segunda-feira, 25 de julho de 2011

Da Dúvida à Dúvida: A Super-Secretária

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- Que cara é essa, Bem?
Assim vais acabar azedando o leite de Isabela...

- Preocupada... Quem a gente vai arrumar
pra ajudar com as roupas, com as coisas de Isabela?
Como é que nós vamos fazer
quando eu voltar a trabalhar...?
Quem ficará tomando conta da casa?... E de Isabela...?

São sempre muito inspiradores todos aqueles filmes que mostram uma babá mágica, cheia de superpoderes, vinda de não-se-sabe-onde, fiel, honestíssima e capaz de revolucionar todas as coisas erradas numa determinada família felizarda... Infelizmente, na vida real, a coisa toda é bem mais difícil e superbabás não caem do céu nem supersecretárias do lar existem... Ou será que existem?

Silvana praticamente cresceu na casa da minha sogra, de quem é afilhada, e ajudou a cuidar daquele lar por mais de 20 anos, sendo somente alguns anos mais nova que Jandira. Caprichosa, sempre estudou bastante, mas quis a bendita matéria de Língua Estrangeira prejudicar os planos no antigo vestibular (e, ainda hoje, nos ENEMs...) mais de uma vez, adiando o sonho de ir para a faculdade... Mas Silvana é guerreira e não desiste nunca: procurou um curso profissionalizante na promissora área de Segurança no Trabalho e abandonou os préstimos na casa de Dona Helena. Assim, a maior esperança de uma pessoa dedicada e em quem se poderia confiar plenamente para mesmo deixarmos nossa amada filha sem necessidade de nenhuma incômoda vigilância de câmeras começava a decair...

Porém aqueles ventos mágicos dos filmes parece terem trazido boas notícias de guarda-chuvas abertos logo depois: com as novas necessidades que surgiam (aluguel, despesas com alimentação... Se bem que ela não come...), eis que a proposta inicial de termos Silvana como aquela funcionária confiável e amiga da família parecia estar a um passo de se concretizar: o único senão era o horário - para poder manter o curso, todo santo dia o "expediente" teria de encerrar-se às 14 horas... "Tudo bem, é só apertar o serviço um pouquinho e tudo se resolverá"! O problema foi que, depois, seu estágio começou e o horário era às 13 horas...

Claro que alguns apertos foram sentidos: serviços acumulados; qualidades nesta área, defeitos naquela; uma cara-feia de TPM aqui, um mau humor acolá... Mas tínhamos Silvana, que venerava a SuperFilha ("Gente, o ritmo 'tá muito puxado pra mim; só fico mesmo por causa de Isabela!", costumava gostar de dizer) e já escolada na boa arte de cuidar de uma casa, era consciente de suas responsabilidades ao ponto de sempre lembrar a Jandira e a mim que não duraria muito tempo conosco, para que procurássemos outra pessoa, e nós desejando que tudo se encaixasse ao menos no primeiro ano da Filha... Afinal, deu tudo certo: desde o segundo dia de vida de Isabela (há controvérsias: Silvana acha que foi antes...) até o primeiro mês do seu primeiro aninho (tudo se encerraria mesmo com um ano, mas ela nos deu um mês "de lambuja" porque não arranjáramos ninguém até então...), nós tivemos, literalmente, uma Super-Secretária! Superpoderes? Amor rasgado pela Filha; habilidade de tornar-se invisível (mais discreta, impossível - vida pessoal: secreta...); incrível capacidade de ficar sem comer (raras vezes tomou café aqui em casa e me esqueci da última vez em que almoçou!); e facilidade de atrair chuvas (era só anunciar que iria embora para um pé d'água se formar)!

O meu muito obrigado, Silvana: pelos esforços; pelos cuidados com a casa; pelos bons serviços; pela dedicação; pelos bons pratos; pelas boas gomas das roupas (mas que você detestava!); e, acima de tudo, pelo carinho, amor e pela verdadeira devoção à Isabela, como se fosse sua própria filha - quem dá um doce à minha filha, pode ter certeza, adoça a minha boca para todo o sempre!

Hoje, com Isabela maiorzinha, já dá para deixá-la na casa de algum dos avós quando a necessidade do trabalho aperta, mas ultimamente tem dado perfeitamente para conciliar o que eu tenho pra fazer com o cuidar dela pela manhã, com Jandira cuidando à tarde e à noite, restando a necessidade de uma pessoa "apenas" para cuidar da limpeza, da comida e das "coisas de neném" (roupas, sopinhas e afins) - o que, diga-se de passagem, voltou à pauta de preocupações da Mamãe: hoje entrevistando a quarta candidata em semanas (tendo duas, literalmente, "arregado" antes mesmo de começar: santa irresponsabilidade!) para o serviço, a dúvida que a atormentava no início desta croniqueta, de idos de maio de 2010 (Isabela ainda era pequenininha...), parece que voltou à tona... Pelo menos agora, que já acreditamos em babás (e secretárias) quase perfeitas, o otimismo é maior do que naquela época...

Na semana passada, pouco antes de escrever este texto, percebi que não tínhamos nenhuma foto de Silvana com Isabela... Problema resolvido: vindo nos fazer uma visita rápida para pegar uma encomenda (detalhe: ela ainda é representante da Natura!), corri com a câmera e corrigi esta lacuna, com o resultado que pode ser conferido logo abaixo. O mais engraçado é que, com a casa com serviços atrasados em razão do desligamento da última secretária (que queria realizar todas as tarefas em tempo recorde e sair antes do meio-dia - o que não é superpoder, mas, sim, enganação!), nossa querida Silvana ainda tratou de dar uma boa mãozinha com algumas roupas da Filha que estavam por lavar - sem dúvida alguma, palmas para nossa eterna Super-Secretária e Super-Amiga!
Glitter Photos

terça-feira, 12 de julho de 2011

Felizardos...

