quarta-feira, 9 de abril de 2014

Manhas, Manias, Medos e Fobias...
Mas Bater na SuperFilha Jamais!


Correria contra o tempo e o trânsito ruim já de quase meio-dia. Mais dificuldade ainda para estacionar em meio aos inúmeros pais irresponsáveis que, em frente à escola dos filhos, dão péssimos exemplos de egoísmo e arrogância ao deixarem seus carros fechando outros, em filas duplas ou, até mesmo, embaixo de placas de "proibido estacionar" – É rapidinho, afirmam os infratores! Chego à sala e a SuperFilha me recebe com um gritinho e uma corridinha até a mim, e tenho que carregá-la com um abração. Nisso ela enfia a cabecinha em meu cangote e quer ser carregada até o carro, mal falo com a professora. Boto-a no chão, ela chia. E chora porque não quer saber de vir puxando a mochila, o que só acaba quando lhe ofereço um copo d'água do bebedouro – sendo que, se ela não puxar o copo ou se eu beber na frente dela, birra novamente! No caminho pra casa, se eu cantar ou assobiar por sobre uma canção das suas favoritas, é zanga na certa... Neste caso, o jeito é ignorar...

Chegando a nossa casa, nada de puxar a mochila novamente até o elevador! – Mas essa é sua responsabilidade!, eu insisto e ela, em meio a um chorinho-que-não-engana-ninguém, obedece. Hora do banho: até que ela não birra mais, depois que comprei uma superducha que mais parece aquelas das piscinas... Mas, no chuveiro, ela abre a boca pra engolir a água e ainda passa a mão no xampu ou no sabonete e lambe, com a maior cara de levada, como provocação, porque sabe que não pode! Repreendo-a veementemente, falo dos riscos de ficar dodói com aquilo, mas debalde – afinal, já fiz isso ontem e anteontem e anteontem... E ela acaba inventando alguma outra porcaria que já nem lembro mais antes de o banho acabar! Depois de enxuta, hora do hidratante: ela me pede um pouco pra que ela mesma passe e eu, visando sua independência, dou-lhe um bocado, que ela divide entre as mãos até, ao chegar a um derradeiro restinho, voltar a levar à boca e lamber! Ralho mais forte e agora lhe dou, de impulso, uma palmada na mão usada no "delito" (o famoso "bolo"). Imediatamente me arrependo, mas ela, curiosamente, continua com a mesma carinha risonha – e olha que estalou, foi forte...

Algum tempo depois, ela já sob a "jurisdição" da Mamãe, outro estalo: agora de uma palmada "bem aplicada", garantia minha gravídica esposa, uma vez que a pequena bateu, pela enésima vez, na barrigona dos seus irmãozinhos... Desta vez, ela vem chorando até a mim, como que pedindo meu apoio: não o dou! – Você bem sabe que não pode bater na Mamãe, muito menos machucar seus irmãozinhos!, advirto seriamente, além de passar um pequeno sermão, olhando em seus olhos e ela chora copiosamente. Toda essa cena acaba atrapalhando a refeição, em seguida: apesar de um começo promissor (–  'Tá gostoso, Papai...), logo a Filha passa a cuspir e a fazer chantagem: – 'Qué' ajuda, Papai... Tradução: "se não me der na boca, paro de comer agora"! Acabo cedendo ao mimado apelo de início, mas depois encerro a patacoada, não sem antes "puni-la" sem sobremesa, no que ela chora novamente. Paciência no limite e eu engulo tudo com uma garfada de salada...

