quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Crônica do Dia das Crianças


Um bocado de trabalho atrasado, problemas com bancos em greve, um pouco de apatia... E a vontade de vivenciar o Dia das Crianças com Isabela... Dei-lhe os brinquedos logo cedo, brinquei com ela um pouquinho e fui "cuidar do dia": um escritório sem fim de coisas para fazer. Ela vem, sobe no meu colo, "brinca" um pouquinho no teclado, tenta desligar a CPU, desce irritada (porque contrariada), mas logo se esquece com uma aula minha de Direito Penal a esmo pelo chão: amassa o papel, dá uma risadinha danada porque se sabe em erro e sai do gabinete para merendar com a mãe. Como eu queria ser criança novamente...

Largo meus papeis, penso que quero publicar algo nos Morcegos sobre este dia e passo a procurar na 'internet' por antigos vídeos de boas coisas para crianças da minha época: afinal, sou de um tempo um pouquinho anterior ao fato de a Globo iniciar seu sistema de "programa infantil de gado", onde as crianças eram apenas cenário com seus pompons vãos, esperando alguma loira burra sem um pingo de talento ou vocação infantil puxar um pelos braços na marra e jogá-lo pra lá e pra cá, como numa grande turbulência de disco voador mequetrefe... Pouca coisa de significativa achei sobre o antigo (e único) Sítio do Pica-pau Amarelo, Daniel Azulay (que me "ensinou" a desenhar) ou Fofão (Eu, você, o som e a fantasia...) e adio qualquer postagem para a tarde. Agora tenho que ajudar com Isabela, porque Jandira está só na cozinha (a empregada, mesmo com tantas faltas, resolveu feriar hoje também).

Volto ao computador, tanta coisa na cabeça... Tenho que levar o carro para lavar e cortar os cabelos, coisas tão simples do dia-a-dia que vinha adiando nos últimos tempos por pura desorganização de tempo. Depois eu publico algo...

"Tens que ligar para A, B e C", Jandira me lembra, feriado é mesmo assim. Tenho que correr, a gente tem que levar Isabela para dar uma voltinha, hoje é dia dela e ela merece. "Aonde a levaremos?", pergunto diante da absoluta falta de opções de recreação infantil em minha provinciana São Luís... Acabamos por levá-la a 2 'shoppings' sem nenhum atrativo infantil e compramos coisas nos supermercados – "Mas que passeio mais besta pra essa criança!", indigno-me internamente à certa altura, chateado com o dia burocrático, quando percebo uns gritinhos por trás da gôndola das fraldas: é Isabela, na seção ao lado, dando gritinhos de alegria, andando quase correndo pelo corredor com Jandira logo atrás, feliz da vida no alto de seus 16 meses bem vividos!

À noite, depois de sua "estreia" com papinha de Mucilon (largando o peitinho, sabe como é, crescendo...), ainda me enterneço mais uma vez com seus lindos sorrisos para mim, com tanta gente já deixado de me amar na longa estrada, tantos os meus defeitos, e ela ali feliz ao meu lado, na sua mais longa noite acordada até hoje: mais de 23 horas e aquela piunga serelepe, só agora dando os primeiros sinais de soninho chegando... Beijo de boa noite, umas duas cantigas de ninar (mais um samba antigo e melodioso infalível) e com o sono de Isabela me despeço do Dia das Crianças assim, lembrando-me de que a vida pode ser bem mais simples e divertida do que a gente pensa ou quer planejar... O 'post' (e o resto do trabalho) ficam para amanhã. Tomo um copo de vinho e vou ler um gibi do Batman: afinal, tenho o mundo inteiro nas mãos e criança tem mesmo o direito de espairecer...

1 comentários on "Crônica do Dia das Crianças"

Claudinha ੴ on 24 de outubro de 2011 20:00 disse...

Uai... Eu tinha comentado este post... O que será que houve???

Espero que Isabela tenha curtido o seu dia, todo dia, dia a dia. Porque crianças somos nós quando babamos ao ver nossos filhos... É ótimo ser inocente e feliz, com a força incrível de um sorriso que faz de nós capachos, servos de suas pequenas vontades... É lindo! Que Deus os abençoe! Um beijo grande para vocês, três crianças!!!

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