10 comentários

No último sábado fiquei numa grande indecisão, se sairia sozinho para o supermercado, por volta das 13 horas, enquanto Jandira terminava o almoço, ou esperaria a companhia de minhas duas mulheres para a tardinha, por volta das 16 horas, depois que Isabela acordasse da sesta da tarde e fizesse seu lanche. Acabamos por optar pela segunda opção, que me pareceu, no mínimo, mais acertada, diante das gratas companhias, da minha preguiça pré-almoço e do tanto de coisas que tinha para fazer no apartamento...

Com o sono um pouquinho fora de hora, Isabela acabou vindo a ter seu lanchinho mais tarde do que de costume e só nos arrumando para sair já passando das 16:30h... Descendo pelo elevador, a farra de sempre: "12, 11, 10, 9..." e assim sucessivamente, até chegarmos ao térreo, a Mamãe e eu narramos os números em descendência, uma vez que a SuperFilha sempre ficou vidrada nos andares em vermelho do painel, que iam mudando rapidamente... Até o sempre ranzinza vizinho do andar de baixo, que pegara nosso elevador pelo caminho, não pôde evitar um sorrisinho de canto de boca...

Já no jardim nos encaminhando à nossa vaga, deparamo-nos com a sempre doce Wanda e o gente-boa Carlos, a passearem com seu Otavinho: como até hoje, 3 meses depois de sua vinda ao mundo, eu cometia a indelicadeza de ainda não ter sequer lhe dado um "oi" (enquanto Jandira já perdeu a conta das vezes que os visitou), fiz questão de parar para confirmar a bela mistura do casal no rostinho gordo do pimpolho...

No carro, a lembrança da necessidade de abastecer urgentemente, pois o painel já mostrava o ponteiro caminhando para a reserva (por puro descuido meu): neste posto, a gasolina acabara de acabar; naquele outro não estão aceitando cartões... O jeito seria desviarmos do nosso curso para um posto num bairro vizinho...

Chegando, enfim, ao supermercado, na entrada do estacionamento, já um tanto agoniados depois de tantos pequenos atrasos, deparamo-nos com mais um "entrevero": "Mas a que horas esse táxi vai sair da frente?! Uma hora pra sair da vaga e ainda fica ocupando a entrada... É um velho, né?", perguntávamos entre nós minha esposa e eu quando, no fundo, sinceramente, tive um súbito mau pressentimento, algo como a sensação de um "pequeno distúrbio na Força", ao que Jandira, quase que simultaneamente, falou meio sem voz:

- Dil, aqueles homens saindo do supermercado... Estão armados... São ladrões...

Eu estava certo quanto ao pressentimento. Graças a Deus, estava certo desde o início...

Agora a dúvida era entrar ou não entrar. Passado o susto, alguns minutos depois de ver pessoas idosas tentando acelerar o passo ou mulheres dos caixas ainda chorosas de nervosismo, decidimos adentrar o estabelecimento, pegando toda a situação pelo ar, sem necessidade de perguntar dos detalhes a ninguém: "Eram 3 bandidos"... "Ainda bem que não feriram ninguém"... "Havia idosos e crianças nervosos: esses infelizes não respeitam ninguém"... "Isto está demais: cadê a segurança?"... Compramos até menos coisas do que inicialmente nos havíamos preparado e, ao passar as compras no caixa, ainda ouvimos outro comentário surpreendente:

- Pior foi o assalto de 1 hora da tarde, onde apontaram arma até para os clientes no posto aqui do lado...

Horas, minutos, segundos... Quem acredita chamará tudo isso de uma milagrosa intervenção divina, a nos proteger, com nossa linda nenezinha indefesa e inocente, de uma situação tão desesperadora, preocupante e perigosa! Quem não crê (pobres moços...) poderá chamar de uma salutar coincidência... Tudo o que sei é nós fomos (e somos) felizardos! E se já assim me considerava diante de uma família unida, bela e cheia de graça com Isabela a irradiar coisas boas diariamente desde 31 de maio de 2010 (ou mesmo antes disso, na barriga de Jandira), com todas as nossas posses adquiridas com suor e degrau por degrau, até meu humilde último andar com a maravilhosa vista do nosso aconchegante apartamento, agora eu tinha a mais pura e derradeira certeza - e, melhor: agora, duas vezes mais...

Um "amigo do coração", o inteligente e espiritualista professor à distância, jurista "catigoria" e "com neurose por clareza" Pablo Stolze, costuma sabiamente dizer que nós todos somos verdadeiros "radares" e que devemos apontar nossas antenas na direção do Criador ("Que não está sentado num longínquo trono, mas se encontra bem ao nosso lado!")... Sei que são muitos os percalços diários que acabam nos distanciando do que mais deveríamos atrair, nosso contato com Deus, as coisas boas deste mundo... Só sei que hoje, cada dia mais tenho a certeza de que Ele me deu, por meio de Isabela, a minha antena mais perfeita, ligada 24 horas por dia e virada para o mais belo arco-íris onde os mais divinos (e pontuais) anjinhos estão sentados de prontidão, a cuidar dela e de todos nós...


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