sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Não faz o menor sentido...



Desconheço animação mais esdrúxula que Dora, A Aventureira! Sim, respeito sua imensa popularidade junto aos pequenos, bem como seus bons apelos interativos e educativos – a SuperFilha, que tão bem a personificou em sua festinha de 3 anos, começou a contar em Inglês graças à personagem. Realmente não me refiro ao exagero e à fantasia comuns a qualquer atração infantil que se preze, mas não consigo ficar indiferente à bobagem sem sentido e em excesso, daquela usada como mero pretexto para as propostas do filme: na semana passada, por exemplo, surpreendi-me com um episódio que vi ao lado da minha garotinha (meio que ela me obriga, sempre que estou em casa), onde, depois de várias bobagens non-sense, a garotinha cabeçuda e com enormes olhos "latinos" virou-se para a tela e perguntou – Pessoal, caixas de correspondência sabem falar? Claro que não: aquele é o Raposo!, para que as crianças interagissem e "evitassem" que o vilão pegasse um precioso bem dos protagonistas. Agora eu pergunto: num desenho onde uma menininha de 7 anos sabe tudo e perambula com um macaco falante junto a pedras, mochila e até mapa igualmente tagarelas em meio a uma floresta cheia de absurdos, a coisa mais "normal" seria uma caixa de correios falar, não?!

Não me entendam mal: sempre adorei as maluquices dos desenhos animados, como aquelas do pessoal dos Looney Tunes, onde uma bigorna da ACME sempre caía na cabeça de um coiote para, na cena seguinte, ele já estar recuperado atrás de um papa-léguas exageradamente rápido (na vida real, um coiote é bem mais veloz!). Mas aquilo servia para o humor do show e a sucessão de piadas bem boladas agradava até aos mais sisudos pais que passassem naquele momento pela sala, em frente à TV! Hoje, não: as atrações das grades infantis seguem um padrão formulaico e são todas muito bem planejadas e sem graça, visando somente ser "educativos" para os bem pequeninos ou campeões de licenciamento ao extremo! Vide outros programas nos mesmos moldes interativos e padronizados, porém igualmente adorados pelos pequerruchos da pré-escola, como Equipe Umi-Zoomi e A Casa do Mickey Mouse (versão infantilizada e em 3D dos famosos personagens Disney) – que, mesmo com as chatices repetitivas e sem muito nexo de costume, ainda são bem melhores que a Dora!

O pior é que sempre foi assim: os absurdos vêm de longe nas histórias infantis... Peguemos alguns exemplos daqueles clássicos contos de fadas europeus de Perrault ou ditados pela oratória popular e suavizados pelos Irmãos Grimm (as narrativas originais incluíam sexo, violência e até satanismo!), remodelados, por sua vez, pelo maior industrial do entretenimento, Walt Disney: na animação Cinderela, a sofrida heroína passa por dois momentos completamente absurdos – no primeiro, depois de sair correndo do baile à meia-noite por causa do "prazo" do feitiço da Fada Madrinha, a bela jovem deixa cair um pé dos seus sapatinhos de cristal (que desconfortáveis deviam ser esses sapatos: nem palmilha tinham!), que, pasmem, não viram purpurina como TODO o resto das coisas transformadas pela super-varinha de condão (a carruagem volta a ser abóbora, o lindo vestido se converte nos velhos andrajos, os cavalos viram ratinhos novamente, mas o calçado fica!); e, no segundo, pasmem ainda mais, o sapatinho insistente, que deveria servir para que se reconhecesse a misteriosa moça por quem o príncipe se apaixonara, quebra-se (cristal de quinta) por artimanha de uma das meias-irmãs malvadas de Cinderela , que, por sua vez, guardara o outro pé do par! Mas hein?! E o que isso prova, afinal?!

Seja em A Bela Adormecida (se as fadinhas tinham o poder do "contra-feitiço", podendo converter a maldição da morte anunciada aos 16 anos em sono sem fim até o beijo de um príncipe, porque elas não desfizeram tudo na hora da praga de Malévola?!), seja em Chapeuzinho Vermelho (por que o Lobo Mau não devorou Chapeuzinho quando a encontrou na floresta? Obsessão pelo mais difícil de ir até a casa da Vovó ou um grande desejo crossdresser de se fantasiar de velha?!), seja em Branca de Neve (a linda Rainha má se deforma toda para dar uma maçã envenenada para Branca para que esta "não morra", mas somente "durma como se estivesse morta" e ainda tenha a chance de ser despertada com um beijo?! Os vilões de 007 perdem!), o certo é que não há como fugir do absurdo das coisas sem sentido da maioria dos contos para a criançada... Pois, se é certo que a arte imita a vida (e vice-versa), nada mais justo do que pegar emprestado um pouco do sem-sentido do faz-de-conta e jogá-lo na realidade, com gosto...

Não, não falo de bichos e coisas falantes ou mesmo de planos tontos e cheios de furos de bruxas e outros vilões dos contos: no mundo real, os absurdos são bem menos doces! Que o diga a minha garotinha: afetada pela sua metade genética terrestre herdada da Mamãe, carente dos superpoderes kryptonianos do Papai aqui, nem bem a pequena saiu daquela angustiante semana em que amargamente experimentou sua primeira dor de garganta, com altas febres em mais uma infecção de início de semestre letivo, nos últimos dois finais de semana a pobrezinha voltou a ter febres, chegando a perder mais dois dias preciosos de aula (agora a coisa está "séria": todo dia ela tem aulas de escrita)... A causa? Ninguém soube, nenhum médico plantonista descobriu... Então foi "virose"! E o mais curioso de tudo isso foi que somente nos últimos dias surgiram alguns sintomas comuns a uma virose, como numa simples gripe comum: narizinho ressecado com intervalos de coriza e alguma tosse improdutiva (seca), seguidos de perda de apetite. Vai entender... Nesse caso, nem beijo mágico de príncipe encantado (com quem minha inocente menina anda dizendo que quer se casar!) consegue explicar!

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