quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Carnavais


18 de fevereiro de 2015
Acabou nosso carnaval/ ninguém ouve cantar canções/ ninguém passa mais brincando feliz/ e nos corações/, saudades e cinzas foram o que restou... Assim rezavam os lindos versos de Vinícius de Moraes sobre o ocaso do fim da Festa Maior, em sua Marcha da Quarta-Feira de Cinzas. E não há como não lembrar esta bela marcha-rancho olhando o panorama deste fim de carnaval aqui em casa: restos de confetes e serpentinas ainda são facilmente vistos no carpete do carro e por baixo do sofá da sala; na parede do meu quarto, duas fantasias ainda dependuradas – de bailarina, quando da primeira apresentação da SuperFilha no balé da escola (agora aproveitada como colombina), e da Rainha Elsa, de Frozen, a tão cobiçada roupa enfim comprada; e, na TV, os resumos editados dos desfiles da noite anterior como deslumbres de cores para os SuperGêmeos (que também se vestiram de palhacinhos, graças à Vovó-Dinha –, e, pela enésima vez no pen-drive, a repetição da animação Rio, rara referência de coisas brasileiras em desenho animado, onde um monte de pássaros sambam ao som da maravilhosa Favo de Mel (versão nacional de Real in Rio, ambas composições de Carlinhos Brown e Sergio Mendes)... E, agora, a semana só “começando” e toda essa "ressaca" pós-feriadão, aliada a uma gostosa chuva, não quer deixar minha menina levantar-se da cama!

Mas se engana quem pensa que se trata de uma casa que respira carnaval: um tanto quanto avesso ao período momesco, no máximo dando uma conferida na movimentação pela televisão, nunca fui de incentivar a veia foliã de nenhum dos meus filhos – tal como muitos pais que forçam a barra com os pequerruchos... Mas o lado lúdico da Festa Maior sempre me pareceu muito bacana para a criançada e, assim, o cenário de "fim de festa" adveio simplesmente por causa das muitas brincadeiras entre a Filha e suas coleguinhas, fosse no bailinho da escola, fosse num aniversário carnavalesco de 4 anos de uma garotinha do condomínio, ou, ainda, na sua primeira vesperal num clube local, conduzida pela ex-foliã Mamãe (essa, sim, "dançava que se acabava" na adolescência...). Já o carnaval dos SuperBebês se resumiu a participações mais que especiais em sua primeira festinha – aquela do condomínio – e na pausa para fotos com os modelitos comprados pela avó paterna, quando por lá passamos a terça-feira gorda. Até ensaiamos uma viagem para uma capital próxima, bem tranquila, mas que mixou diante de um duro resfriadinho dos Bebês, do extenuante cansaço de nossas rotinas diárias e da volta de uma super-dor estomacal que, de tempos em tempos, enfraquece este pobre super-herói combalido...

Na verdade, a viagem de carro tinha como meta cumprir duas funções: uma, rever parentes da Mamãe, levando a filhona a passar dias diferentes e mais divertidos na presença dos seus adorados primos; a outra seria uma espécie de "fuga para a tranquilidade"... Nem seria por causa de algum barulhento baile próximo ou qualquer outro inferninho carnavalesco na vizinhança, mas, sim, devido a um "retiro religioso"! Pois é, há quase sete anos morando no alto desta super-torre de observação (todo super tem uma morada estilosa ao menos no nome, né?) e todo carnaval é a mesma coisa: um colégio municipal ao lado do nosso condomínio é sempre cedido para barulhentas igrejas pentecostais fazerem seus "encontros de jovens" e acabar com o sossego de todos em volta graças às suas infernais bandas 'golspel' e seus alucinados gritos de "louvor" em caixas pra lá de amplificadas! O barato foi que, neste ano, a maior festa pagã trouxe um milagre: ninguém na quadra do colégio e, com a promessa de sossego, aliada àquelas situaçõezinhas chatas que citei antes, eis que o bloco do “vamos ficando por aqui mesmo” acabou vencendo de lavada!

E não poderíamos ter feito melhor escolha: os gêmeos melhoraram, os superpais aqui descansaram um pouquinho e, em meio às curtições cheias de simplicidade na caseirice, eis que ainda deu pra arranjar alguns bons passeios com a mais velha, incluindo uma saudosa praia com direito a castelinhos e sereias de areia! Uma pena que a folga está acabando... Enquanto o Poetinha se enchia de melancolia com o fim da folia e dos velhos carnavais, as mudanças do tempo, aqui em casa, são cheias de alegorias com essas lindas crianças em desfile, e os nossos adereços, para além das fantasias dos pequenos, estão mesmo na alegria sem fim de amanhecermos e anoitecermos embolados nesta festa tranquila que dura bem mais do que míseros três dias – basta o tempo evoluir direitinho, sem correria nem atropelos, na avenida...

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