domingo, 20 de abril de 2014

Páscoa pouco tem de doce...





Como diria o Tio Presidente, "Nunca antes na história" desta casa viram-se tantos ovos de Páscoa juntos...! Sim, neste ano eu não economizei e, seduzido pelos divertidos "brindes" (grátis?), acabei comprando ovos para todo mundo e, até quem ainda nem nasceu, "ganhou" os seus: o SuperFilho, por exemplo, receberá uma linda bola de gomos do time do coração do Papai, e a minha SuperBebezinha, uma mochilinha com o mascote da Copa do Brasil, como lembrança pelo grande torneio no ano em que ela vai nascer... Os chocolates respectivos? Seriam consumidos, em "suaves prestações", pela SuperFilha, pela Mamãe formiguinha e, uma vez aqui e outra acolá (prefiro os amargos), pelo Papai aqui!

Mas é claro que minha supergarotinha não ficaria de fora desta festa cheia de doces e brindes! Assim, além da "rebarbar" dos irmãozinhos e do que eu especialmente lhe comprei (e acabei dando bem antes da data religiosa), que vinha com uma linda pulseira cromada das Princesas Disney, minha pequena também ganhou gostosos ovos de outras pessoas: da Prima Rô, no final do mês passado, recebeu (e também já papou) um que vinha com um pingente do filme Universidade Monstros, e, da Vovó-Dinha, um com uma repaginada Sininho - sim, aquela do Peter Pan que hoje insistem em chamar pelo nome em Inglês, TinkerBell! - que acende as asinhas... Engraçado é perceber que a divertida garotinha, sempre que acende a bonequinha, canta "Parabéns pra Sininho", como se ela fosse uma velinha!

- Mas não é muito chocolate para essa menina?, perguntou, certa feita, um preocupado Vovô Lito. Calma, papai: logicamente que a Filha, que só conheceu a gordurosa tentação infantil há pouco tempo, jamais comeria tudo isso sozinha! Na verdade, a ela só são dados pequenos pedaços, muito raramente (ela ainda prefere Danoninho!), e em "parceria" com a mãe ou com o pai, que costumam levar os pedaços maiores! Pelo menos era esse o plano...

Mas como todo plano pode mudar a qualquer momento, mesmo com tantas guloseimas às mãos (pra completar a fartura, a Tia Wandeca ainda enviou uma sacola de doces do aniversário do filhão, que perdemos na última segunda), nesta noite de domingo pascoal ainda restavam ovos intocados! O motivo: a Mamãe, maior devoradora de açúcar da casa, não participou da festa adocicada deste ano, porque não parou de vomitar desde a sexta-feira santa - percalço que já havia se manifestado no último fim de semana, por conta do aumento da barriga a comprimir os demais órgãos... Chocolate, normalmente contraindicado para gestantes em estágio avançado como o dela, neste doloroso quadro de enjoos atual, então, nem pensar!

Graças a Deus, pelo menos as horríveis dores no rim esquerdo, causa da ida à emergência do hospital no final de semana anterior, parou de atormentá-la ao longo da semana, com o tratamento com vários medicamentos... Mas o feriadão vai chegando ao fim com um gostinho meio amargo: as dores e o mal estar contínuos da Mamãe; as poucas saídas de casa com a SuperFilha por causa disso; as preocupações com os dias vindouros, se os gêmeos virão já nessa semana; se a Mamãe necessitará de internação... Pelo menos, a última ultrassom mostrou que os SuperBebês estão bem (com um SuperFilho grandão se anunciando...) e a nossa crescida garotinha, mesmo em meio a birras chatinhas e a uma tosse renitente, também goza de boa saúde! E, se o feriadão não foi melhor desfrutado, resta o convite para a fé em dias mas tranquilos e doces...

O curioso é que a celebração da Páscoa, tanto a cristã quanto a judaica, nada tem de doce em sua origem: seja pelo sofrimento do povo hebreu até a libertação do cativeiro no Egito, seja pela tortuosa, lenta e agonizante morte de Jesus nas mãos dos hebreus/romanos, a ideia do período pascal é sempre a de convidar à reflexão, ao jejum, à oração... Pode ser que o chocolate tenha sido usado como algo ameno diante de tantas agruras, advindo da ideia das vitórias após todos esses sofrimentos: Jesus venceu a morte e Moisés, em meio a duríssimas "pragas divinas", liberta os judeus do jugo egípcio (para amargar outros tantos anos, mas isso já é outra história...), de acordo com a Bíblia. O certo, entretanto, é que a vitória foi mesmo da indústria do consumismo, onde a simbologia e a religiosidade austera do período pascal acabou sendo completamente substituída pelos caríssimos ovos de Páscoa...

E eu, que acabei de rezar com a SuperFilha, agradecendo a "Papai do Céu" pela família e pedindo a proteção e a saúde de todos nós, em especial pela da Mamãe "dodói", mas independente de Religião, ainda encontrei dificuldades, neste ano, de "explicar" a Páscoa à minha pequena: difícil falar da crueldade humana e de todos aqueles martírios, mortes, Deus punidor, Deus de amor... E, diante da mãe quase todo o feriado acamada e silenciosa em seu momento difícil, termino por preferir o escapismo do Coelhinho e dos ovos cheios de cores, brinquedos e sabores para a minha filha: afinal, o lúdico infantil sempre será mais gostoso do que qualquer sofrimento adulto...
2023

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