sexta-feira, 7 de março de 2014

Com os poderes da anti-folia...!


"– Olha, Mamãe: igual à Carmen Miranda..."

Noutro dia, lendo um artigo onde se discutia sobre a vaidade dos pais no ato de levar seus filhos para o carnaval, eu refleti sobre minha tenra infância: vindo de “distantes terras kryptonianas”, onde jamais se viram festas como a do carnaval, e jamais afeito a grandes folias “terrestres”, o máximo que me atraía na Festa de Momo eram as brincadeiras de molhar ou sujar (às vezes, os dois ao mesmo tempo!) com os amiguinhos na rua ou a farra com os primos que dormiam na casa de minha querida avó, já falecida, enquanto nossos pais pulavam nos bailes dos hoje extintos clubes recreativos da Capital... Mas minha mãe, a Vovó-Dinha, pensava diferente: entocava-me numa fantasia, geralmente feita por ela própria, e sempre me arrastava às antigas “vesperais”, aqueles bailinhos para os pequenos que eram então febre, nos anos 80.

Nada era forçado, claro, de se deixar bem claro nestes tempos tão politicamente corretos... Mas tirando o lúdico de vestir a fantasia, parte que eu apreciava bastante (minha favorita foi a do He-Man, numa época em que sequer existia fantasia do personagem à venda!), não foi difícil perceber, com o passar do tempo, que o ato de me levar para o carnaval e, consequentemente, de me converter num folião, sempre foi bem mais atrativo para ela do que para mim, normalmente meio perdido como um tristonho Pierrot em miniatura entre aquele mundaréu de serpentinas e confetes sujos do chão (que a meninada recolhia a esmo) e de crianças desconhecidas, poucas delas aproveitando, de verdade, a folia...

Hoje faço a mesma reflexão em relação à SuperFilha: não, eu não a arrastei para nada... Mas a Mamãe, foliã de carteirinha nos tempos da adolescência, meio que seguiu os mesmos passos da minha “velha” e tentou ver revelada a alegria carnavalesca da nossa filhota! Assim, levou-a duas festinhas: uma realizada aqui mesmo no condomínio, no "domingo magro", com uma feijoada mais com cara de confraternização do que de festa carnavalesca (onde minha pequena foi devidamente paramentada de “coelhinha”), e a outra, num shopping local, no “sábado gordo” (onde a fantasia da vez foi a de “bailarina”, reaproveitamento da bela indumentária usada na apresentação do balé do ano passado). E, apesar da inicial agitação, no meio de ambos os “bailinhos” a Filha só demonstrou o que eu já suspeitava: herdeira dos meus “genes kryptonianos”, mostrou-se igualmente distante de toda aquela agitação, com o poder da "anti-folia" e chegando mesmo a desconcertar-se quando uma irritante espuma era jogada em seu bracinho por um foliãozinho distraído...

Mas nem só de folia vive um feriadão de carnaval: explicar para a mocinha que a maioria dos locais de recreação está fechada nesta época tem que apresentar um paliativo... Assim, uma praia, ainda que cheia e não tão limpa como se gostaria, ainda é uma boa opção ao ar livre, com muito protetor solar e muita água de coco – ainda que "surrupiado" do canudinho da coleguinha da barraca ao lado! Ah, e um bom vídeo em casa pode salvar a lavoura: não, nada mais de Galinha Pintadinha e outros quetais "infantis" e "ultrapassados"! A onda agora é ver (e rever e rever e rever...) sequências de Cantando na Chuva e Mary Poppins, diretamente da coleção de DVDs do Papai! O legal é que, desta vez, não dá para enjoar as cenas e canções repetidas à exaustão... Sem esquecer o bom e velho desfile de carnaval pela TV, onde inúmeras figuras multicoloridas são rapidamente reconhecíveis por uma menina cada dia mais esperta e antenada!

Não digo que não existam crianças animadas – a SuperFilha mesma gosta muito de dançar e de imitar as coreografias que aprende com seus DVDs da Palavra Cantada ou do Hi-5 – passando bem longe, é claro, de horríveis danças adultas e de péssimo gosto que alguns pais ainda permitem que seus inocentes filhos repitam... Mas não se animou numa festinha carnavalesca, a não ser pelos raros momentos de jogar uns confetes nalgum coleguinha! Descobri que há, nos pais, essa espécie de desejo latente em ver seus filhos aproveitarem a vida ao máximo e de jamais perderem as “oportunidades” de se divertir – incluindo aí a maior festa popular brasileira! Democrata como sempre fui, jamais insistirei com qualquer um dos meus filhos para que faça ou deixe de fazer qualquer coisa que não seja do seu mais completo interesse. A Filha até aprendeu Mamãe, Eu Quero e Tico-Tico no Fubá, mas de carnaval, mesmo, só as fantasias – das quais ainda estou devendo a da Galinha Pintadinha...

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