domingo, 20 de março de 2011

"Prazer, eu sou o Papai!"

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Hoje, o escritório, cantinho do meu apartamento onde escrevo, trabalho, estudo e reúno todas as minhas amadas coleções (prefiro chamar de "meu gabinete"; menos formal...) se encontra novamente bagunçado – para desalento da Mamãe e da Vovó-Dinha... Mas, no ano passado, quando das pequenas reformas feitas para a chegada da Filha, aproveitei o resto dos materiais do quartinho de bebê e, enfim, aproveitei para preparar também o meu espaço... Missão cumprida, minha mulher, ainda grávida, e eu, ainda coberto de tinta, porém orgulhoso, nos prostramos diante da "obra" e meio que celebramos em silêncio (ah, como adoramos o sabor das primeiras conquistas, tijolinho por tijolinho...):

– Olha só, Amor: Provei ou não provei que sou um bom trabalhador doméstico? Não falei que conseguiria pintar e montar tudo em uma semana e trazer o que ainda restava de minhas coisas da casa de mamãe? Não ficou ótimo?!
– Ficou, mesmo... Mas 'tava aqui pensando...
– Em quê?
– Que a Filha vai adorar isso aqui...

E com uma risadinha maquiavélica, insinuou que todas aquelas miniaturas, revistas e livros de tantos anos de dedicação seriam alguns dos alvos prediletos dos "dedinhos" de nossa pimpolha, tão logo esta crescesse um pouquinho... A brincadeirinha maldosa também fazia menção ao famoso ciúme que tenho pelas minhas coisas – das duas, uma: ou eu perderia tudo, mimando a pequerrucha ao deixá-la pegar todas aquelas preciosidades ou enlouqueceria trancando a sete chaves aquele meu refúgio sagrado...

Nem um, nem outro: tal como sempre previ, minha menininha é de um comportamento exemplar, calminha e tranqüila (puxou aos pais quando bebês), muito raramente fazendo um "chorinho soluçante" para conseguir o controle remoto (o que ela mais adora!) ou uma revista, para machucar ou rasgar página por página... E, como sou paciente com crianças e adoro interagir com elas (especialmente com minha filha), basta eu sentir a coisa crescendo para o lado errado – como mastigar um bom naco de papel ou levar um celular à boca – para pedir a ela, educadamente, com a mão estendida "– Dá p'ra o pai, dá?!", no que ela (quase) prontamente atende. Assim, não fica difícil entregar-lhe uma miniatura de chumbo ou um bonequinho clássico ou mesmo um livro de coleção: é só o tempo para ela sentir a textura, o volume ou, simplesmente, satisfazer a gula táctil que toda criança tem nessa idade: depois disso é "– Dá p'ra o papai!"!

Adoro minha filha e acho que isso hoje é o que me define como pessoa! E penso, logicamente, que pessoas são bem mais importantes do que coisas materiais (principalmente se se estiver falando de um filho!)! Mas também acho que é possível dividir as coisas e fazer com que, desde bem cedo, a SuperFilha saiba compreender os seus limites – especialmente no tocante às coleções do Papai... Afinal, sou colecionador desde menino, quando guardava (e guardo até hoje) todas as revistinhas em quadrinhos que papai me comprava e os brinquedos que mamãe me dava (e chorava desbragadamente quando eles vinham com estórias de doar tudo para os primos, porque eu já teria "muito"...)! Assim, não abro mão de meus DVDs, CDs, livros, revistas, carrinhos, motos e aviões de ferro e meus bonequinhos e miniaturas de chumbo – mas também sei dividir minhas coleções, na medida do possível, com quem vier a amá-las e delas cuidar bem, como sei que minha amada pequenina o fará... Tanto que já até iniciei duas coleções para ela: uma de DVDs de Animação e outra, de porcelanas da Disney, da Editora PlanetadeAgostini.

Além do mais, não é trancada num gabinete de coleções ou num quarto vendo TV que quero quero ver minha filha crescer – como eu, que por ser o caçula e também criado em apartamento, cresci viciado em TV e cinema, o que acabou por me tornar um adulto muito preguiçoso para exercícios físicos! Por isso é que essa linda garotinha vem me ensinando a procurar ter cada vez mais tempo para ela, aprendendo que estou, cada dia mais, a organizar melhor meus afazeres – e até, quem sabe, manter, daqui pra frente, sempre arrumado o meu cantinho (deixa só eu terminar de botar as prateleiras novas e receber a escrivaninha com mais armários que encomendei, viu, Amor?!)...

Porque tempo, infelizmente, é o que menos sobra nesta vida corrida que corremos, afinal, por nossos filhos... Mas é por eles também que temos que aprender a ter o superpoder de parar o tempo, curtir um pôr-do-sol ao lado da família, inventar uma gostosa receitinha para o jantar ou dar um passeio de carro com os avós no final de semana para "desestressar" do caos do trânsito de segunda a sexta... Afinal, ao contrário de muitas de minhas miniaturas, ninguém é de ferro! E ser super, pra mim, cada dia mais é colecionar o maior número de tempo ao lado da minha amadinha para que, um dia, em meio a tantas peças interessantes guardadas, cobertas de poeira e cheias de estórias minhas para contar, eu possa ter orgulho da história colecionada ao lado dela e dizer, estendendo a mão, educadamente: "Prazer, eu sou o Papai"!


