sexta-feira, 29 de junho de 2012

Olha 'pro' céu,meu amor:
Uma noite memorável...


Junho em capital nordestina: temporada de festejos em homenagem aos santos, e, em São Luís do Mará, não poderia ser diferente. Melhor: aqui tudo é regado a muito bumba-meu-boi e comidas típicas, coisas muitas vezes inexistentes noutras cidades, mais voltadas apenas ao forró ou a folclores pontuais (como danças de quadrilha), com doces comuns. Mesmo para um super-herói aposentado como eu, a tentação de sair a desfrutar da efusividade das cores, danças e dos sabores e ritmos daqui quase supera a vontade maior e letárgica de ficar em casa... Mas o implacável Sr. Tempo, meu fiel arqui-inimigo, não me deixa mudar de ideia, especialmente em junho, época final de semestre letivo na faculdade, onde um dos meus trabalhos aumenta consideravelmente!

Porém, como este espaço não se dedica à minha pessoa, tampouco ao folclore regional do Nordeste, mas, sim, a uma figurinha bem mais interessante e animada, já chegamos a onde nossa pequena protagonista se encaixa nisso tudo: como no ano passado ela mal havia completado 1 aninho e, nem bem tentávamos entrar num arraial local para mostrar-lhe as brincadeiras que eu já saía correndo por conta do intenso barulho e da multidão em volta, coisas nada recomendáveis naquela idade, as festas juninas da SuperFilha restringiram-se a uma tarde de folguedos escolares do colégio de sua priminha mais velha, devidamente paramentada como uma bela caipirinha (vestidinho dado pela Vóvó-Dinha)Mas neste ano tinha que ser diferente...

Surge então o convite da associação de funcionários do serviço público onde a Mamãe trabalha: uma festinha junina modesta, de uma noite apenas, em associação própria, numa região mais ou menos próxima da nossa residência. "Perfeito", pensei: este é o tipo de brincadeira apropriada para crianças menores, sem o tumulto sonoro e populoso dos grandes e disputados arraiais da cidade.
"É um grande sítio afastado, Papai, sem muita estrutura..."
As palavras da Mamãe, aliadas à forte chuva que deu naquele sábado, momentos antes do horário da festa, mais o péssimo estado da rua que levava ao endereço (quase tão distanciado da avenida principal que cheguei, a certa hora, imaginar que visitaríamos aquele outro super-herói, meu amigo morcego...), tudo parecia antever um grande "programa de índio" a tomar a forma de um largo de erros... Mas segurei a rabugice e não detonei a ideia em momento algum: a esperança continuava viva. 

Chegando lá, procuramos uma mesa para três e achamos uma excelente num ponto central da quadra de cimento, onde parecia que uma eventual atração se apresentaria. E, para nossa mais que grata surpresa, não demorou muito até que o Boi de São Simão aparecesse (sotaque de orquestra, ou seja, no lugar dos tradicionais pandeirões e matracas, haveria muitos trompetes e bandolins). E, para minha ainda mais grata alegria, temeroso que estava de a pequena assustar-se com a turba de sons e fantasias multicoloridas (caboclos de fita, vaqueiros, as índias, o boi - onde um homem serve de "miolo", dançando por sob uma armação cheia de brilhos e miçangas etc.), não só a Filha emitia um cantarolado "aaaaa..." junto às canções entoadas, querendo acompanhar, como também batia palminhas efusivas ao final de cada música, sempre pedindo "de novo!" e "1, 2, 3 e... já!", ao ponto de chamar atenção de uma dançarina do boi, vestida de índia, que se encantou com a minha linda caipirinha!

Em seguida ao boi, uma animada banda de forró pé-de-serra (o legítimo!) passou a tocar clássicos de Luiz Gonzaga. Ah, o "Velho Lua", sempre tão envolvente, ao ponto de entusiasmar a mim e a Mamãe a ser o primeiro casal a dançar entre os tímidos presentes, ensaiando um "enferrujado", porém gostoso arrasta-pé de baião junto à mesa, enquanto a SuperFilha corria em supervelocidade atrás de uma nova amiguinha mais velha e fugia de um donjuanzinho mais novo, todos pela quadra ao cheiro da pólvora recém-queimada das bombinhas, sob a noite iluminada pelas estrelas... Olhem pro céu, meus amores: que noite memorável...

sexta-feira, 1 de junho de 2012

"Doix Aninho"...


Ela é meu tempo vivo. Com ela não me envergonho de nada, nem de correr em público fazendo papel de "bobo", nem de me emocionar com olhos marejados em cada doce lembrança que vem à tona.Afinal, parece que foi ontem...

Nesta quinta-feira não choveu, como na manhã em que você nasceu, meu amor-lindo. Às 10:07 da manhã, hora exata em que você pôs sua linda cabecinha cheia de cabelo pretinho para fora da Mamãe, você corria hoje pela casa a desfilar suas reinações e a pedir "bicoito" fora de hora. À tardinha, ao contrário do quarto de maternidade lotado de parentes para ver com quem você mais se parecia (desde o primeiro dia a gente sabe com quem, né, minha linda?), sua amada Vó-Dinha ("Vovó Diena"), seu estimado Vovô-Pum ("Vovô Caíto") e seus devotados pais levaram você para um passeio em comemoração a este dia tão especial...

Não houve festinha, como no ano passado, nem bolinho com velinha para você praticar o "parabéns a você" que ensaiamos a semana inteira... Mas você, a toda hora, exibia seus lindos dedinhos indicador e médio (ainda que este sempre se apresente meio tortinho) a proferir que você já tem "doix aninho"... E você, a brincar efusiva pelos brinquedos do parquinho do shopping, nem de longe lembra a dorminhoca linda daquele já longínquo 31 de maio de 2010... Como você cresceu...
– Mindir... Mindiiir...
Vai falando, a arrastar a fita métrica pela casa, no alto dos seus 86 centímetros (– Ela vai ficar alta, por volta de 1,72m, atesta uma avó-e-madrinha empolgada com seus "cálculos" antigos), que acabamos de "mindir", digo, medir, com a fita, no portal do seu quarto. Cadê minha "piunguinha" de 49 cm?!

É... Só me resta agora, neste final de dia especial, cantar para você, exausta, esta linda valsinha do velho Poetinha...
Menininha do meu coração
Eu só quero você
A três palmos do chão
Menininha, não cresça mais, não,
Fique pequenininha na minha canção
Senhorinha levada
Batendo palminha
Fingindo assustada
Do bicho-papão

Menininha, que graça é você
Uma coisinha assim
Começando a viver
Fique assim, meu amor
Sem crescer
Porque o mundo é ruim, é ruim
E você vai sofrer de repente
Uma desilusão
Porque a vida é somente
Seu bicho-papão

Fique assim, fique assim
Sempre assim
E se lembre de mim
Pelas coisas que eu dei
E também não se esqueça de mim
Quando você souber enfim
De tudo o que eu amei


Depois de algumas reinações na rede, você (hoje, com dois anos e um dia, e mais alta do que os "três palmos" da valsinha) sorri com alguns versinhos, bate palminha no momento exato ao da canção e vai adormecendo, feliz... Feliz aniversário, Super-Filha... Papai te ama muito...

"Danxa", meu lindo par de perninhas grossas se preparando para o mundo...


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