terça-feira, 31 de março de 2015

Jesus...


E neste ano, apesar de os SuperGêmeos ainda passarem longe da possibilidade de desfrutar do docinho de qualquer chocolate, vai ter ovo pra todo mundo aqui em casa, assim como no ano passado! Assim, os brindes de cada ovo de páscoa poderão ficar como um eterno gostinho da doce lembrança pascoal de cada membro de nossa família...

- Papai, eu quero dormir no quarto de novo, que nem ontem...
- Que bom, Filha: você já está mesmo uma mocinha para continuar dormindo com o pai na cama e os seus Irmãozinhos já estão mais crescidos, não acordam tanto...
- É, pai: eu sou mocinha e quero dormir sozinha!
- Na verdade, sozinha, não, meu amor lindo: afinal, seus irmãos estão aqui também, com você, e Papai do Céu, com Jesus, protegendo o soninho de vocês todos!
- Jesus?! Quem é Jesus, pai?
- É o Filho do Papai do Céu, meu amor: ele veio ao mundo faz muito tempo, ensinar para a gente muitas lições bonitas, morreu e reviveu... E hoje segue vivo, a nos proteger e abençoar: já falei Dele pra você, pretinha linda...
- Não lembro... Eu não conheço Jesus...

Bom, antes que o leitor incauto e religioso mais fervoroso voe com a Bíblia em direção à minha cabeça rapidamente tachada como blasfema, quero deixar claro que, sim, já conversei - e muito! - sobre Deus, Jesus, os anjos e muita coisa apropriada para a idade da SuperFilha em diversos momentos destes quase cinco anos de maravilhoso convívio. Apesar de não seguir uma Religião específica, e não concordando, em inúmeros aspectos, com a Bíblia, com suas histórias duras de lendas assustadoras, assassinatos e cóleras divinas e podridões humanas que acabam "abençoadas" ao final, sempre busquei no ensinamentos de Jesus e no Cristianismo um meio-termo para as exaustões causadas por uma coleção atabalhoada de livros que se converteu em sagrada num dado momento da História da Humanidade, vindo eu, com muito do Novo testamento, a buscar nortear minhas condutas de fé, ética e formação moral... E, sem dúvida, passarei isso aos meus filhos.

Aqui em casa, por exemplo, fui o primeiro a rezar/orar com minha pequena antes de dormir - só não proferindo o Ave Maria, coisa que a Mamãe, católica convicta, tratou de fazer em muitas outras noites! Mas, com o tempo e as artes na hora de ir pra cama, visivelmente "estruturadas" para a devida procrastinação do sacrossanto ato de "dormir logo para amanhã acordar cedo e ir pra escola", as rezas e orações foram gradativamente substituídas por breves bênçãos por sobre a cabeça ou um sinal da cruz na marra, com palavras internas elevadas a Deus. E, com o fato de há muito ninguém da casa arredar o pé para nenhuma igreja, acabou que a "memória RAM" da minha garotinha meio que deletou dos arquivos mais antigos nossos primeiros contatos com o Divino e o mundo espiritual...

Mas não me fiz de rogado e, neste dia mesmo, apesar das troças da própria "mocinha", demonstrei-lhe, novamente, como rezar e orar para o Papai do Céu, que "está em todo lugar para nos proteger". Ela riu, não levou nada muito a sério, mas dormiu devidamente "abençoada" e com "conhecimento de causa" de Jesus! E agora, aproximando-se a Páscoa, onde até a mais pagã escola cheia de maquiagens de coelhinhos e trocas de cartões e ovinhos sempre mostra algo da tradição cristã para a meninada - Papai, Jesus morreu... -, surge mais uma boa oportunidade para falar da trajetória do Cristo para os pequeninos... Não, não mudo o que disse antes: continuo sem achar apropriado explicar-lhes as desumanidades da história toda, como, no caso, dos julgadores do Filho do Homem, que pereceu, com muito sofrimento, perdendo o fôlego e sangrando até a morte, na cruz - ainda que reste um grand finalle para redimir a aspereza da narração inicial, com a ressurreição... Mas, assim como no Natal eu lhe disse muitas vezes que o Papai Noel seria somente uma lenda diante do nascimento bem mais importante simbolicamente homenageado naquela mesma data, agora, com certeza, creio ser uma boa hora para, além dos coelhinhos e excessos de gordura hidrogenada açucarada com chocolate, começar a explicar-lhe sobre a morte - ainda que com muita parcimônia... Afinal, ela sequer tem 5 anos!

