domingo, 27 de março de 2016

Todas As Tradições na Páscoa


Sem conflitos, todas as tradições pascoais podem coexistir - das mais austeras e em torno da Ressurreição às mais doces e lúdicas dos ovos e coelhinhos comercializados para a criançada...

Tradições familiares são um dos principais aspectos de identificação de uma família: para além do sobrenome e das aparências físicas - "fulano tem o queixo do avô, a perna do tio, a altura do pai"... -, o quesito "tradição" serve, notadamente, por marcar memórias afetivas ao unir parentes por meio de costumes ou de sabores marcantes - como aquela receita especial da vovó, o almoço de domingo na casa da mamãe ou as rodas de conversas no quintal... Recentemente, cheguei a me emocionar com a professora da SuperFilha, que, após ofertada por nós com um inusitado picolé de pequi (sim, existe, e é maravilhoso!), mostrou-se tocada por termos proporcionado a ela, sem querer, toda uma gama de recordações carinhosas do seu seio familiar, do tempo em que devorava pequis quando criança junto aos seus pais e irmãos em sua cidade-natal (e olha que eu pensava que ela nem seria capaz de se emocionar com qualquer coisa...)!

E não há nada mais tradicional do que um bom feriado: Páscoa, por exemplo, sempre me traz algo de emocionante: a lembrança da minha mãe, a Vovó-Dinha, marcando, duplamente, o "sagrado horário das três horas da tarde" - nas nossas Sextas-Feiras Santas, quando narrava, para mim e meu irmão em nossas infâncias, a tempestade  de ira divina que se seguia à agonia do Cristo na cruz (e, assustadoramente, sempre chovia fortemente nesta hora!); e nos nossos Domingos da Ressurreição, quando se celebrava o Jesus voltado à vida e sua ascensão aos céus... Ah, claro, havia um bom ovo de chocolate dividido entre os filhos (um só, que não existia o desespero comercial de hoje!) - anos depois, substituído pelos ovos caseiros que ela mesma preparava -, almoço com bacalhoada cozida e bolinhos fritos de bacalhau e deliciosas merendas com bacuris e pequis (duas das melhores frutas criadas por Deus!)!

O tempo foi passando e muitas tradições, mudando: durante alguns anos, ainda na juventude dos tempos de namoro com a hoje Mamãe, segui catolicamente com ela frequentando as belas celebrações da Paróquia do São Francisco (franciscanos: ordem querida) e vivendo intensamente os sermões de Frei Wilton e Frei Carmine... Casei-me (com ela, a mesma namoradinha de velha data), tive filhos e, até hoje, sempre penso com carinho nas tradições destes grandes feriados cheios de significados... Sim, já tratei sobre algumas coisas a respeito da bela e ao mesmo tempo sofrida vida humana do Filho de Deus para nossa SuperGarotinha, mas ainda espero que ela cresça mais um pouco para entender melhor as mazelas humanas! Sim, ela já sabe que sextas-feiras santas guardam algo de triste e os domingos pascoais têm mais cara de alegria (especialmente com a entrega dos ovos de chocolate cheios de brinquedos, dados pela idolatrada avó e pelo SuperPapai colecionador aqui), porém fica impossível vivenciar algo triste em meio a crianças tão cheias de gás nesse feriadão!

Afinal, já começando na quinta a aproveitar a folga, levamos nossa supermenina para almoçar em seu restaurante favorito - peixe ao molho de camarão entre pula-pulas, escorregadores e até um laguinho para pesca, que a fascinou e aterrorizou na mesma proporção quando o peixe veio saltitando no anzol para fora da água! Na sexta, seguindo na velha tradição de almoçar bacalhoada cozida na casa de minha mãezinha, agora com todo o elenco do nosso superquinteto reunido, a fuzarca infantil reinou absoluta entre novos bacuris e pequis (que só eu comi...) e um divertidíssimo banho na piscina do seu condomínio - o primeiro dos SuperBebês! No domingo, vieram todos (bem, na verdade, só a Vovó-Dinha compareceu...) para a minha casa comer do meu divino e já tradicional tempurá de camarão e das abençoadas bolinhas fritas de bacalhau da Mamãe, tudo regado a bom vinho, disputas de atenção da primogênita, choradeiras e manhas do SuperFilho (eta, fase...) e de serelepes brincadeiras da SuperFilhota!

Permanecem, ainda, todos aqueles ensinamentos de minha mãe e dos amigos padres franciscanos, sobre a realidade de vida trazida com os santos ensinamentos do já quase esquecido homenageado - bem superiores, para mim, por sobre qualquer outra passagem religiosa cheia de ranços ou desumanidades daquelas tribos judaicas de longa data... De qualquer forma, mesmo não mais frequentando aquelas edificantes missas ou reunindo toda a família em agradecimento, as tradições persistem! E assim, no seio da nossa SuperFamília, novas tradições são criadas pelos mais jovens integrantes a crescer: a Filha se controla, com os nossos freios, diante de tantas opções de chocolates e mimos que acompanham a doce data (acrescentados pela surpresa da supermadrinha Tia Vandoca, que terminou de nos cobrir de bombons, mesmo sabendo que seu super-afilhadinho ainda não come doces); a nossa Filhotinha segue cheia de charme e encantadoras dancinhas ao pedir os DVDs de "Tikitikitáááá" (Palavra Cantada) e não dispensando um pão ou uma banana dando sopa por perto; e o Filhão, que não desiste de subir as cadeiras da copa até o alto da mesa de vidro ou de me puxar pela casa até o escritório, para que se ligue o interruptor do ventilador de teto (com direito a imitação do superpequeno sobre o "clique" do liga-desliga!)!

Com tantas graças e alegrias abençoadas, só me resta guardar comigo a vivência de tanta vida em abundância nesta feliz grande família e orar aos céus para que nunca nos faltem tão fortes lembranças familiares e que as nossas tradições sigam a se renovar tão doces por entre os SuperFilhos como o melhor chocolate desse feriadão que se findou e tão ricas de significados quanto a sagrada vinda de nosso Salvador - que, em Sua época, vivia a Páscoa em celebração à libertação, do Egito, do seu povo hebreu... Enfim, que cada um viva o seu próprio agradecimento à Vida, porque a época é essa, de valorizar cada família... E, por fim, deitar e rolar com os pequenos da casa com os belos brinquedinhos que vieram com os ovos (ou seria o contrário?!) - que a sua Páscoa tenha sido tão tradicionalmente bonita e alegre quanto a nossa!

Na maioria dos casos, neste ano, os preços aumentaram, os ovos de chocolate diminuíram e, por sua vez, vieram dentro dos próprios "brindes", os brinquedos dos personagens da moda e mais queridos da SuperFilha!


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