Hora de dormir depois do almoço, que a sesta, pra ela, é fundamental! Mas não sem antes ser cantado seu score favorito da atualidade: quase todas dos musicais Cantando na Chuva e Saltimbancos. Até que pega logo no sono a danadinha, tão cedo que todo dia acorda pra ir ao colégio... Mas logo aquele sagrado momento de calmaria é quebrado: – Pai, tá doendo o ouvido... Corro para olhar: aparentemente, nada. Limpo superficialmente a orelha com um cotonete para ver se o incômodo passa: em vão! Ofereço água: vai que é aquela sensação chata, normalmente advinda de gripe (finalzinho de uma tosse persistente), quando os ouvidos parecem "fechar-se", e um copo d'água bem bebido destape tudo? Mas a queixa continua... Combino com a mãe para irmos à emergência do hospital mais próximo: – Não quero ver médico, não!, vaticina a garotinha, assustada depois de sucessivas idas recentes à mesma emergência para ver se, em meio a viroses febris, sua garganta estava inflamada... Depois de mais de duas horas na espera, eis que uma simpática médica ouve a fúria de desespero da SuperFilha: debatendo-se, com medo de que teria que abrir a boca novamente para que se enfiasse fundo a famigerada paleta para examinar a garganta (motivo que a fez chutar uma outra médica alguns meses atrás: causa do trauma?), ela só "permitiu" o exame de um mero otoscópio com os pés e braços bem seguros! Mesmo estressado, luto contra qualquer ímpeto de repreendê-la: afinal, tenho de acalmá-la...

De volta pra casa, remedinhos comprados (otorrinolaringogicamente alérgica, como o pai?), na hora de dormir, mais protestos: não quer ir para a cama antes da Peppa, no Discovery Kids! E muito menos quer fazer xixi – Mas se não fizer antes de dormir, você pode molhar a cama de madrugada... Sob protestos, outro dever cumprido! No dia seguinte, na hora de deixá-la na sala de aula para mais um dia de aprendizado, choro e revolta: – Não quero ficar na escola... Não quero a Tia Lu..., no que sua professora rebate: – É só uma fase rebelde... Especialmente por causa do ciúme pela gravidez da Mamãe... Ora, "sabichona", claro que sabemos disso: mas a Mamãe e eu, assim como a maioria dos pais, é feita de carne, osso e estresse e, de repente, a impaciência prevalece!

Só assim para entendermos a geração dos nossos pais, que "sentava a mão" muito mais cedo do que costumamos aguentar hoje em dia... E, o que é pior, em situações menores, bem parecidas com as ora narradas, em meio a birras sem importância, manias pequenas ou a chiliques de medos compreensíveis: era "taca" na certa, nossa geração bem sabe disso, não importando a idade! Que ao menos deixassem as "duras" para questões mais sérias, como quando, noutro dia, a Mamãe me trouxe a novidade de que a nossa gentil menininha empurrou, sem que nem pra quê, uma coleguinha no 'play' do condomínio – e assim foi muita conversa séria e firme, olho no olho, por alguns dias... Ainda assim, apesar de admitir (com dor na consciência) que também já lancei mão de uns "bolos" nos momentos mais cheios, condeno veementemente o fato de um pai bater em seu filho como "medida educativa" ou mesmo punição! Afinal, quantas vezes já se repetiram todas essas mesmas cenas aqui em casa e, mesmo com as (poucas) palmadas, todas as birras, manhas e rebeldias não acabaram sendo refeitas?

"Ah, mas castigo pode!", afirma, categoricamente, a Mamãe – que, apesar de ter batido bem mais que eu na nossa pobre garotinha, no fundo, reconhece que o ato de bater é muito mais uma injusta e bruta medição de forças advinda de um arroubo de impaciência do que algo educativo (ainda mais em tão tenra idade!). Entretanto, mesmo com todas as recomendações das SuperNannys da TV, também fico com o pé atrás em relação aos tais "castigos": o "sente-se aqui e pense no que você fez" é tão robótico que nossa garotinha, já no terceiro ou quarto "cantinho da disciplina", imediatamente após um mera advertência que lhe fizemos a respeito de uma bobagem qualquer, logo soltou: – Então eu devo ficar de castigo..., já se dirigindo para sua cadeirinha. – Ei, Filha: não precisa; só lhe chamei a atenção! Mas que coisa: não funciona! Sem esquecer que existem inúmeros estudos que já comprovaram que uma criança nesta idade, entre 1 e 6 anos, jamais utiliza o tempo dado como punição para "refletir" sobre o que fez... Então o que fazer?! Ser firme, ríspido se preciso for, mas ensinando sempre, e por quantas vezes for preciso: bater, jamais! Aí também incluindo jamais valer-se um pai ou responsável de qualquer agressão moral, como o uso de palavras violentas, feias ou humilhantes: machuca do mesmo jeito (ou até mais) que uma sonora palmada! Ah, e cinto é pra se usar na cintura e chinelo, nos pés, hein? Pelamordideus...