É por isso que, embora possa vir até a soar superficial para os de fé "superior", não vejo com tão maus olhos a cultura infantil dos ovos de páscoa e do Coelhinho: crianças são crianças, poxa, vida! Que aprendam, na medida do possível (e na tradição de cada família), sobre Fé, mas que também se divirtam com o encantamento das brincadeiras dessa época e que comam - com moderação - o "sagrado" chocolate! E não foi mesmo o próprio Rabi, do alto da sua Sabedoria de sempre, que proclamou que a ele viessem as criancinhas? Então, precisamos mais da alma infantil e do doce do chocolate, especialmente no nosso tão amargo mundo atual, onde o demasiado poderio de expansão religiosa, de igrejas cada vez mais multimidiáticas e poderosas, parece vir transformando o ato da fé numa coisa feiamente obrigatória, a dominar muitas famílias ao ponto de seus filhos ingressarem cada dia mais cedo nas duras "histórias sagradas"... Na verdade, cada dia acho esse mundo mais parecido com aqueles apóstolos que quase proibiram aquele lindo contato de Jesus com o lado mais puro do ser-humano: as crianças...

Pois que nos é ensinado que Deus trouxe Seu Filho Unigênito para sentir-se mais perto da dor humana, eu não tenho a menor dúvida de que Ele se ri de todas as doces inocências das crianças que sabem mais de chocolate do que das tragédias bíblicas, tal como Sua porção homem se riu pleno de aprendizado com o melhor da humanidade naquele breve encontro com as criancinhas... Feliz Páscoa a todos!
Porque podemos falar um pouco de fé para os pequenos, mas, por favor, de forma bem doce e cheia de encantamento... Senão fatalmente descambaremos para os absurdos "programas infantis" neo-pentescostais, onde as maiores atrocidades e bestialidades das tradições judaico-bíblicas são "amenizadas" com meros adornos de palco, como alguém vestido de bichinho e... Voilá: a Bíblia ficou "para os baixinhos"!

domingo, 8 de março de 2015

Brincos


Jamais me esquecerei do dia em que a SuperFilha nasceu, decididamente o dia mais feliz da minha vida! Antes que algum leitor distraído ache que alguém igualmente devotado aos seus três super-rebentos seja capaz de fazer distinção entre filhos, elegendo um como favorito, melhor eu me explicar: a emoção com o nascimento dos SuperGêmeos foi igualmente gigantesca, mas, diante da tensão do parto da minha duplinha, com a SuperFilhota já no canal prontinha para um parto normal antecipado em razão da grande pressão que o SuperFilho fazia contra ela com o seu supercorpinho (o médico acabou puxando-a à força por sob o grandalhão naquela agoniante cesárea) - o que gerou um pequeno achatamento nas laterais da cabecinha dela, que se foi ajeitando com o tempo, e fez com que ele tivesse que ficar um pouco no oxigênio, ambos só vindo para os meus ansiosos braços depois de horas, naquela maternidade cheia de equívocos -, pode-se dizer que o segundo parto da Mamãe passou longe da tranquilidade que foi o da minha mais velha!

Por isso é que, mesmo sem almoçar até às 17 horas naquele já distante 31 de maio de 2010, saí do hospital quase nem andando, mas levitando, de tão radiante que estava com a belezura da nossa primogênita, e, apesar do monte de tarefas ainda por realizar, o mais largo sorriso da face da Terra já se delineava entre minhas orelhas com a primeira de todas elas: comprar o primeiro par de brincos da filhona! E assim seguia eu para tal missão, das mais nobres e belas, e a cumpri sem um pingo de cansaço, mesmo num habitat que não me agrada muito, como um shopping center! Depois, de posse do lindo relicário escolhido, fui para casa tomar um banho, pegar alguns provimentos - como a caixa de bem-nascidos, para a devida distribuição aos primeiros visitantes ainda na clínica - e voltei para os lindos olhos daquela mocinha que, como diziam todos, era "a minha cara", e para o corpo dolorido da Mamãe, que, embora ainda sofresse com a cirurgia e os seios feridos com as primeiras mamadas mal dadas, estava igualmente maravilhada com aquela linda neném ali ao nosso lado... Só restava procurar a tal "senhora ótima" que fazia o serviço de furar a orelha das bebezinhas na maternidade.

