segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Águas...




- Mas ela é só um bebê: que "transformação de vida" ela terá depois de uma cerimônia chata e cansativa como esta? Só se for trauma de igreja!
- Tudo bem, não se batiza... E nossa filha continuará pagã!
- Que bobagem, amor: ela continuará um bebê inocente e amado por Deus...

Depois de muitas discussões espirituais e religiosas - especialmente a dificuldade enorme que sempre tive com invencionices católicas, como o próprio batismo de bebês, o culto divino a Maria e o conceito de intervenção dos Santos: pra mim, basta Deus, Jesus e o Espírito Santo na Santíssima Trindade para nos guardar, proteger e guiar com suas bênçãos (sem esquecer a total ausência destes preceitos na Bíblia...) -, acabei cedendo: afinal, a família da Mamãe é extremamente católica e, assim como me casei com ela, no religioso, dentro de uma capela católica (afinal, também não topo com os pentecostais exagerados ditos "evangélicos" de hoje em dia...), com o fim de pedir a bênção para nosso relacionamento, assim concretizei a mesma "desculpa" para dar o braço a torcer e seguir a embalar minha filha para o "sacrifício" de uma manhã de calor e de liturgia...

Como o friozinho do ar condicionado do carro estava bem gostosinho,a Filha acabou se rendendo ao paganismo de Morfeu e dormiu no caminho para a igreja: perfeito, agora eu queria ver acordarem a menininha e levarem para a barulheira das velhas caixas de som no último volume de uma igreja no domingo! Bom que a Mamãe mesma reconheceu e, deixando-me no carro com a Filha, foi sozinha para a missa, ao encontro dos parentes, que já aguardavam ansiosos pela "nova cristãzinha", e só veio mais tarde (comunicação por celular, para saber do acordar) nos conduzir à presença das outras pobres criancinhas empacotadas que aguardavam pelas unções e palavras ritualísticas do padre...

Pelo menos o pároco não se atrasou e a cerimônia, além de começar no horário, não se alongou muito pela ensolarada manhã de domingo. Entretanto, o que foi bom por um lado, logo se converteria numa correria litúrgica ainda mais esvaziada do que eu pensara: uma sucessão de palavras lidas naqueles livros gigantes dos padres, sem ênfase e sem dicção (tudo ainda mais agravado por causa da acústica ruim do local), sucedida pelos rituais de cruzes e mais cruzes desenhadas com óleo em minha garotinha (graças a Deus ela é um anjinho e não se irrita com nada!), pega-pegas na "vela acesa", "toca-tocas" com a estola até o 'grand finalle' da água derramada por três vezes em sua cabecinha, carregada que estava pela Vovó, também sua madrinha - sem esquecer da "Consagração à Maria", coisa de que fugi em outras igrejas (já falei de minha contrariedade à "burocracia" das figuras poderosas do Catolicismo...) para, em fração de segundos e num golpe de surpresa (aturdido, talvez, por um dos inúmeros e afoitos fotógrafos ou 'flashes' do local), cair nessa, por sob as mãos estendidas do padrinho (irmão da Mamãe) e da minha própria esposa (católica até o fim, que sorriu para mim depois do "ato clandestino"!)!

Tudo que eu queria, uma vez que minha Filha ainda é um bebê e não tem a menor consciência desta "vida nova", era que houvesse um dia de agradecimento a Deus pela maravilha de sua vida e de sua saúde, mas tudo o que se seguiu foi apenas uma manhã de domingo corrida e esvaziadamente litúrgica, seguida de um almoço de confraternização... Muito pouco ou quase nada daquele Homem maravilhoso, que entendia de águas como ninguém (podendo até andar sobre elas!) e que disse, certa vez, sempre com sua sabedoria divina: "Vinde a mim as criancinhas, porque delas é o Reino dos Céus"...

11 comentários on "Águas..."

Mamãe disse...

Sim,Papai,eis que agora nossa filhinha se tornou cristã e consagrada!rsrsrs. Apesar de católica,tenho que concordar que o padre era fraco,falava tudo muito rápido,o que tirou e muito o brilho do batismo de nosso anjinho... Mas ao final de tudo,o resultado saiu melhor do que eu esperava com nossa filhota mostrando um comportamento cada vez mais exemplar! Beijo

Lilian Amorim on 10 de novembro de 2010 12:54 disse...

Olá superpapai!
Sou evangélica mas estou longe de ser fanática...rs
Penso como vc. A criança é tão inocente e sem pecado que não vejo sentido no batismo quando bebê.
Temos por costume somente fazer uma pequena cerimônia de apresentação. Neste momento o Pr. agradece pela vida da criança, pede ao Senhor que a abençoe, proteja seus passos, ora para que Deus dê sabedoria aos pais e por aí vai. O batismo só é feito depois de adulto quando a pessoa tem o poder de decisão.
Esse momento era importante pra sua esposa, logo, alguem sairia insatisfeito com a decisão que fosse tomada...
Complicado, não é?
Bjs

Chris Ferreira on 13 de novembro de 2010 10:13 disse...