O texto já estava praticamente pronto quando, pelo fato de a LÍLIAN AMORIM ter-me ofertado, gentilmente, dois selinhos de uma vez só, tive que adaptar tudo para falar de 17 COISAS SOBRE MIM (soma dos dois selos!)! Eis-me aqui, Lílian: as frases sublinhadas indicam coisas sobre como sou e o que gosto de fazer! E, mais uma vez, obrigado! Só fico ainda ressabiado com essa estória toda de "Clube da Luluzinha" do selo "Este Blog Tem Amigas de Verdade": os Diários do Papai, Lílian, tem AMIGOS de ambos os sexos, viu?!

quinta-feira, 10 de março de 2011

"Foliã-Menina-Mulher"

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Nunca fui grande folião, apesar de minha mãe ter sempre insistido em me levar para as vesperais de minha infância nos clubes de minha cidade: ela, sim, uma foliã convicta, cria que folia se passasse com os genes... Alguma coisa deve ter saído errado, pelo visto: tirante uma ou outra noite de carnaval no fim da minha adolescência, só costumo acompanhar o reinado momesco à distância e pela televisão...

O engraçado é que a Vovó nunca desiste e, assessorada pela Mamãe, fizeram que fizeram e acabaram por fantasiar a Filha na moda da "estação" – surge um "misto de colombina e palhacinha" no capricho:

– Filho, encontrei uma linda roupinha para a minha fofinha: é uma sainha de babadinhos azuis, com suspensórios, um bustiê douradinho e uma fitinha com lacinho para a cabeça! Pra completar, tô inventando um chapeuzinho em forma de cone, de papelão mesmo, que vai fechar a fantasia dela para o carnaval!

Nem preciso dizer que, apesar de minha mãe ser uma foliã de carteirinha, nem mesmo ela, em sã consciência, aprovaria levar a Filha para os blocos de sujos na rua (por aqui, além da cachaça no ar, costuma-se jogar amido de milho – a popular "maisena" – entre os brincantes): com o quase completo fim dos clubes recreativos locais (os poucos que restam só realizam alguns bailes noturnos especiais durante o pré-carnaval), o melhor a fazer mesmo é manter a pimpolha longe da agitação conglomerada... Pelo menos por enquanto, até se ter a certeza se ela será ou não imune aos genes carnavalescos da "Vovó-Dinha" como eu venho sendo... E, ao invés de cantar o divertido "hino" da Carmen Miranda, cante algo como "Mamãe eu quero... viajar pra cair na folia e voltar só na quarta de cinzas"!

Mas a fantasia fez mesmo surtir os primeiros efeitos da festa maior brasileira em minha pequenina: ela adorava a roupinha sintética (pouca, o que é mais aconselhável para crianças pequenas, especialmente em terras como a de cá, com muito calor!), colocada a cada saída nossa – e acabou que a folia dela (e, logicamente, a de seus pais) foi aproveitar os três dias de feriadão para visitar as avós e uma amiga desgarrada... E viva os Clubes da Luluzinha: afinal, além deste universo blogueiro virtual sobre a filharada ser dominado pelas mulheres, ontem foi o Dia Internacional delas – e minha mulherzinha não poderia deixar de fazer a festa entre suas iguais!

Hoje é quarta-feira de cinzas e, mesmo não sendo um fanfarrão, penso com certa melancolia nos meus antigos carnavais onde, mesmo já com muitas mudanças, era mais valorizada a brincadeira sadia do carnaval! Uma pena coisas gostosas como as marchinhas inconseqüentes aos poucos terem sido substituídas pelos modismos sem conteúdo e cheios de duplos sentidos... Mas, no fim , até o Papai caiu na brincadeira: se confetes e serpentinas (e muitas outras coisas...) ainda não são aconselháveis para a sua idade, nada mais justo que desfrutar do lado lúdico do carnaval ao lado da filhona amada – desenterrei minha camiseta de um antigo "uniforme" que já usei bastante (e, devido a uns quilinhos sedentários acumulados, ficou tão colada como nos Quadrinhos!) e tirei várias fotos ao lado da minha pequena "foliã-menina-mulher"...

Ainda no afã de manter as identidades secretas, um certo super-herói e sua heroína maior, a mais linda colombina-palhacinha que já pisou um carnaval...


terça-feira, 1 de março de 2011

Cineminha

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– Há quanto tempo não vamos a um cinema, hein?
– Muito tempo... Lembras que foste sozinho, pela última vez, quando eu ainda estava grávida?
– Isso... Para evitar incomodar a Filha com o som alto do cinema... Sinto saudade de um cineminha a dois...
– Eu também... Mas, pelo menos, existe a internet e tu podes baixar muita coisa: o que nos falta hoje é tempo pra ver!

