quinta-feira, 9 de maio de 2013

Meninas X Meninos


- Sim, Filha, é diferente... Mas você verá que os universos muito mais se cruzam (ou deveriam cruzar-se) do que parece - especialmente na doce fase lúdica das brincadeiras da infância...

Creio nem ser necessário principiar esta croniqueta a refletir por sobre o eterno binômio Homens versus Mulheres, uma vez que inúmeros trabalhos psicológicos, ensaios antropológicos e filmes sobre as diferenças entre os sexos já foram feitos de forma bem mais aprofundada e interessante - até novela global já fez sucesso duas vezes (e em diferentes épocas) com este mesmo tema! Introduções científicas à parte, resta o lado lúdico e gostoso para trabalhar agora (justamente o interesse maior destes Diários), escrever sobre o universo da eterna "rivalidade" entre meninos e meninas...

Acho que a maioria dos leitores que ora me honram com suas fatigadas retinas, ao menos uma vez na vida, já brincou de "Menino pega Menina" - sim, aquela versão de Polícia pega Bandido em que se mediam as capacidades de cada sexo em estratégicas perseguições pelos recreios deste Brasil de meu Deus, onde os perseguidores literalmente caçavam as fugitivas para colocá-las numa prisão... Claro que, em meio ao interesse puramente infantil da diversão, começavam ali a rolar as primeiras boas sensações do prazer do contato com o sexo oposto: e, assim, numa "apreensão" de uma garotinha no auge dos seus 8, 9 ou 10 anos, nós, os garotos, sentíamos o cheiro bom dos cabelos delas ou simplesmente pegávamos, num leve relance, nas mãos das nossas incautas capturadas - com tudo claramente disfarçado, uma vez que, até aquela ideda, meninos e meninas são inimigos naturais!

Claro que também havia a versão contrária, onde os meninos éramos perseguido pelas meninas. E é justamente sobre essa "inversão" que eu mais queria me debruçar: afinal, nessa hora podíamos jurar que as garotas, meio que se "vingando", muitas vezes se tornavam mesmo agressivas, talvez numa exposição até inconsciente de uma superioridade física ainda que momentânea - Ah, seu menino machão, e agora? E haja bordoadas no caminho para a "cadeia", especialmente quando alguma garota conseguia me capturar (eu era o mais rápido da turma, sempre lutando para esconder meus superpoderes em formação...)! Ah, o gostinho de estar do outro lado... Especificamente no microcosmo de uma brincadeira que invertia os polos forte e fraco, tal como se dava quando os "bandidos" pegavam os "policiais", as meninas pareciam gostar daquele momento de bancar a personagem opressora e mais forte do jogo...

E por que não mudar de vez em quando? Se o caráter lúdico é o elemento mais forte da infância, por que não permitir o acesso da gurizada ao universo alheio? Eu tiro pela SuperFilha, que convive e brinca com miniaturas de carrinhos e action figures (jeito meio adulto e metido à besta de chamar os velhos bonequinhos comprados pelos marmanjos) de inúmeros super-heróis aqui em casa e nem por isso perde sua feminilidade em formação por isso - quem disse que tudo dela tem que ser cor-de-rosa? Graças a Deus a Mamãe também pensa assim e com isso evita, inclusive, que criemos uma "SuperPatty", onde o rosa e as Barbies predominam... E nesses plúmbeos anos de celebração do bullying, eu me lembro de ter sido, na infância, muitas vezes ridicularizado por assistir, nos meus áureos 12 anos de masculinidade à flor da pele, os desenhos animados da Turma da Mônica - coisa de menina? Jamais!

O engraçado é que se o fato de ser amigo de meninas na infância parece "preocupante", na juventude é uma delícia para qualquer rapazola que quer aprender mais sobre o universo feminino que, em breve, conquistará! Ou, ainda, se uma garotinha é injustamente tida como "molequinho" e anda de skate e sobe em árvores com os meninos, talvez ela cresça uma mulher bem mais segura de sua sexualidade do que muitas patricinhas por aí - afora sagrar-se uma grande mestra sobre as galhardias do mundo masculino! E ainda, eufemisticamente falando, em tempos de acirradas discussões sobre "meninos que gostam de meninos" e "meninas que gostam de meninas" (explicarei isso no momento oportuno, filhona), nada mais apropriado que eliminar preconceitos desde cedo e tentar jogar por terra o sexismo da indústria infantil a fim de erguermos, amanhã, uma sociedade menos dividida e estereotipada: afinal, eu posso usar uma camisa rosa, minha filha pode curtir meus bonequinhos e carrinhos ao lado de suas Princesas da Disney sem ninguém se arranhar com isso... E, por fim: o que tiver que ser, será - independentemente de uma brincadeira com o "outro lado"! Quer saber? Vou deixar que essa linda e esperta garotinha fale por mim...



Seguidores

 

Diários do Papai Copyright 2008 All Rights Reserved Baby Blog Designed by Ipiet | All Image Presented by Tadpole's Notez