sábado, 16 de março de 2013

Menina de Fases...



Começo a temer que a tal "Fase do Não" se apresente bem mais de uma vez ao longo da infância e, o que é pior, com diferentes facetas... Mais uma vez o famigerado vocábulo negativo frequenta a pequena boca da Filha com assiduidade - agora, sempre dito duas vezes, num só fôlego:

- Aaahnn! Não qué, não qué!

Ao que a Mamãe, instantaneamente, replica:

- Não queeer...? Quer, sim!

Mas não adianta: quando a pimpolha "não qué, não qué", é luta conseguir dela o contrário! E assim se seguem alguns banhos sob protestos de choro, zangas quando o Papai canta uma canção indesejada na hora do embalo para dormir (ou se empolga a cantar no carro) ou ainda quando a Mamãe inventa de dançar junto no final de alguma atração do Nick Jr.: se aquela não for considerada a hora certa por Vossa Majestade Mirim para tais manifestações, ela dá um gritinho, por vezes vai às lágrimas e deixa bem claro que prefere cantar ou dançar sozinha naquele momento - ou, ainda, deseja o silêncio, estando ela cantando junto ou não...

E, embora a coisa toda assuste certas vezes - chegando ao ponto em que eu, que só encontrei necessidade de levantar-lhe a voz uma única ocasião, jamais lhe dando uma palmadinha sequer, venho falando mais seriamente para ela parar de responder assim -, tudo não passa de uma bendita "fase": ah, as fases dessas crianças...

O Toquinho, por exemplo, segue no seu aniversário de belos 50 anos de carreira da qual sou um ardoroso seguidor, desconhecendo o fato de que, por sua vez, também se transformou numa fase infantil! Mas se engana quem pensa que a "Fase Toquinho" seja decorrente de o Papai aqui ser fã do famoso compositor: na verdade, a influência que eu poderia exercer sobre o gosto da Filha encerrou-se na compra de um dos seus primeiros DVDs, Mundo da Criança: daí pra frente, basta a pequena ouvir a palavra "Toquinho", que o interesse se aguça! E foi assim que um novo clássico se apresentou a ela: Casa de Brinquedo, por exemplo, musical originariamente produzido para a Globo em 1983, onde grandes nomes como Simone, Chico Buarque, Tom Zé e MPB-4 interpretavam clássicos como Bicicleta, O Caderno, O Robô ou Super-Heróis, relançado agora com fracas animações narrando as canções originais - minha garotinha vê no DVD e ouve no carro, diariamente, mais de uma vez!

Os amados quebra-cabeças? Os adorados livros das Princesas da Disney? Seus outros DVDs tão solicitados, como Galinha Pintadinha, Cocoricó, Pocoyo ou Patati e Patatá? Tudo esquecido... Afinal, além do Toquinho, resta a "Fase do Colégio", onde o empurrar da mochilete pela casa (e em qualquer loja de departamentos ou supermercado onde a pixuta encontre uma mochila com rodinhas dando sopa!) e o esvaziar (ou colocar tudo de volta) na bolsa da Branca de Neve, a qualquer hora do dia, são o maior barato da atualidade! E tome "botá pefome cheioso" e "iscová dentinho" não sei quantas vezes, tirando e botando as pequenas necessaires com seus indispensáveis utensílios diários de nova realidade estudantil no Maternal II...

Maçã, pera, uvas? Não... Fruta agora se restringe, basicamente, a banana ou melancia (melão e kiwy, ocasionalmente, também são aceitos) e o negócio mesmo vem sendo os carboidratos do pãozinho de forma com requeijão light e os preciosos açúcares industrializados do Danoninho e das geleias (que lutamos por controlar as porções diariamente, já que por ela...)! E aquela carregadinha com o bumbum apoiado no braço? Não, só se for apoiada em estilo "cadeirinha", e de ladinho, senão o choro é fácil...

Claro que muitas dessas bobagens sumirão tão rápido como surgiram, mas não restam dúvidas de que algumas dessas "fases" nada mais são que birrinhas, reinações e manhas disfarçadas, que requerem atenção e uma boa dose de "nãos" bem aplicados. Seria a influência da realidade do colégio, com seus novos coleguinhas, de onde vieram também as primeiras manifestações de doenças (depois da primeira gripe, na semana passada a surpresa de uma conjuntivite)? Seria mesmo uma "coisa da idade", com a qual só resta ter paciência, cedendo de vez em quando ou tendo pulso firme sempre?! Com a palavra, os psicólogos e educadores... A mim, resta acalmá-la nas horas mais "raivosas", e, em certos momentos - por que não? - dizer-lhe não de volta, pagando na mesmo moeda com um sonoro "Aahn! Não qué, não qué"! 'Tá aí uma boa ideia... Acho que vou entrar nessa "fase"!

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