sábado, 25 de julho de 2015

"Cilema"


Férias de julho cinematográficas... Só que não!

Eu já havia ido com ela ao cinema algum tempo atrás, para ver um desses inúmeros volumes de compilação de animações da Turma da Mônica, numa esvaziada matinê num shopping local. Mas, confesso, nunca contei essa como a sua "primeira vez oficial", aquela que a marcaria como uma grande cinéfila - afinal, diante da ainda pouca idade (por volta dos 4), com a atração tão fraquinha e com tantas novidades em volta (um monte de cadeiras reclináveis para ficar alternando o sentar, tudo escuro com uma tela enorme...) e sem um grande público efusivo para animar a ocasião, a minha superpequena acabou entediada e, por várias vezes, demonstrou desinteresse em estar ali...

Mas com Os Minions seria diferente: depois de suas grandes paixões pelos sadicamente amalucados seres amarelos nos antecessores Meu Malvado Favorito Meu Malvado Favorito 2, esta prequel (história que se passa antes dos filmes originais) tinha tudo para ser a sua grande sessão! Mas qual não foi a minha (e, de certa forma, a dela também) surpresa quando, ao final, tanto a SuperFilha como várias outras crianças não se animaram nem um pouquinho para acompanhar as já famosas piadinhas durante os créditos finais, todas já na fila para ir embora em meio à falta de maior graça ou criatividade da animação - que parece ter evidenciado uma velha máxima no Cinema: coadjuvantes podem até ser bons quando em grupo ou num contexto maior, mas não rendem um filme solo!

Uma pena, especialmente diante da expectativa tão grande em ir de novo ao "cilema" neste tão ansiado julho... - Mas, Filha, você sabe muito bem que a palavra correta é cinema, não sabe? - Eu sei, Papai, mas deixa eu falar 'cilema', deixa?! É... Depois de dois fiascos cinematográficos (o que aconteceu com o Cinema infantil, meu Deus?!), acho que deve ser mais divertido falar errado o nome da Sétima Arte do que pagar um ingresso tão caro para ver bobagens na grande sala escura! E desilusão parece que virou mesmo o roteiro dessas férias da minha garotinha: encarando esse mês de julho como as "primeiras grandes férias" dela, uma vez que, com 5 anos, vi na minha filhota, pela primeira vez, uma enorme expectativa por passeios e viagens, tudo o que venho vendo nos últimos tempos é cancelamento de uma montanha de planos frustrados...

Primeiro, o trabalho apertou e invadiu o famoso "mês das férias" com muita coisa acumulada. Depois, ficamos sem funcionária em casa - e assim, mesmo com a Mamãe tendo tirado férias, a maior parte do tempo foi mesmo organizando as muitas tarefas do lar. Com os pais sempre ocupados com algo, o que restava? Televisão e filmes gravados da internet, intercalados com algumas esparsas saidinhas ao shopping (ah, esta estéril espécie de "paraíso dos infantes" das grandes cidades...) e descidas ao playground do condomínio com as coleguinhas de sempre - e, pior, subindo e descendo 12 andares de escada, porque o medo do elevador, depois de ter ficado presa, ainda não passou... Não, eu tinha que reagir! - Filha, eu sei que não deu certo o nosso plano de viajar, mas Papai já está finalizando a maioria dos assuntos pendentes que tinha pra resolver no trabalho e, nas próximas duas semanas, vamos fazer muitos passeios!

Bom, no terreno dos sonhos, tudo é possível, né? Sim, porque, na dura vida real, parece pecado criar muitas expectativas: parte do trabalho invadiu a primeira semana e, na boca da segunda, no primeiro grande passeio em família - contando, inclusive, com a ilustre presença dos SuperGêmeos a bordo -, eis que o nosso deliciosamente confortável supercarro, Bala de Prata, foi abalroado de frente por um carro "conduzido" por um famigerado bêbado irresponsável, que vinha na contramão! Resultado: conserto demorado, carros substitutos insuficientes em todos os aspectos (verdadeiros "perebamóveis"!) e mais planos adiados...

Bastante aborrecido com tanta coisa ruim, este sábado começou com a chateação de acompanhar o conserto do carro, passando por uma breve passadinha na banca (umas miniaturas, algumas HQs e uma revista de atividades para alegrar um pouquinho a minha bela mais velha, que ninguém é de ferro) e mais uma semanalmente demorada estada no supermercado para as fraldas, carnes, frutas e verduras da vez, almoçando já quase às 15 horas com toda a SuperFamília ainda descansando à sesta (à exceção da SuperPixutinha, que, apesar de ainda não falar, estava nos seus adorados balbucios e gritinhos no berço, só "relaxando"), encaro um pouquinho de televisão numa frustração de dar dó, até que o ritmo frenético do apartamento acordado me põe em ação novamente e sem tempo para perder lamentando nada: merendas dos superbebês e da superfilha, evitar que o SuperFilho derrube tudo, limpar o cocô da SuperFilhotinha...

Até que, defrontando-me com esta telinha depois de tanto tempo afastado desses tão queridos diários virtuais, eu percebo que hoje o meu mais-que-lindo "par" de bebês completa mais um mês de vida, o terceiro depois do tão maravilhoso primeiro aninho! E, curiosamente, o que vem à mente como resumo dos últimos acontecimentos nem é um aborrecimento ou qualquer tipo de desilusão, mas, sim, a gostosa sensação do fim desta tarde, quando, jogado na cama e exausto por alguns minutos, eu me vi deliciosamente rodeado de surpresa pelos três superpoderosos filhos a rir e se "acumular" por sobre mim, numa grande galhofada acompanhada pela mãe pelos arredores (as beiras da cama são sempre traiçoeiras quando há mais de uma criança numa cama...), igualmente de sorriso largo no rosto a acompanhar aquela simples, porém divertidíssima cena em família... E assim, com tanta beleza cheia de vida e de saúde em volta, percebo que, assim como no melhor Cinema, por mais tumultuada que esteja a vida do herói da história, um momento minimalisticamente simples pode ser o melhor final feliz!

Seguidores

 

Diários do Papai Copyright 2008 All Rights Reserved Baby Blog Designed by Ipiet | All Image Presented by Tadpole's Notez