terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Felizes Novos Bebezinhos...



Férias de fim de ano: nem sempre o Papai e a Mamãe conseguem se agendar ou mesmo acompanhar o ritmo da SuperFilha, que, com todo o tempo livre das amarras de seus costumeiros “compromissos escolares” (dormindo tarde, acordando na hora que quer...), muitas vezes tem que se contentar, infelizmente, com as imagens daquela “grande máquina de fazer doidinhos”, maneira, eu diria, mais atual e infantil de tachar a TV tal como o fez, há muito tempo, o grande Stanislaw Ponte Preta (pseudônimo do histriônico jornalista Sérgio Porto): hoje, bem maior e mais aprimorada do que naquela longínqua década de 60, equipada que está não só com inúmeros canais em alta definição totalmente voltados para a meninada, mas também com os modernos DVDs, cheios de historinhas e clipes com as canções favoritas dos pequerruchos (sem esquecer as ligações com o computador e a internet), os modernos aparelhos são mesmo um mal necessário para o deleite da garotada...

Ainda bem que, pelo menos, há muita coisa de qualidade neste gigantesco “minimercado” de entretenimento – que o diga o talentoso pessoal da Palavra Cantada: muito mais do que uma animada dupla de incentivadores das antigas brincadeiras e cantigas de roda dos tempos modernos, os grandes artistas Paulo Tatit e Sandra Peres se tornaram uma marca consagrada de sinônimo de coisa boa para a meninada (bem como para seus pais, que podem comprar qualquer coisa deles sem medo), surpreendendo a cada novo projeto lançado. Caso do excelente Pauleco & Sandreca - 10 Clipes, que marcou 2013 trazendo 10 canções em clipes animados, com um ótimo 'score' entre adoráveis novidades (a linda Músicos e Dançarinos), temas bem conhecidos do seu já cativo público (caso de O Rato, famoso nos shows, e, neste trabalho, virando uma linda animação com participações de Maria Gadú e Vanderléa) e até releituras de clássicos da MPB (como O Vira, da banda Secos e Molhados), cada uma ricamente “narrada” em desenho animado bem harmonizado com a canção.

Até aí, nenhuma novidade: com uma produção cada vez maior e mais bem cuidada (além de Paulo e Sandra, ainda há um bom número de jovens participantes a cantar e a dançar nos shows e nas várias aparições na TV), Palavra Cantada conta com larga experiência nas mídias audiovisuais, também com boa vivência com animação – caso do DVD anterior, Vem dançar com a gente, onde a dupla interage, em meio a algumas crianças, com ótimos desenhos animados. Mas o que me chamou a atenção, em especial, neste Pauleco e Sandreca, foi que nele há uma interessante contextualização sobre o tema das diversidades para a gurizada...

De cara, salta aos olhos o excelente trabalho da produtora Pulo do Gato Arte e Animação, que tomou o cuidado de, em cada clipe, usar traços e técnicas diferentes, enriquecendo, assim, o resultado final com um gostoso sabor de miscelânea. Logo em seguida, os mais velhos também poderão perceber (sim, porque os pequenos só vão querer saber de dançar e curtir!) um cuidado na escolha do repertório, em explorar a temática dos “diferentes”: temos o pobre e poético ratinho que “surpreende a gente”, e que, em vez de “correr atrás de lascas de queijo, prefere um beijo da Lua”; temos a “menina moleca”, maluquinha de pé no chão, que “deu pra jogar futebol, olha lá”; o guri “rasta” com seu leãozinho, no surreal escapismo do clássico de Caetano Veloso;  interessantes criaturinhas monstruosas recitando as árvores e as frutas do nosso grande pomar brasileiro; a garotinha percussionista com cara de 'nerd' que esquece os problemas da cidade tumultuada e opressora com a sua bicicleta onírica (a música animada até faz uma dramática pausa para um voo de borboletas digitais em 3D)...

Mas, de todos, o meu destaque afetivo vai mesmo para a genial Eu sou um bebezinho (veja o clipe abaixo desta postagem)! A minha favorita do DVD é um leve e divertido reggae sobre um universo que todo superpai conhece bem – e eu, mais ainda, nestes tempos de ciúmes cavalares (ou seria “gemelares”?) da minha superpequena em relação aos bebês a caminho: o centro das atenções como que cada um desses serezinhos vai-se descobrindo no mundo, soltando o berreiro ou uma boa manha para chamar a atenção! O refrão, um primor: “Quero comer, quero mamar, quero preguiça... Não tenho tempo pra esperar a hora, tem que ser aqui, tem que ser agora... Agora não, JÁ”! E o mais legal de tudo, além do delicioso traço mais simples dentre os clipes do disco? Trata-se de um lindo bebê e de uma família... negros! E por que minha alegria nisso? Ora, sejamos realistas: quantas vezes vemos negros retratados em desenhos infantis? Tirantes os recentes e ótimos A Princesa e O Sapo, com a primeira "princesa negra" da Disney, e Little Bill, versão “infantil” do grande Bill Cosby no canal Nick Jr., de quantos protagonistas negros você se lembra numa produção voltada para crianças?