Em tempos de cerimônia do Oscar (estava torcendo para o denso Cisne Negro, mas acabou levando o prêmio maior um bom filme também, O Discurso do Rei), o Cinema, de repente, ficou em alta até nas conversas do botequim! É claro que a Filha ainda não acompanha a Sétima Arte e a maioria dos filmes concorrentes sequer seria indicado para ela, mesmo que tivesse mais idade: sua "videoteca" limita-se aos DVDs da Galinha Pintadinha e da Turma do Balão Mágico, com videoclipes musicais, os quais ela acompanha com bom interesse por um tempo, até se ocupar com uma caixa de papelão à mão ou o controle remoto em cima do braço da poltrona – afinal, ela acaba de completar 9 meses...

Por isso, a não ser por alguns clássicos Disney que ando comprando para a minha própria coleção (tenho mais de 200 títulos, entre VHS, DVD e 'Blue-Ray') e que, oportunamente, serão dela (Alice no País das Maravilhas, Branca de Neve e Os Sete Anões e Fábulas Disney – gosto muito de Animação e adorarei assistir tudo ao seu lado), Cinema só deve vir a ser assunto da minha garotinha quando esta já tiver seus 3 ou 4 anos, quando espero levá-la para ver um bom filme na tela grande da sala escura... Mas isso não impede de mantê-la "na moda", aproveitando a ocasião para falar de Cinema por aqui. Não dos concorrentes ao Oscar (dos quais, para ela, só daria Toy Story 3!), mas sobre aqueles que dizem respeito ao universo das pequeninas maravilhosos e de seus pais nem tão maravilhosos assim...

Isto porque, na semana passada, diverti-me muito revendo na Rede Brasil alguns trechos do clássico O céu mandou alguém (The 3 Godfathers), fita "menor" de faroeste do famoso diretor John Ford onde o eterno cowboy John Wayne e mais dois brucutus vivem três ladrões em fuga que, no meio do deserto, adotam um órfão. Hilário quando encontram um livro sobre como cuidar de bebês e passam a contestar os métodos nada ortodoxos da época (o filme é de 1948, mas se a estória se passa no século XIX), como "jamais dê banho no bebê em sua primeira semana" ou "passe graxa no corpinho da criança"... Bendito hidratante! Mas, como os brutos também amam no Velho Oeste, uma das cenas ficou particularmente bonita: quando um deles surpreende os demais ao cantar para a garotinha pegar no sono...

Muitos são os "clássicos" neste subgênero adorável... Quem pode esquecer de Bancando A Ama-Seca, onde o "Rei da Sessão da Tarde", Jerry Lewis, vivia um simplório "faz-tudo" de uma cidadezinha interiorana que, de uma hora para outra, tinha que penar para dar conta de adoráveis trigêmeas abandonadas numa cesta na soleira de sua porta?! Até hoje me lembro da seqüência onde o comediante, diante do escapulir de um dos bebês em meio a uma nuvem de talco, grita apavorado: "Eu perdi um bebêêê"! Mas tocante mesmo era a cena em que o genial trapalhão põe os pimpolhos para dormir cantando um clássico de ninar italiano, "Dormi, dormi, dormi"...

Porém, o mais lembrado (especialmente pelos papais de primeira viagem) ainda hoje, talvez pelo grande número de reprises na Globo, é Três solteirões e um bebê, adorável refilmagem norte-americana (o original é francês) com Tom Selleck (o eterno Magnum), Steve Guttemberg (de Loucademia de Polícia) e Ted Danson como os três 'bon-vivants' do título, que têm suas vidas completamente transformadas após uma linda recém-nascida, filha de um deles, também ser deixada em sua porta! "Como é que uma coisinha tão pequena faz tanto cocô?" (Steve em seu primeiro dia como "pai") e "Não importa o que estou lendo, mas, sim, o tom da minha voz" (quando Tom é flagrado lendo um livro sobre lutas de boxe para a nenén) são frases que ficaram célebres – assim como também a cena que, pelo visto, nunca pode faltar nesse tipo de filme: a da "canção de ninar", onde os solteirões cantam um clássico dos anos 50 ("Goodnight, Sweetheart") para botar a menininha para dormir...

São muitos os títulos encantadores sobre papais, mas, de qualquer forma, um bom filme sempre nos marca por muito tempo... Mais ainda quando, nesta semana, em que completo três anos de muito bem casado, olho calado para a Mamãe embalando a Filha ao som de uma antiga canção de ninar qualquer e, com um sorriso encabulado nos lábios, vejo um filme maravilhoso passar na minha mente – e, o que é melhor, daqueles de lindo final feliz, com uma doce musiquinha de fundo até os olhinhos de minha garotinha adormecerem e se fecharem num doce "The End"...

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