- Ei, mas então é a senhora quem fura as orelhinhas das meninas por aqui?! - perguntei à própria, assustadamente surpreso com a triste coincidência de que a tão aguardada e festejada "senhora do brinco" era a mesma enfermeira que, não esperando que eu tirasse aquela paramentação toda da hora do parto para acompanhá-la até a sala de fora do centro cirúrgico, onde minha superfilhinha teria seu primeiro banho, levou sozinha a minha preciosidade e impediu o tão ansiado registro da minha supercâmera de pai de primeira viagem - e ainda ironizou a minha agonia: Você terá muitos outros banhos pra acompanhar...! E olha que eu ainda estava naquela de acompanhar minha primeira filha a todo canto, com medo de sequestro ou de troca: direito de qualquer pai em dias turbulentos como os de hoje! E, sim, ela confirmou a "autoria delitiva", disse que errou ao ter pressa e pediu desculpas, bem diferente daquela figura cheia de razão do dia anterior, que esperei, pacientemente, terminar seu lanche para levarmos juntos minha então superbebê ao mágico primeiro banho, mas que saiu sem dó nem piedade enquanto eu ainda lutava contra as pantufas e toucas da hora do parto... Claro, ela queria ganhar meu rico dinheirinho com a furadinha nas orelhinhas mais lindas da clínica!

"Ah, que mulher ruim", pensava com meus botões, enquanto minha santa esposa, no meio de suas dores, lutava para que eu me embebesse mais da embriaguez inicial do abençoado nascimento e esquecesse mágoas e decepções com quem quer que fosse... Especialmente se essa pessoa seria a que faria os furos nas orelhas de nossa amada pequena super-heroína: afinal, uma ação tão delicada exigia relaxamento de todos os envolvidos! Voltei atrás, queria acompanhar tudo, e levei minha doce garotinha de dois dias para a mesma sala do banho, onde uma ainda pernóstica enfermeira vinha com a "novidade" de não marcar as orelhinhas previamente, dada a sua "grande experiência" - o que, evitando mais atritos e seguindo o catecismo sacrossanto da Mamãe, engoli a seco e morrendo de medo do que viria... E eu estava certo! Furos feitos e brincos devidamente colocados, eis o inevitável: "um no Norte, outro no Sul", como costuma dizer a Vovó-Dinha! Furos tortos e, agora, a "genial" senhora recorre aos pontos de caneta antes das novas inserções - que ódio! Detalhe: a Filha não havia chorado na primeira tentativa, mas como um raio não cai duas vezes no mesmo lugar... Ódio renovado por aquela mulher, mais uma vez, causar tantos aborrecimentos: saio da sala visivelmente aborrecido, especialmente com o alto choro da minha garotinha, que em nada precisava daquela dor em repetição! Na hora, não cobrou o "serviço", por vergonha talvez... Entretanto, nem bem recebemos a autorização médica para voltarmos para casa, no terceiro dia, e quem bate à porta para a inevitável "cobrança"? Nem preciso dizer o quanto detestei dar aqueles vinte reais...

Inevitável que tudo isso venha à mente agora, quase cinco anos depois: há bem pouco tempo, a SuperGêmea, no alto de seus nove meses, enfim teve seus brincos colocados de uma forma completamente diferente! Sim, ela chorou igual à irmã, mas num ambiente tão calmo e com profissionais tão gabaritadas que o choro, na verdade, revelou-se muito mais como em decorrência do excesso de zelo das duas jovens  - Vejam bem as marcas... Estão certos de que está simétrico? De fato, a orelhinha direita dela tem o lóbulo mais cheinho e arriadinho... E assim, ficou melhor? - do que devido à dor da furadinha, agora com uma pistolinha prática, a injetar o próprio par de brincos, tudo realizado na mesma clínica de vacinação, para onde levamos também o SuperGêmeo para a sua dose ainda não prevista nos postos públicos. E com ainda mais vantagens: inúmeras explicações e orientações acerca dos cuidados contra possíveis riscos de inflamação e entrega de gelzinho anti-inflamatório para a limpeza do local

Ainda bem que o mundo dá voltas e tudo evolui: se a angústia e o nervosismo na hora do parto da minha atual superbebezinha foram em altas doses, bem diferente do dia chuvoso que se converteu em ensolarado com o doce e tranquilo nascimento da filhona há pouco mais de 4 anos, agora o "evento brinco" foi feito com bastante cautela e depois de muito mais tempo (no início, sua orelhinha direita ainda era bem juntinha ao lado mais "achatadinho" da cabeça) que a corrida e desnecessariamente dolorosa aplicação com aquela senhorinha que prefiro esquecer... Só uma coisa nunca muda, não importa quanto tempo passe entre filhos ou gerações diferentes: o primeiro par de brincos fica desfalcado logo nos primeiros meses, e, tanto de uma como de outra, minhas duas filhas só têm um "sobrevivente" para contar tantas histórias de seu primeiro adorno feminino...

furar orelha do bebê

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