Num País de predominância negra como o nosso, apesar do significativo crescimento de conquistas e do avanço de recentes políticas públicas no afã de diminuir as seculares injustiças sociais cometidas para com esta etnia (bem como os seus “derivados” “mestiços”, “morenos” e “pardos”), muito ainda se tem por avançar – e nada melhor do que começar mostrando referências reais do nosso povo cada vez mais cedo para as nossas crianças. Sim, queremos canções e animações infantis com cada vez mais “diferenças” para além de uma hegemonia branca, loira, dos olhos azuis e que tem tudo como num comercial de margarina (especialmente, nas animações estadunidenses)! Afinal, estamos no Brasil de todos os santos, de todas as raças, de todos os gêneros e de todos os ritmos em meio a sérios problemas sociais... E tudo isso deve, sim, ser bem exposto para que nossos filhos não cresçam iludidos no isolamento "claro" dos supercolégios, dos playgrounds dos condomínios fechados ou no faz-de-conta das luzes dos brinquedos de elitistas shopping centers sem “rolezinho”... Eu, de formação “esquerdista” desde os tempos da faculdade, e casado que sou com uma “supermulata” (a famosa “negra da pele marrom”), com uma linda filha moreninha de aveludada tez canela-escura, agradeço!

E “para um homem que tem tudo” – com uma fabulosa família dessas, “o que mais se poderia querer?” –, o meu desejo para o novo ano que se aproxima acaba sendo mesmo extensivo ao resto do mundo: que 2014 seja um tempo de mais conhecimentos e descobertas... Dos pais em relação aos seus filhos; e dos filhos em relação às ricas raízes sociais e étnicas de um povo lutador e, acima de tudo, criativo! E viva o lúdico do lindo bebezinho negro que domina um DVD com seu carisma; viva a Palavra Cantada, em prol das alegrias sadias para um mundo melhor com o seu sempre acalentador trabalho (pelo menos meia hora de bom programa para os miúdos e de sossego para os pobres pais com os seus vídeos em casa); viva a SuperFilha, a singrar os céus virtuais em mais um ano de Diários do Papai (assim espero...); e viva os SuperGêmeos, que, neste novo ano, dividirão alegremente espaço com o resto do mundo! Um mundo com cada vez menos preconceitos em relação às grandes e maravilhosas diversidades da vida, de todos os tipos, formas e cores...

– Olha, Mamãe: o DVD do Tio Paulo!

– É, Filha?O seu professor de Música no colégio já lhe apresentou esse DVD da Palavra Cantada?

– Olha só: ela já sabe boa parte das canções e eu comprei isso ontem... É assim que se descobrem as coisas, não é, Mamãe? Nós, pagando uma baba para estes ricos colégios desenvolverem as “múltiplas inteligências” dos nossos filhos, e eles, a empurrar horas de DVD para a meninada... Isso eu faço em casa!

– Eta, Papai preconceituoso...!


sexta-feira, 6 de dezembro de 2013


Guardadas as minhas diferenças para com a escola da SuperFilha (falta de maior comunicação com os pais por meio de reuniões; fraco interesse em relação às observações e reclamações feitas; pouco avanço em conteúdo de aprendizado para uma criança desta idade etc.), é inegável a falta que o colégio já passa a fazer na vida da minha garotinha: além da ausência do local seguro e com atividades para uma manhã inteira por dia, o abandono à rotina de acordar cedo, desde o último 29 de novembro, já bagunçou até as noites da Filha - ela agora faz uma farra danada na hora de dormir, não vai para a cama antes das 22h e, de quebra, tem acordado no meio da noite e seguido para a cama dos pais... Mas isso não seria também devido aos precoces ciúmes surgidos com os gêmeos (- Não gosto dos irmãozinhos...)? Só o tempo dirá...

Tempo... Ao fim do seu primeiro ano de colégio, tudo o que a SuperFilha tem agora é tempo, enquanto para seus pais isso é tudo o que falta! E haja matemática para aliar lazer e bom uso para todas estas novas manhãs "extras"! Afetada a "logística" dos afazeres nossos do dia-a-dia, um bom rodízio matutino entre as avós ajuda bastante, aliado a um revezamento entre a Mamãe e eu no resto do dia e a um estudado escalonamento de atividades - encontros com os primos que pouco vê; idas a atrações natalinas de 'shoppings' e promoções de lojas de brinquedos; uma passadinha ainda que fortuita na praia no sábado (cada dia mais poluída - Ela 'tá com medo da onda agora...); descidinhas ao 'play' do condomínio quando a "vizinhança infantil" está boa - vão tocando as férias para frente...

