enfrentou até hoje (a não ser duas febrículas derivadas de vacinas)! Mesmo assim, as primeiras duas semanas são muito difíceis para um pai e uma mãe de primeira viagem: a nova rotina do acordar várias vezes para dar de mamar - e os conseqüentes 15 minutos para o arroto chegar; as feridas nos mamilos (aconteceu com a Mamãe); as primeiras trocas de fraldas... Sem dúvida, tempos de doce, porém duro (e cansativo) aprendizado...

Mas eu estava lá, sempre: mesmo com minha mulher tendo-se mudado para o quartinho da Filha, eu deixava a porta do meu aberta para que, diante de qualquer chorinho, eu lá estivesse de prontidão! E só não dava de mamar porque biologicamente impossível, mas atuava nas onze e vi várias vezes o dia amanhecer... Lindamente cansativo com minha princesinha nos braços...

Porém, passadas as tais "duas semanas", numa noite fechei a porta do outrora "nosso" quarto de casal e senti, no dia seguinte, olhares de reprovação... O mesmo se sucedeu nas noites posteriores, até que, num café da manhã...

- Engraçado, né? Antes era uma prontidão, um "SuperPai" de verdade! Agora fecha o nosso quarto pra nem se perturbar com o choro! O que aconteceu? Kryptonita?!
- Mas meu amor, como voltei para o escritório, as "noites de terror" do sangramento nos mamilos já se normalizaram, e já passou o deus-nos-acuda da aflição inicial, eu me deixei levar pelo cansaço e procurei dormir um pouquinho mais...
- E eu não tenho essa regalia, né?
- Claro que não, amor: você dá de mamar; eu, não... Ou você queria que eu acordasse toda madrugada só pra botá-la para arrotar?
- Seria bom: eu ganharia 15 minutos de sono extra...

Nem preciso dizer que a conversa, além de ter gerado nosso primeiro desconforto pós-parto como casal, também alimentou uma polêmica que se arrastou até pouco tempo atrás: a falta de "apoio" depois das duas primeiras semanas e as "mudanças" do tipo "igual a todos os homens"...

Ao me intitular "SuperPai" neste blogue, em nada queria me auto-promover como um pai acima da média; tampouco criei este espaço para um "altar de gabolices", onde as mamães virtuais (vez que os "papais virtuais" são peças raras!) ficassem a me ovacionar (juntamente à minha mãe, a fiel "Vovó" de todos os comentários!), muito pelo contrário: a idéia maior sempre foi homenagear minha garotinha e levar, por meio de croniquetas leves e divertidas, alguns conhecimentos acumulados nesta "árdua primeira viagem" (por isso a brincadeira com o "super")! Jamais neguei falhas e egoísmos que um homem acaba desenvolvendo, uma vez que certas missões são femininas, como a amamentação! Por isso, sempre procurei contornar faltas de atenção aqui e ali com amor, carinho, compreensão com as "noites planejadas" geralmente convertidas em sono pesado da mãe em meus braços e alguns momentos de retomada do poder de ler a mente dela e correr pra perto na hora de sentir um "Larga essa televisão e vem me fazer companhia no quartinho dela, que estou sozinha dando de mamar!"... Enfim, poderes que aumentam ou diminuem com os dias humanos de qualquer pai falível...

Na verdade, na união do dia-a-dia (coisa que adoro), não sou tão super assim; elas, muito mais que eu... Pois que acabamos sendo uma "superfamília": além de mim, jamais poderia esquecer, sempre à frente, a SuperMãe e a SuperFilha!

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Dorme, dorme, dorme...

