domingo, 4 de outubro de 2015

Família


No último final de semana de setembro, a escola da SuperFilha realizou, pela segunda vez consecutiva, o Dia da Família, com uma série de atividades educativo-recreativas que, atualmente, são igualmente realizadas em várias escolas em todo o País, sempre conjurando pela presença maciça de todos os familiares que convivam diretamente com os alunos. A data, na verdade, foi criação da UNESCO e desde 94 é comemorada no dia 15 de maio - sendo que, no Brasil, a data especial é celebrada em 8 de dezembro. Mas enquanto a ocasião é normalmente marcada por campanhas de valorização do seio familiar, bem como de divulgação de direitos e responsabilidades por sobre questões econômicas e sociais que afetam as famílias no mundo todo, a sensação que passa em relação às escolas é a de um mero oba-oba mea culpa, a fim de só e tão somente dar uma "satisfação" para os responsáveis sobre o trabalho da instituição de ensino, tentando diminuir a enorme distância criada pelos próprios colégios no trato com os pais e familiares no dia-a-dia sem reuniões periódicas ou maiores eventos que realmente aproximem os familiares das atividades desenvolvidas com cada aluno matriculado...

E digo isso por duas razões: a primeira se deve a um caso específico vivido pelo Papai aqui... No ano passado, já reclamando pelo segundo ano consecutivo (a Filha começara naquela escola no ano anterior) a respeito da ausência de uma cerimônia de homenagem para o Dia dos Pais - sim, porque enquanto a Mamãe todo ano participa de alguma coisa, desde homenagens coletivas com danças e versinhos cantados no ginásio a cânticos, nas salas, de alguma música famosa que se encaixe no Dia das Mães, os pobres pais temos que nos contentar somente com a lembrancinha feita (e inteiramente paga por nós!) -, ouvi pela primeira vez essa conversinha por parte das coordenadoras: - Ah, mas não fizemos nada porque estamos preparando uma megafesta para todas as famílias em setembro: aí os papais terão suas homenagens! - confesso que, inocentemente, acreditei e aguardei a então "primeira edição" da tal data, que em nada teve direcionada qualquer homenagem direta (ou mesmo indireta) aos pais, vindo a ser somente um "grande dia no parque", onde a maioria das brincadeiras apresentava algum tipo de "projeto" desenvolvido juntamente às crianças...

Nisso, eu abro um adendo aqui: por que os papais são tão renegados?! Ora, não vivemos mais nos tempos machistas dos nossos pais, onde a figura masculina era aquela coisa distante e autoritária, que em pouco ou quase nada se envolvia com as criações dos filhos! Hoje é bem diferente: toda a geração de machos da qual faço parte eu vejo trocar fraldas, dar banho e levar suas crias para passear! Mas os holofotes ainda são somente para as fêmeas mães... E, o que é pior, tal inferiorização ultrapassa os muros dos colégios e é generalizada! Exagero meu?! Então, pra ficar só com um exemplo a emoldurar a minha tese, confira aqui o primoroso carinho de canção composta pela equipe da Galinha Pintadinha em homenagem às mamães (no DVD A Galinha Pintadinha Vol. 4) e aqui a mais recente composição mal-ajambrada e pobrinha, pobrinha que o mesmo pessoal bolou para o próximo volume da famosa galinha azul infantil, e me diga se tenho ou não motivos de sobra para as minhas reclamações! Pois bem, continuando para a nossa segunda razão de minhas críticas ao tal Dia da Família: as "tias", professoras, passam um tempão na nossa cola para que seja paga uma taxa disso, outra daquilo, que mandemos materiais recicláveis (como latas, copos etc.) e enviemos fotos do aluno nalguma diversão em família; ficamos um bom tempo para escolher a foto, aquela que melhor represente ou defina o espírito do nosso clã super-heroico e... Tudo é resumido a uma fotinho com moldura de papelão num canto obscuro da sala - com os brinquedos de latas e copos perdidos nalgum estande que, pela lotação e pelo excessivo número de "atrações", dificilmente você conseguirá achar...

E eu, sem tempo algum, ainda me consumi por não achar nenhuma "foto perfeita", uma que nos unisse a todos para um único take: como geralmente ou eu ou a mãe é que estamos por trás da câmera ou celular, não havia uma única imagem com todos nós cinco reunidos! Então imprimi 5 fotos em tamanho 10x15 (até isso era difícil: desviar o caminho corrido e passar numa dessas "foto-rápida" para imprimir!), dispus tudo numa espécie de mosaico e as colei num papelão - que voltou, com apenas duas arrancadas, que seriam usadas numa moldurinha sem sal... Críticas à parte, é claro que é válido e louvável qualquer esforço de se realizar um dia onde as famílias possam adentrar os cada vez mais fechados muros das escolas e interagir com seus filhos e com os seus coleguinhas mais próximos - a própria filhona se mostrou visivelmente ansiosa pela chegada deste "sábado mágico", não parando de falar a respeito e até dormindo menos nos dois dias que o antecediam! Fosse por causa da chance de ouro de ter os seus SuperIrmãozinhos juntos a ela no colégio, fosse porque o meu lado nerd falou mais alto e acabei comprando camisas/vestidos para todo mundo aqui, imitando as insígnias e os uniformes dos super-heróis - no caso, as meninas todas iriam de Mulher-Maravilha e os meninos, de Batman (DC rules!) -, uma vez que a coordenação do evento sugeriu que cada família fosse "personificada" com algo que a representasse em conjunto, com roupas iguais ou com um tema em comum  (por que será que escolhi este em particular, hum?!)... Enfim, uma festa anunciada para qualquer criança!

E assim, todos devidamente paramentados e com a ajuda mais do que necessária da Ciça, a nossa SuperBabá, para lá fomos nós, a nos unir (e nos dividir...) e a suar bastante para conciliar os diversos interesses envolvidos: a SuperFilhotinha queria andar serelepe e ver as muitas novidades para o Leste; o SuperFilho adorava sentar-se e arrancar a grama ou engatinhar pelo chão para o Oeste; e a "Moça-Maravilha" preferia as atrações dos meninos "mais velhos", como um estande de maquiagem infantil (?!) ou um karaokê com canções adultas e desconhecidas (?!?!) - onde sussurrou, ao microfone, a sua favorita Let it go e arrancou aplausos de todos! E a tão almejada "super-foto"?! Bem, nem preciso dizer o quão difícil foi reunir todo mundo, mesmo com tantos fotógrafos à disposição no evento... Mas conseguimos: a SuperFamília (literalmente), enfim, totalmente reunida para emoldurar - agora é só esperar que o fotógrafo apareça em frente ao colégio com seus "precinhos camaradas"! E viva a família brasileira, independentemente de datas especiais, eventos escolares para inglês ver ou de qualquer outra especificação, bem mais eclética e parecida com a que os Titãs pintaram lá atrás na década de 80 do que o que quer a maioria dos nossos atualmente retrógrados representantes do Congresso Nacional e seus absurdos e falidos estatutos...

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