Muitos são os momentos, porém, de parada obrigatória em casa, com as inevitáveis horas em frente à TV com o ainda dominante Nick Jr. ou com novas exibições de Chico & Vinícius para Crianças ao DVD (- Não, não fuja, não/ Finja que agora eu era o seu brinquedo...)! Por isso, tenho em mente que até a "construção do cenário natalino", com o desembrulhar dos enfeites e a armação do pinheiro na sala para esperar as festas de fim de ano, no primeiro dia de dezembro, tem que se converter em evento lúdico para a minha menininha! Convidada a participar, não se fez de rogada e se lançou a colocar as bolas na árvore de Natal e a sujar-se toda com aquele monte de glíter - embora o seu interesse nas luzinhas e no oba-oba exageradamente colorido de tudo ainda não a motive tanto, desde que ela se "entende por gente"... Mas o presépio de aparência infantil, com os personagens do Santo Nascimento com feições de adoráveis e redondos bonequinhos de resina, que comprei no primeiro ano de vida da Filha, mantém-se como sua "atração" favorita: engraçado como, todo santo dia, os pequenos Reis Magos, São José e Anjinho aparecem deitadinhos, como que dormitando!

Devo confessar que sempre achei chato e irritantemente vazio reduzir o Natal a Papai Noel, mesmo para as crianças, especialmente em razão de seus derivados consumistas de "ofertas de presentes" - ainda que não se queira expressar (ou não se tenha) uma fé cristã, as festas de fim de ano são bem mais ricas em filosofias de solidariedade e confraternização, além, é claro, da ideia de fechamento de ciclo para a renovação de esperança no início de outro ainda melhor... E nada mais rico do que ensinar toda esta vivificação das boas festas para uma criança de 3 anos e meio! Ainda mais quando a SuperFilha morre de medo do "Bom Velhinho" (a ponto de pedir para ser retirado um mero enfeite de madeira da árvore de Natal na forma de Papai Noel - Tira, Papai, tira!)! Por isso, sempre achei melhor reacender uma volta às velhas tradições - e o presépio é, sem sombra de dúvidas, uma das mais lúdicas e melhores formas de incutir os principais significados desta bela época do ano...

Tanto é assim que este foi o momento mais compartilhado pela minha garotinha no último domingo (e se estende até hoje, com o mexer dos "bonequinhos" dia após dia...). E, ainda que superficialmente, aproveita-se o interesse para ensinar sobre os significados do Natal e seus personagens mais ricos, com destaque para a vinda do Menino Jesus - que, naquele momento, era somente um bebezinho (Dos mais bonitinhos/ Gugu-Dadá/ Que gosta de carinho...) numa humilde manjedoura - Olha, Filha: o Papai do Céu enviou Seu Filho Jesus para nascer entre os pobres e nos ensinar muitas coisas... Ele nasceu num cocho, num tabuleiro onde se põem comida para os animais, de uma gruta cheia deles (por isso, estão aqui um camelinho, com as orelhinhas quebradas por você tempos atrás, um burrinho e uma ovelhinha), porque não tinham mais hospedagem para São José e Santa Maria... E esses são os Reis Magos, que teriam vindo de longe para louvar o Santo Nascimento e entregar presentes ao Menino-Deus...

Sim, com o tempo muitas outras histórias serão contadas, os conceitos natalinos poderão ser ampliados e muitas conversas poderão surgir a respeito de Fé, Religião, esperança... Questões como a normalmente tida como lendária história dos Reis Magos (chefes de outras nações a reverenciar o Salvador), da data escolhida como sendo a do nascimento (25 de dezembro: festas pagãs do passado) e da desnecessária obsessão por pureza da "perpétua virgindade" de Maria (a ignorar irmãos de Jesus e a continuidade natural da vida conjugal) poderão ser desmitificados (bem como desmistificados: santas ilusões da Igreja Católica!) como criações humanas posteriores. E belas figuras lendárias como o hoje temido Papai Noel poderão ser "salvas" da purgação comercial a que foram submetidos com o passar dos tempos.

O fato é que o final de mais um ano se aproxima (com um 2014 de lindos gêmeos prometendo bastante!), o Natal de pouco mais de dois mil anos de Cristianismo, com suas inevitáveis confraternizações, já está bem aí e as férias da minha pequena apenas acabaram de começar... Em resumo: somos meros aprendizes de um mundo cansado, mas que jamais perdemos a esperança de tempos melhores (e por isso temos filhos e os educamos) e ainda temos muito chão pela frente...

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