22 comentários

"Ah, esse cara tem me consumido..." Não! "De tudo que é nego torto Do mangue do cais do porto Ela já foi namorada..." Nem pensar! "Quando nasci veio um anjo safado, Um chato dum querubim, Que decretou que eu tava predestinado A ser todo ruim" Xô, mau agouro! "Hoje sou folha morta Que a corrente transporta, Ó, Deus, como sou infeliz..." Cruzes! Definitivamente, minha seleção de canções não era, naquele momento, a melhor indicação para cantar para a Filha dormir... Depois de Caetano, Chico e Ari, até tentei lembrar o 'score' infantil do Vinícius, especialmente as delícias musicais de A Arca de Noé, mas só A Foca se figurava na mente, vindo a reboque, e a contra-gosto, peças bem menos pueris como "O meu vizinho do lado se matou de solidão..."!

– Que músicas são essas?! Não tem nada mais "ameno", não?
– Pior que não... E se eu tentasse improvisar alguma coisa com o nome dela...? "A Fi-lhi-nha vaaai dor-mir, vai co-chi-laaar"...
– Parece que ela não está gostando, Papai...! Não, não chora, Filha...

É como aquela piada que te pedem para contar e, simplesmente, surge um branco na mente, vindo à tona outros causos que nada têm a ver com o que se iria narrar! Logo eu, que sempre gostei de cantar (de forma amadora, diga-se) e que conheço um sem número de canções, de Jazz à Bossa Nova, de Sambas a canções pop dos anos 80, simplesmente me encontrava ali travado, com minha menininha me encarando, esperando a próxima e fazendo biquinho, grunhindo baixinho (é assim que ela fica quando o soninho está para alcançá-la, numa espécie de "cantiga" – sem esquecer as irritações com os olhinhos e com uma "pulguinha" imaginária que parece incomodá-la atrás das orelhas!)...

Ainda bem que a Mamãe interveio e salvou o dia, com algumas cançõezinhas do Balão Mágico e do Trem da Alegria (nossa época de criança): apesar de nem tão melódicas como as que eu houvera escolhido, pelo menos deram conta de entreter nossa filha de forma mais infantil até o soninho pegá-la de vez!

No dia seguinte, batata: corri para a prateleira de seu quartinho, como quem busca um livro mágico numa biblioteca especial, para ver se eu não tinha como encontrar uma saída mais "infantil" para aquela situação! Encontrei o DVD Galinha Pintadinha, ofertado de Natal pela Vovó, minha mãe, e ainda lacrado: era a chance de me preparar melhor para a "seresta" da noite! Afinal, uma vez que não cresci brincando de roda ou de adoleta, só conhecia de ouvir ao longe "clássicos" como A Barata, Indiozinhos, Coelhinho, Escravos de Jó, Sou pobre, pobre, pobre, dentre tantas outras que fazem mais parte do imaginário feminino infantil... Quando menino, não ligava muito para Música, não! Até tive disco da Xuxa (urgh), mas foi mais aquela coisa do "todo mundo tem..."! Minha formação musical veio mesmo na adolescência, com os LPs de meu avô: por isso o tom mais adulto que vinha agora à mente...

Noite seguinte, tudo pronto para o soninho e... "Gosto muito de você, Leãozinho, caminhando sob o sol...", de Caetano, "Dorme minha pequena Não vale a pena despertar Eu vou sair Por aí afora Atrás da aurora Mais serena" e "Uma pirueta Duas piruetas Bravo, bravo" do grande Chico, e até "Lá vai o meu trolinho Vai rodando de mansinho Pela estrada além Vai levando pro seu ninho Meu amor e o meu carinho Que eu não troco por ninguém Upa, upa, upa Cavalinho alazão" do sisudo aquarelista Ary Barroso deram as caras! Aí foi fácil surgir de Vinícius o que já deveria ter vindo na noite anterior: "Menininha, não cresça mais, não; Fique pequenininha na minha canção... Menininha, que graça é você: Uma coisinha assim
Começando a viver..."

– Melhorou muito: perfeito, Papai!

O mais engraçado foi que nem precisei recorrer a nenhuma clássica cantiga de ninar: minha mente, enfim, estava embalada na sintonia perfeita para o soninho de minha garotinha... E, o que era melhor, no tom exato...!

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