quinta-feira, 19 de junho de 2014

O Chico Chia...


Os Diários do Papai seguem temporariamente desativados por tempo indeterminado (pelo menos enquanto os SuperGêmeos continuarem bem ativos...), mas hoje, em razão do especial aniversário de um ídolo neste 19 de junho, Chico Buarque (70 anos), que já desponta igualmente admirado pela nova geração da SuperFamília - a SuperFilha adora as canções de Os Saltimbancos e de Os Saltimbancos Trapalhões, além das clássicas A Banda e João e Maria, e os SuperBebês parecem igualmente animadinhos quando a canção de ninar que o Papai aqui resolve improvisar é do repertório do mestre carioca (claro, as "permitidas" para menores de idade) -, lanço mão de um texto semi-acabado de janeiro, época dos primeiros contatos da Filha com a Música de Chico, finalizado excepcionalmente para esta data especial:


Desde que me entendo por gente, tenho um poder enorme de observação. Costumo dizer que isso nem sempre é um dom: afinal, com a enorme facilidade que sempre tive com o "mimetismo social", basta eu conversar algum tempo com alguém de falas ou gestos peculiares para eu fazer tudo igualzinho! Nada de "falta de personalidade" ou intenção de criar chacota ou mesmo fazer troça do "imitado" (embora, na adolescência, eu sempre entretivesse os colegas com pocket shows de imitação dos professores): a coisa vem naturalmente e, assim, tons de voz, maneirismos de gesticulação e até sotaques são incorporados por algum tempo até se esvair, especialmente se com o devido afastamento do interlocutor "homenageado"...

Chame isso de uma espécie de "poder": assim, tal qual se dá com grandes personagens das HQs, esta minha "mutação" permite que eu viva vários tipos ao longo de alguns divertidos momentos. E não seria diferente com os artistas que cresci admirando, mais especificamente os cantores mais queridos, bastando uma temporada de curtição de um disco em específico para todos me ouvirem cantarolando com os mesmos tons do original dono da voz... E tome Nelson Gonçalves, João Gilberto, Tom Jobim, Paulinho da Viola e Frank Sinatra em cantigas à capela para as namoradinhas da época, as rodas e amigos no churrasco ou mesmo no bom e acústico chuveiro!

Mas isso foi há muito tempo... Hoje, no máximo, sai alguma coisa na "voz" do meu ídolo maior da MPB, Chico Buarque de Hollanda, uma vez que ainda é um dos artistas que mais ouço no meu hoje pouquíssimo tempo dedicado aos meus discos. E não é que, por conta disso, e depois de muitos embalos na rede ao som de A Banda (onde substituía "o meu amor" pelo nome da Filha), Vai Passar, Vai Trabalhar, Vagabundo e João e Maria em tons similares ao Mestre carioca, a SuperFilha acabou adotando parte do seu repertório – pelo menos as canções "permitidas para menores", uma vez que o genial compositor costuma trabalhar com temas bastante adultos em suas canções – ao ponto de chiar em cada fim de palavra com s ou z, como se carioca fosse?

E tudo começou com um bacana DVD que lhe ofertei, Chico e Vinícius para Crianças, onde deliciosas animações tosquinhas "narram" algumas imortais composições de Chico Buarque, como História de Uma Gata, Bicharia e Um Dia de Cão: repetido aos borbotoes como qualquer vídeo recém-adquirido por uma criança, não só as longas e, por muitas vezes, complexas letras do grande poeta da MPB foram decoradas rapidamente como a própria "Língua" do Chico e o seu característico chiado de sotaque do Rio de Janeiro assimilaram-se ao lindo jeitinho de a minha menininha cantar as canções deste grande autor! Filha de peixe, decididamente, peixinha é – e, para a filha de um fã de carteirinha de um excepcional cantor-compositor, não basta gostar do que o pai gosta, mas cantar como ele (e como o próprio artista admirado...)!

E isso só tem aumentado desde que a pequena passou a ouvir outras deliciosas musiquinhas de Chico, como Hollywood e Piruetas (mesmo sem ela ter a menor ideia de quem foram os Trapalhões e seu maior sucesso no Cinema nacional, Os Saltimbancos Trapalhões), baixadas da internet diretamente para o pen-drive fixo no carro – daí para as exigências na hora de dormir foi um pulo e, perdendo apenas para as principais canções de Cantando na Chuva, em Inglês, que ainda dominam o Top 5 da minha linda garotinha de 4 anos, sempre tenho que incluir o Mestre Carioca no score das músicas necessariamente cantadas na hora de dormir (hoje em dia, na cama)! Ainda bem que não há exigências também em como devo cantar: por isso, o "estilo Chico", com os devidos chiados e entonações, podem ou não dar as caras na minha interpretação pré-soninho, dependendo do humor naquele dia...

Na sua canção favorita do Chico na atualidade, Bicharia (Bardotti/Bacalov, com versão em Português de Chico Buarque), a Filha não se cansa de ouvir, depois dos sons característicos de cada um dos bichos do grupo dos animais saltimbancos ("Au, au, au. Hi-ho hi-hó. Miau, maiu, miau. Cocorocó"), o trecho em que é mostrada a exploração trabalhista à exaustão do que cada animal pode render ao seu patrão, o inescrupuloso Barão: "Puxa, jumento (Só puxava)/ Choca galinha (Só chocava)/ (...) Mas chega um dia (Chega um dia)/ Que o bicho chia (Bicho chia)"... A Mamãe, embora adore a obra do completo artista – que, nesta semana, completa 70 anos –, às vezes admite enjoar de tanto ouvir esta e outras canções! Mas o que ela não pode deixar de concordar é que, como o bicho, o Chico, genialmente em seus lindos poemas musicados, chia... e a SuperFilha, imitando o Chico (tal como o Papai), chia como ninguém!

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