sexta-feira, 19 de abril de 2013

"Mas como você inventa manias para essa criança..."


Diários do Papai, 19 de abril de 2013


Eis uma boa ideia de rede bem prática para os pequenos que só dormem embalados...

Nunca me esqueço do quanto criticava, com gozações, meu irmão no passado, quando ele, para colocar minha sobrinha-afilhada para dormir em seus tenros primeiros anos de vida, realizava uma enorme operação: todas as luzes da sala (e adjacências) eram apagadas, e, em meio ao silêncio absoluto (se houvesse visitas, perigava receberem o pedido para deixar mesmo de respirar por alguns minutos...), a luz azulada do televisor ia enebriando, aos poucos, sua garotinha com alguns vídeos musicais da época (como os da famigerada Xuxa)... Pegou no sono? Cuidado redobrado para levá-la nos braços sem despertá-la, escadaria acima, até o repouso devido no bercinho em seu quarto...

E agora me pego, há quase uma hora, a embalar na rede a SuperFilha com seus quase 3 anos de idade e 15 quilos de fofura, a fim de que ela pegue no sono em definitivo... Tudo bem que, uma noite ou outra, o pedido de "qué deitá ca mamãe" ou "qué deitá co papai" é atendido na cama do casal, mas é mais fácil um de nós, seus amados progenitores, dormir ao cabo de uns 20 minutos do que a garotinha adormecer! Daí, tempo esquecido, o pai ou a mãe que estiver de pé vai conferir no quarto e a menina, meio grogue, ainda balançará a perninha e levantará a cabeça pra ver quem assoma na porta - enquanto o outro dorme a ronco perdido ao seu lado... Hora inevitável de colocá-la na rede para a "finalização do processo": mais tarde, porém, com o sono já alto, será hora de transferi-la para a cama do seu quarto - o que não a impedirá de, numa ou noutra noite, seja por um soninho ruim, seja por uma agitação qualquer de sono leve, ela volte para o quarto dos pais para dormir no cantinho da cama ou, se percebida ao longo da madrugada, ser transferida (agora em definitivo até a manhã seguinte) para a rede novamente...

O certo é que, sempre, ainda que sem querer, todos nós mimamos nossos filhos: para mais ou para menos, inventamos ardis para servir uma ou outra ocasião que, sem percebermos, acabam se transformando numa agradável mania para os pequerruchos! Até que a "chatice" chegue aos olhos ou ouvidos de terceiros, que nos julgarão como pais mimadores ao presenciar "pérolas" do tipo "Ela só dorme desse jeito..." - tal como eu fiz no passado - e jurarão para si mesmos (ainda que no silêncio da consciência) que jamais criarão seus filhos com tais reinações...

Só me resta a culpa da inquisição dolorida de perguntas que, no momento, não querem calar: até quando terei que embalar (por um bom tempo) minha filha para que ela adormeça? Quando ela deixará de tirar as meias e os sapatos tão logo entre no carro na volta pra casa (a obrigar-me a calçá-la novamente ou carregá-la, junto a suas mochilinhas, para que não ande descalça no caminho para o apartamento)? Até quando terei que comprar fraldas até que ela consiga usar o troninho ou o adaptador do vaso sanitário "em tempo"? Até quando durará a "fase do não" (que já chegou ao extremo de fazê-la dizer "não qué chegá em casa" só porque comentamos no carro que nosso lar se aproximava!)? Quando ela deixará de tirar todos os pertences da mochila do colégio tão logo cheguemos em casa (a dificultar, com a pequena bagunça, a hora de almoçar)?... Bem, talvez a melhor pergunta seja mesmo "Até quando deixarei tudo isso ocorrer?", ou, melhor dizendo, "Como mudarei esses pequenos quadros cansativos?" - o difícil será obter a resposta...

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