Logicamente que ainda é grande o panteão de jovens pais da minha idade que insistem nas mesmas práticas agressivas usadas por seus velhos pais quanto a punições corporais acrescidas de castigos de "imobilização-reflexão" e que jamais concordará comigo: basta dar uma espiada nas redes sociais e ver atrocidades do tipo "Eu apanhei quando criança e hoje tenho caráter", por exemplo, para entender o que estou dizendo... E longe de mim vir a público definir que tipo de criação é a mais apropriada para uma criança: como diria o poeta baiano, "cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é"! Só lembro uma coisa aos mais "afoitos": violência e agressividade são crimes, agravados quando em relação a menores, e geram nada mais que simples violências e agressividades: agressão não "ensina" nada a ninguém, só oprime!

E mesmo quando uma punição física é usada com a intenção de "educar" (!), pode ter certeza de que existe um enorme abismo entre a intenção paterna e o efeito desta ação... Um pai somente vence uma "batalha", e à força, na mão de ferro... Está certo isso? Afinal, todas essas abusadas fases vão passar... E o que será melhor para ficar no seu filho? Agressões de um pai/uma mãe severos ou a paciência e o companheirismo de sempre buscar a melhor forma de se seguir o caminho correto? – Ah, mas eu é que não vou aguentar desaforo de filho: bato pra mostrar logo quem manda, pois assim que eu fui criada: na chinelada! E estou boazinha hoje, sem nenhum trauma... Tenho certeza de que uma mãe dessas jamais sequer pensou sobre seus atos! E, tal qual o ímpeto das chineladas sofridas como repreensão na infância, ela simplesmente as repete no impulso do dia-a-dia, como um condutor de carroças castiga, inconscientemente, o seu burro xucro que insiste em ir para o lado errado...

Não, eu não acho minha filha chata ou mesmo mal comportada (e detesto quando a Mamãe comenta com a família algo deste tipo): no seu geral, ela é muito doce, gentil e obediente. Mas também, nem de longe, sou o tipo de pai que passa mão na cabeça de criança se a mesma anda fazendo tolices: sou duro, repreendo e sempre evidencio o erro, buscando afastá-la do mesmo! O que acontece é que ela é uma criança, poxa vida: sempre encontrará uma forma de irritar alguém mais velho, seja com uma brincadeira fora de hora ou com uma desobediência! O engraçado é que nós, adultos, muitas vezes nos comportamos com eles de forma muito mais infantil do que qualquer uma de suas birras: educar é profundamente diferente de castigar...

Sim, eles sabem o que é certo e errado faz tempo – e é justamente por isso que fazem o que fazem: tudo o que querem, na maioria das vezes, é simplesmente chamar a atenção e, pasmem, ser advertidos! Por isso é necessário que repitamos a mesma advertência tantas quantas forem as vezes que insistirem nos mesmos erros, especialmente na idade da SuperFilha (3 aninhos)! E o mais relevante ainda: é mais do que necessário (eu diria, inclusive, tratar-se de uma condição sine qua non se você quer ser pai ou mãe) termos muita, mas muita paciência, se quisermos realmente educar crianças para tornarem-se adultos melhores do que nós... Afinal, repetir castigos e punições tão antigas e ultrapassadas me parece incidir, desnecessariamente, num erro atroz! E aqui, quem tem que repetir erros e bobagens são só as crianças, não é mesmo?


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