quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

A Prima


Era uma vez um casal que, de tanto querer ter filhos, fez brotar uma linda garotinha... E assim ela chegou ao nosso "reino", criando os primeiros novos parentescos: eu, por exemplo, que então era somente noivo da hoje Mamãe, virei, de uma vez só e da noite para o dia, tio e padrinho de uma adorável e fofa bebezinha que tantas alegrias nos daria a todos...

Entretanto, tal como em qualquer bom conto infantil que se preze, eis que tempos sombrios dominaram o castelo daquela princesinha e seus pais encantados se separaram... Desta forma, com os inevitáveis afastamentos de qualquer ruptura, novos "reinos" surgiram, sem as mesmas belas edificações de antes: seu papai criou um território paralelo para si e sua nova consorte viajada; e sua mamãe ergueu assustadoras muralhas em torno da princesinha, atingindo não só este entristecido "Titio-Dinho" como também (e principalmente) aquela que, à época, nem sonhava ainda em ser a hoje famosa Vovó-Dinha...

Com o nascimento da SuperFilha, a felicidade voltou a reinar no coração da avó (que também, como muitos já sabem, passou a colecionar o título de madrinha da minha filhota)! A princesinha, então, virou A Prima e o seu pai passou a ser o Titio Beto (que continuava a viver às turras consigo mesmo e com a primeira esposa) e, mesmo com os descasos e as petições em Juízo, depois de alguns furacões típicos de Oz, os "dias de visita" viraram dias de alegrias infantis: o novo reino da princesinha-prima vivia, enfim, um período de paz... E assim, para além do "Ama o Papai", "Ama a Mamãe" e "Ama a Vovó", sempre havia também um redondo "Eu amo a Prima" por parte da SuperFilha, para quem quisesse ouvir – muitas vezes ganhando até dos interlocutores citados acima...

E muitos foram os "Quero ver a prima" e ainda mais inúmeros os encontros na casa da superfeliz vovó em comum, com muita farra com os brinquedinhos levados, gritinhos em frente à TV com os DVDs cheios de músicas e danças entre aquelas garotinhas que lamentavam quando o "fim de semana do pai" se acabava... Por isso, até para compensar as amarguras do Titio (que, para a minha Filha "vivia dormindo", tantas vezes "cansado" no quarto da casa da Vovó-Dinha), eu mesmo superava a preguiça comum dos fins de semana e levava as duas para mais farras fora de casa! E, fosse num shopping, num parquinho da Lagoa ou na pizzaria, a felicidade estampada nos sorrisos cúmplices das duas sempre denunciava a festança, que corria solta quando estavam juntas...

Claro que, diante das diferenças etárias (a Prima é 4 anos mais velha) e das poucas idades das duas, briguinhas eram inevitáveis e zangas e birras pululavam ao longo de vários momentos, uma querendo "se trocar com a outra" (com especiais infantilizações da mais velha, que, nessas horas, jamais iria querer "perder" para a "menorzinha")... Mas nada que um Danoninho ou um suco de uva não resolvesse... E nada que ao menos ofuscasse o turbilhão de gargalhadas que surgiriam logo em seguida!

Hoje, entretanto, foi um dia triste por completo: a mamãe da Prima, junto à sua nova família, viajou de mudança para outro Estado e, desde a sua breve despedida de ontem, mesmo pequenina ("Eu vou cantar para a Prima a música do Gabba-Gabba, Papai: 'Adeus, adeus... Adeus, adeus...'"), a SuperFilha ficou bem sentida... E, em que pese a mamãe da Prima tenha garantido de que "será somente por 1 ano", tudo soa igual a um duro e temerário "para sempre"...

E assim, por mais que a Vovó-Dinha tentasse esconder a imensa tristeza desde a revelação desta bombástica notícia, no finalzinho do ano passado... Ou que o rude e estranho Titio siga a aparentemente não dando muita importância aos acontecimentos, em meio à apressada despedida da minha já triste menininha... E que o Vovô Lito, com seu distanciamento natural, e a SuperFilha, com sua inocência de 3 anos e meio, não calculem a real dimensão dos fatos, hoje, sem dúvida, foi um dia triste...

São crianças e, por certo, muito em breve inúmeras boas mudanças vão chacoalhar as vidas de ambas, a diminuir a intensa saudade que uma sentirá do convívio da outra (aqui em casa, por exemplo, a hoje "filha única" já, já terá a alegre companhia dos irmãozinhos SuperGêmeos a alegrar seus dias)... Mas não posso negar também que todo este quadro me entristeça profundamente: afinal, passa longe de um final feliz típico dos contos que a minha filha tanto aprecia... Por outro lado, minha fértil imaginação rica de fantasia jamais vai deixar de sonhar com um animado reencontro para essas duas "meninas molecas" cheias (de entusiasmo): uma Fada Madrinha qualquer ainda há de fazer com que logo se reencontrem e possam, enfim, crescer mais próximas uma da outra, "a brincarem felizes para sempre"...

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