Oi SP,
aqui também foi uma decisão difícil e acabamos batizando a mais velha quando ela estava com 7 anos e junto com a mais nova por pura pressão familiar. Me concentrei no almoço de comemoração e tratei com uma festa. Realmente também preferia um dia de agradecimento a Deus pela vida das inhas filhas. Bom, eu agradeço diariamente no meu íntimo.

Tabém estou com algumas letras (do Dino Letras)repetidas e outras faltando. Não tenho X, I, B, nem G repetidas. E uma letra que eles sentem a maior falta é o U pois ainda não conseguiram escrever Luiza. Se eu conseguir alguma dessas eu te fala e envio pelo correio, tá?

beijos
Chris
http://inventandocomamamae.blogspot.com/

Vovó disse...

A nossa formação católica sempre foi essa: ser batizado e consagrado quando pequeno. Fazer a primeira comunhão aos 8, 9 anos de idade e mais tarde ser crismado. Sou batizada, fiz a primeira comunhão e fui crismada. Vocês também foram batizados e fizeram a primeira comunhão. Concordo com a Mamãe sobre a celebração. Hoje os batizados com relação a fé e devoção ficam a dever... Devemos ter muita fé em Deus todo Poderoso e agradecer sempre! Beijos da Vovó (e Dindinha!)!

Mãe Mochileira,filho malinha.. on 16 de novembro de 2010 00:15 disse...

Oláaaa!! pois é, aqui em casa somos espiritas,mas uma parte da familia é catolica fervorosa( e outra é evangelica,ou seja,rola um pouco de tudo,rsrs),entao o pequeno foi batizado com todo o ritual que é comum a um batismo,rsrs..Mas enfim acho q fiz a coisa certa,e quando ele for maior,cabe a ele decidir qual caminho vai tomar,rsrs..
Mas acho importante sim batizar, e acho q vcs fizeram a coisa certa!!!
abraços e uma otima semana!!!
;-)

Cláu Gimenes on 17 de novembro de 2010 07:52 disse...

Olá Superpapai,

Aqui somos espíritas, mas eu sou filha mais velha, minha família de origem é toda católica...não posso dizer fervorosa, mas faz questão de seguir os preceitos da religião...então assim como vc, cedemos ao casamento na igreja católica, afinal 'não custava nada', do ponto de vista de ceder, é claro, pq casar na igreja é bem carinho!
Quando a filha mais velha nasceu, outra celeuma: eu e o marido não queríamos batizar, mas por conta dos avós e por uma sobrinha que tem a mesma idade da minha e que seria batizada , sofremos uma 'leve' pressão e acabamos cedendo, tbm.
E aí, por conta de uma ter sido batizada, nos vimos obrigados a batizar os outros filhos tbm.
Felizmente na igreja onde eles batizaram não é obrigado a assistir à missa, a cerimônia é rápida e muito bonita.

Que bom que sua bonequinha resistiu bravamente e ficou bem calminha!

Tenham uma semana abençoada!!!

Cláudia

Claudinha ੴ on 24 de novembro de 2010 20:43 disse...

Olá Papai, Mamãe e neném...
Parabéns... Eu lhes desejo uma vida linda, repleta de alegrias.
Eu também passei por estes ritos, meus BBs também (o mais velho passou no vestibular e começa outra etapa da vida). Mas, eu me sinto assim como você. Adoro cerimônias, mas aquelas que eu crio com a natureza. Acho celebraçoes necessárias, mas algo que eu sinto , no momento que eu sinto. Existe um Jesus e espíritos muito vivos em minha vida me abençoando, mas detesto as encenações de igrejas. Sou mais a Wicca, são mais naturais...
Porém, também concordo com a Vovó. É tradição da família. Ela merece ver a filha e a neta passarem por estes ritos que acreditam.
Parabéns a você que concordou e que tem em sua família a sua fortaleza!
Um beijo!

Kcal on 30 de novembro de 2010 01:18 disse...

É isso, cada um com sua religião. Mas o papai aí, foi vencido neam. *rsss
Mas o importante é que a bonequinha tenha bastante saúde pra crescer e fazer as próprias escolhas.
Bjuxxx

Adriana disse...

Imagino a fofinha sonolenta na manhã de domingo, rsrs... O mais importante, apesar da "liturgia vazia", é a fé nos corações da Mamãe, dos Padrinhos, da apresentação e consagração do bebê não aos homens, mas a Deus, segundo a intenção de seus familiares. Acho que essas bonitas tradições podem ter mudado com o tempo, não tem mais a consistência de antigamente, por isso o que mais importa é a família estar em contrição. O discurso foi esvaziado, acho que isso virou costume, rs... mas havia fé em Deus preenchendo seus corações!

bjoss

.Mone on 16 de dezembro de 2010 10:18 disse...

É essa eu passo, será um comentário "sem comentários". Prefiro não opinar, tem meus conceitos e principios, e não vou tentar convercer a ninguém do que acho certo. É muito pano pra manga este assunto.
Maaassss tem um selinho com questionário para você lá no blog...porém ele pode ser muito feminino, mas o que conta é o questionário.
Pega lá no cimodre.blogspot.com

Claudinha ੴ on 2 de janeiro de 2011 17:59 disse...

Feliz 2011 para o Papai, para a Mamãe e para a Neném! Beijos a todos, que seja um super, super ano! Beijos!

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